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Arquivo: Dezembro/2003
• Verissimo e seu coração tri-vermelho
• Entrevista de janeiro: Maria Adelaide Amaral
• Os bichos da Sylvia nas mãos do Gê
• TIPO ASSIM é um sucesso reimpresso
• La casa delle sete donne
• Chico Mendes: crime e castigo
• O CORONEL E O LOBISOMEM no cinema

Verissimo e seu coração tri-vermelho
Um dos mais sensíveis torcedores do Internacional de Porto Alegre, Luis Fernando Verissimo entregou à Geração Conteúdo os originais de COLORADO OU AUTOBIOGRAFIA DE UMA PAIXÃO. Mesmo quem não vibrou com a genialidade de Falcão, com a raça de Figueroa ou com os dribles do Tesourinha não vai ter vontade de sair do campo, ou melhor, do livro, que será lançado no primeiro semestre de 2004, na série Camisa Treze. Na mesma série, já saíram, dentre outros, um livro do Corínthians, escrito por Washington Olivetto, um do Santos, por José Roberto Torero, e um do Flamengo, por Rui Castro. O mais recente é uma publicação sobre o Cruzeiro, do autor Jorge Santana, no momento em que o time mineiro conquistou o campeonato brasileiro. Nos próximos lançamentos, Sérgio Augusto escreverá sobre o Botafogo e Nelson Motta sobre o Fluminense.
Responsável pela série realmente bem bolada, o editor Rodrigo Teixeira avalia que o livro do Verissimo será uma tentação para os leitores. “A maior sedução do livro é o fato de estarmos lidando com a paixão de um torcedor brasileiro pelo futebol, no caso a paixão do Luis Fernando pelo Internacional. Só procurar entender a paixão desse autor já nos deixa bem curiosos”, diz Rodrigo.

Entrevista de janeiro: Maria Adelaide Amaral
Maria Adelaide Amaral será a nossa primeira entrevistada de 2004. A mil com o texto da sua minissérie sobre Tarsila Amaral, que estreará no ano que vem, na TV Globo, Maria Adelaide também falará sobre o lançamento do seu livro TARSILA, pela editora Globo.

Os bichos da Sylvia nas mãos do Gê
A Salamandra está preparando uma caprichada reedição do delicioso OS BICHOS QUE TIVE, de Sylvia Orthof, com novas ilustrações de Gê Orthof, filho da nossa autora tão amiga e tão inesquecível. Empolgado com o projeto, Gê fala sobre o prazer de reilustrar OS BICHOS. “Está sendo um verdadeiro reencontro especial e prazeroso com as histórias que escutei e testemunhei antes mesmo de se tornarem livro. Muitos dos bichos reinventados por mamãe foram também meus e dos meus irmãos, Claudia e Pedro. A história do bicho-papão, por exemplo, aconteceu comigo. Ela se inspirou num padre da escola onde estudei. Ao descobrir que minha mãe era judia, esse padre inventou de me colocar para rezar pela alma dela, todos os dias, por uma hora além do horário escolar. E eu não poderia contar para a mamãe, porque os judeus tinham pacto com o demônio e às vezes o demo tomava a forma dos pais”, revela.
Gê Orthof lembra que cresceu com OS BICHOS. De fato, muitos leitores continuarão crescendo com esse e outros livros da Sylvia. “Ilustrei a primeira edição há cerca de vinte anos, quando era só filho. Agora sou pai, mamãe já se foi, é uma nova volta da espiral. Então, criar novas ilustrações para este livro tão querido é uma forma de manter o contato com suas fabulosas histórias, sua alegria e sua irreverência tão características. Acredito que os bichos estão felizes de ganhar uma nova casa-livro, e de serem descobertos por novos leitores, que certamente vão se identificar com os bichos que todos tivemos, dentro ou fora das nossas cabeças”, prevê o ilustrador. Alguém duvida?

