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Lygia FAGUNDES TELLES

Lygia Fagundes Telles nasceu em São Paulo mas passou a infância no interior, onde o pai, o advogado Durval de Azevedo Fagundes, atuou como promotor público. A mãe, Maria do Rosário (Zazita) era pianista. Algumas dessas pequenas cidades percorridas nessa infância instável: Sertãozinho, Itatinga, Assis, Apiaí e Descalvado. Voltando a residir com a família em São Paulo, a escritora fez o curso fundamental na Escola Caetano de Campos, e em seguida ingressou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, da Universidade de São Paulo, onde se formou em 1945.
 
Quando estudante do pré-jurídico ingressou na Escola Superior de Educação Física, da mesma universidade e onde ainda recebeu o diploma. Mãe do cineasta Goffredo Telles Neto (falecido em 2006), é avó de Lúcia Carolina Aidar Silva Telles e Margarida Goreki da Silva Telles. Divorciada, a autora casou-se com o ensaísta, crítico de cinema e professor da USP, Paulo Emilio Salles Gomes, falecido em 1977.

A escritora começou a escrever muito cedo, quando era “uma adolescente de boina”, o que a levou depois a considerar seus primeiros livros “muito imaturos e precipitados”. Assim sendo, prefere deixá-los esquecidos “no mar morto da literatura”, conforme declarou. Segundo o crítico literário Antonio Candido de Mello e Souza, no texto “A nova narrativa brasileira”, o romance Ciranda de Pedra (1954) seria o marco de sua maturidade intelectual.

Vivendo a realidade de uma escritora do Terceiro Mundo, LFT considera sua obra de natureza engajada, ou seja, comprometida com a difícil condição do ser humano num país de tão frágil educação e saúde. Participante e testemunha desse tempo e desta sociedade, a escritora procura através da palavra escrita apresentar esta sociedade e este tempo de um certo modo envolto na sedução do imaginário e da fantasia. Em seu romance As meninas (1973), por exemplo, ela registra uma posição bastante clara de recusa ao regime militar. Em 1976, fez parte de um grupo de intelectuais que foi à Brasília entregar um manifesto contra a censura e que ficou conhecido como Manifesto dos Mil.
 
Foi Procuradora do Estado, presidente da Cinemateca Brasileira e vice-presidente da União Brasileira de Escritores. Em 1982, foi eleita para a Academia Brasileira de Letras. Autora de mais de 30 obras, entre romances, livros de contos e memórias, é a grande dama da literatura brasileira atual. Em 2005, recebeu o Prêmio Camões, o maior da língua portuguesa, pelo conjunto de sua obra.
 
Tudo o que a palavra “delicadeza” pode conter ou sugerir está vivo na obra de Lygia Fagundes Telles. Habilíssima construtora de perfis psicológicos, ela leva o leitor a experimentar o mundo com os olhos, os ouvidos, a pele, a língua e o nariz alheios, e exercita a arte de encontrar sutilezas humanas no meio da brutalidade do real.
 
E que ninguém confunda delicadeza e frivolidade. É preciso tanta coragem para mergulhar na delicadeza de Lygia como para manter os olhos abertos diante da vida. Com sutil percepção e extraordinário domínio dos recursos literários, ela constrói narrativas sofisticadas, que acordam os sentidos e nos alertam para angústias e desejos obscuros. Os finais abertos de contos como os de Antes do Baile Verde (1970), a narrativa fragmentária das lembranças e reflexões que tecem a linha com que autora borda A Disciplina do Amor (1980), as metáforas cruéis de Seminário de Ratos (1977) e A Estrutura da Bolha de Sabão (1978) – ambos particularmente voltados para a condição feminina – e a quase fusão de realidade e ficção das histórias de Invenção e Memória (2000) interrogam o leitor impiedosamente.
 
Do embate entre a realidade exterior e os desejos e medos que povoam o interior de cada um, nascem suas histórias. No clássico Ciranda de Pedra (1954), a desagregação familiar, que leva uma irmã a viver com a mãe doente e o padrasto, numa casa pequena e desconfortável, enquanto outras duas moram com o pai num rico casarão, é o contexto onde situações aparentemente banais vão revelando medos, fragilidades e delírios. Num cenário mais amplo, as três jovens de As Meninas (1973) defrontam-se com a solidão e o silêncio num tempo em que o país vivia sob as botas da repressão. Ao longo de um escaldante verão tropical, Raíza, protagonista do romance Verão no Aquário (1963), debate-se entre a relação de amor e ódio com a mãe e as amorosas lembranças do pai alcoólatra – um homem frágil, que se escondeu do mundo na bebida –, em busca de um canal que comunique seu universo interior à vida externa. Rosa Ambrósia, a atriz alcoólatra, em final de carreira, de As Horas Nuas (1989), não encontra saída. Isolada num mundo onde seu mais constante interlocutor é um gato tão depressivo e cáustico quanto ela própria, ela revê sua vida com ácida lucidez.
 
Na trajetória da grande dama da literatura brasileira contemporânea até o Prêmio Camões (2005), concedido pelos governos brasileiro e português aos maiores expoentes da literatura em língua portuguesa, foram muitas as conquistas: com As Meninas, arrebatou os prêmios mais importantes outorgados a romances brasileiros (Coelho Neto, da Academia Brasileira de Letras, Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, e melhor ficção, da Associação Paulista de Críticos de Arte), e pelos contos de A Noite Escura e Mais Eu (1996), recebeu os prêmiosAPLUB de Literatura (Porto Alegre), O Melhor Livro de Contos, da Biblioteca Nacional, e o Jabuti.
 
Encontros e perfis de escritores que marcaram a carreira de Lygia, como Simone de Beauvoir, Jorge Luis Borges, Carlos Drummond de Andrade, Monteiro Lobato, Jorge Amado, Hilda Hilst e Mário de Andrade, estão registrados no livro Durante Aquele Estranho Chá (2002), ao lado de textos sobre a língua portuguesa, relatos de viagens, uma sensacional entrevista concedida pela autora a Clarice Lispector e seu tocante depoimento sobre o crítico de cinema Paulo Emilio Salles Gomes, seu marido, falecido em 1977.
 
Em 2004, e 2005, dois presentes extraordinários para os leitores: as antologias organizadas pela própria autora com seus contos preferidos: Meus Contos Preferidos e Meus Contos Esquecidos.
 
Lygia Fagundes Telles já foi traduzida para mais de quinze países – França, Estados Unidos, Itália, Alemanha, Holanda, Suécia, República Checa, China, Espanha, entre outros –, tendo obras adaptadas para TV, teatro e cinema.
 
 
“Eu escrevo sobre a condição humana. A loucura, o amor, a morte.”

Lygia Fagundes Telles
 
“(...) comecei a imaginar que a bolha seria um símbolo do amor, que é frágil como película, fácil de ser rompida, e ao mesmo tempo é beleza e plenitude''.

Lygia Fagundes Telles
  
 
 
 
 
OBRAS
 
Romances
- Verão no Aquário – 1963,(nova edição no prelo), Companhia das Letras
- As Meninas – 1974, 2009, Companhia das Letras - 301 págs.
- Ciranda de Pedra – 1954, 2008, 2009, Companhia das Letras
- As Horas Nuas – 1989, 2010, Companhia das Letras


Contos & Crônicas
- Mistérios – 1981, (nova edição no prelo), Companhia das Letras
- Os Melhores Contos (org. Eduardo Portela) – 1982, Global
- Oito Contos de Amor (org. Pedro Paulo Sena Madureira) – 1997, Ática
- Venha Ver o Pôr-do-sol e outros Contos – 1997, Ática
- Pomba Enamorada e Outros Contos Escolhidos (org. Léa Masina)– 1999, L&PM
- Meus Contos Preferidos –2004, Rocco
- Histórias de Mistério – 2004, Rocco
- Meus Contos Esquecidos – 2005, Rocco
- O gato (título provisório – no prelo), Rocco
- Passaporte Para a China (no prelo), Rocco
- A Noite Escura Mais Eu – 1995, 2009, Companhia das Letras
- Antes do Baile Verde – 1970, 2009, Companhia das Letras - 205 págs.
- Seminário dos Ratos – 1977, 2009, Companhia das Letras
- A Estrutura da Bolha de Sabão - 1991, 2010, Companhia das Letras


Ficção & Memória
- A Disciplina do Amor – 1980, (nova edição no prelo), Companhia das Letras
- Conspiração de Nuvens – 2007, Rocco
- Invenção e Memória – 2000, 2009, Companhia das Letras - 143 págs.
- Durante Aquele Estranho Chá (org. Suênio Campos de Lucena) – 2002, 2010, Companhia das Letras


Edições Estrangeiras
- Alemanha – As Horas Nuas - Rutten & Loening, Berlin Gmbh
- França – La Discipline de l´amour – 2002, Éditions Payot & Rivages
- França – Les Pensionnaires - 2005, Editions Stock
- Holland - De Meisjes - 1998, Uitgeverij De Geus
- Itália – Ragazze – 2006, Cavallo Di Ferro

- Itália – Antes do Baile Verde – (no prelo), Cavallo Di Ferro

- Portugal – As Horas Nuas – 2005, Presença
- Portugal – As Meninas – 2006, Presença
- Portugal – Verão no Aquário – 2006, Presença
- Portugal – Ciranda de Pedra - 2008, Presença


Prêmios
- Verão no Aquário – Prêmio Jabuit, da Câmara Brasileira do Livro, 1963
- As Meninas – Prêmio Coelho Neto, da Academia Brasileira de Letras, Jabuti e APCAAssociação Paulista dos Críticos de Arte, 1974
- As Horas NuasPrêmio Pedro Nava, Melhor Livro do Ano, 1989
- Seminário dos Ratos – Prêmio PEN Clube do Brasil, 1977
- A Noite Escura Mais Eu – Prêmio Jabuit, Biblioteca Naional e APLUB de Literatura, 1995
- A Disciplina do Amor – Prêmio Jabuti e APCA, 1980
- Invenção e Memória – Prêmio Jabuti e APCA, 2000
- Conspiração de Nuvens – Prêmio Associação de Críticos de Arte de São Paulo - Categoria Memórias, 2008
 

Site da autora:www.lygiafagundestelles.com.br

Para os direitos de tradução entre em contato com  Nicole Witt  - n.witt@mertin-litag.de/ www.mertin-litag.de

       
 
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