TIPO ASSIM é um sucesso reimpresso
Livro de estréia de Kledir Ramil, TIPO ASSIM tem feito cada vez mais sucesso. A editora RBS está preparando sua primeira reimpressão, totalizando uma tiragem de seis mil exemplares. Para o editor Pedro Haase, as crônicas do Kledir têm uma química infalível: talento, originalidade e bom-humor. “O leitor logo percebe essa composição e fica imediatamente seduzido pela leitura, com prazer de ler uma crônica atrás da outra.”
Pedro revela os principais fatores que o levaram a apostar no Kledir e celebra a boa aceitação de TIPO ASSIM: “A nossa expectativa sempre foi positiva, mesmo consciente sobre as peculiaridades do mercado editorial, pois nem sempre textos de qualidade obtêm uma resposta de vendas proporcional ao seu potencial. No caso do TIPO ASSIM, sabíamos que tínhamos originais de qualidade nas mãos e apostamos que este fator, conjugado com uma edição caprichada, mais o fato de o Kledir ser um cara reconhecido por sua atuação na dupla K&K, poderia resultar em um sucesso de vendas”, observa Haase.
Também entusiasmada, a produtora executiva da RBS Thaís Pretto Mallmann destaca as principais qualidades do escritor gaúcho. “Entre os diversos elogios que ouço do livro, uma expressão é unânime: é muito divertido! Os textos são leves, bem-humorados, despretensiosos, dão uma sensação de proximidade com o autor. É impossível você não soltar boas gargalhadas enquanto está lendo”, conclui Thaís. Ela ressalta que a importância do boca-a-boca na divulgação do livro. “Olha, esperávamos um bom resultado, mas não sabíamos que seria tão rápido. O livro ficou em 5º lugar no ranking dos mais vendidos na feira do livro de Porto Alegre, um resultado excelente para o primeiro trabalho do Kledir como escritor e para a própria editora, que ainda é bem nova no mercado. A qualidade do livro desencadeou uma propaganda boca-a-boca que está resultando em vendas tão boas”, avalia a produtora.

La casa delle sete donne
A Itália, que sempre foi um país de belas donas, agora é muito mais. O livro A CASA
DAS SETE MULHERES, de Leticia Wierzchowski, será lançado pela editora Bompiani, uma das mais importantes do mercado editorial europeu. Para dar ainda mais quentura na notícia, a TV Globo vendeu os direitos de reprodução da minissérie no país. “A Itália é um lugar que me encanta. Houve um tempo em que eu estudei italiano e cheguei mesmo a me formar na língua. Agora já esqueci tudo, na falta de ter com que conversar. Por isso, ter o meu livro traduzido - La casa delle sete donne? - é uma coisa deliciosa. Além disso, o livro vai para a terra do Giuseppe Garibaldi!!! Estou muito feliz”, diz a escritora.
Leticia está assim, com um sorriso mais do que especial. Bem, como é que se diz isso em italiano? “Ah, penso que pode ser uma faccia larga, mas não tenho certeza. Na realidade, o que importa é la gioia, a alegria do livro por lá!”, conclui Leticia.

Chico Mendes: crime e castigo
Dentro da coleção Jornalismo Literário, a Companhia das Letras está lançando CHICO MENDES: CRIME E CASTIGO, de Zuenir Ventura. O livro traz as oito reportagens clássicas publicadas pelo jornalista e escritor, no Jornal do Brasil, em 1989, na série O Acre de Chico Mendes, um mês depois do assassinato que mexeu com o país.
A coleção Jornalismo Literário publica os textos na sua forma original, mas Zuenir teve vontade de atualizar as suas reportagens, e a Companhia das Letras aprovou a idéia. “Dividi o livro em três partes: a primeira inclui a viagem inicial que fiz ao Acre, a segunda mostra o estado dois anos depois (quando fui ao julgamento dos assassinos do Chico Mendes), e a terceira relata a minha volta, após 15 anos, para reencontrar personagens, revisitar lugares, ver o que houve de lá para cá”, conta Zuenir Ventura.
Ele diz que ficou surpreso com a evolução do Acre, que hoje em dia está muito mais bonito. “A realidade é que tudo melhorou muito por lá. Na época, havia aquele clima de medo, de paranóia e de ameaça no ar. Tinha a quadrilha que matou o Chico Mendes, e alguns anos depois a quadrilha do Hildebrando, da moto-serra. Felizmente, todos esses bandidos foram parar na cadeia, que é onde eles devem estar. Constatar tudo isso foi ótimo e fazer o livro foi uma pauleira, mas fico bem feliz, porque o Luís Schwarcz e as outras pessoas da editora gostaram muito”, completa.

O CORONEL E O LOBISOMEM no cinema
Uma notícia linda feito lua cheia: O CORONEL E O LOBISOMEM, clássico de José Cândido de Carvalho publicado pela Rocco, será adaptado para o cinema com roteiro e direção de Guel Arraes. Acabamos de assinar um contrato com a Natasha Produções e estamos super felizes! Aliás, 2004 será um ano bem importante para o autor. Afinal, José Cândido completaria 90 anos em agosto, e a deliciosa história do coronel Ponciano de Azeredo Furtado comemorará 40 anos de publicação.
Filhos e herdeiros do escritor, Laura e Ricardo Carvalho dizem que o fundamental é constatar que O CORONEL E O LOBISOMEM continua vivo e que é um livro realmente importantíssimo na literatura brasileira. “Ficamos muito orgulhosos de ver que, depois de tanto tempo, a história segue em frente, despertando o interesse das pessoas. Esse filme é mais uma prova disso. Guel Arraes é brilhante, ele vai fazer um trabalho ótimo. Será um presente de aniversário para o autor”, comemora Laura.

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