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Arquivo: Maio/2009


• Uma farsa que enche o nosso coração de verdades

• Espetáculo de João Falcão, Os clandestinos fará apresentação única no Canecão

• João Silvério Trevisan discute o enigma do desejo na TV Cultura

• Leia já nossa entrevista com Adriana Falcão, Maria Eduarda e Leonardo Miranda

• Sesc Vila Mariana promove leitura da peça As meninas, em homenagem à Lygia Fagundes Telles

• O silêncio dos Amantes reestreia no Teatro Leblon

• Livia Garcia-Roza conversa com o público no projeto Sempre um papo, em São Paulo

• Leticia Wierzchowski lança romance Os aparados

• Marina Colasanti e seu Passageira em trânsito atravessam as páginas da revista Vogue

• Janaína Michalski autografa Onde o sol não alcança no Salão da FNLIJ







Uma farsa que enche o nosso coração de verdades

 

Espetáculo de Ariano Suassuna, com direção de João das Neves, Farsa da boa preguiça começa nova temporada, no Teatro Fashion Mall


                                                         Márcio Vassallo

Fui assistir à Farsa da boa preguiça com a Lucia Riff, o Roberto e a Maguy, meus muito queridos amigos. Minha expectativa era ver um espetáculo bonito e sair do teatro no mínimo bem contente. Afinal, o texto é do Ariano Suassuna, um dos autores que mais me deixam em estado de poesia. E a peça, com direção de João das Neves, foi considerada pela crítica Bárbara Heliodora como a melhor adaptação já feita da obra do Ariano.

De fato, o espetáculo lotou todas as sessões e foi aplaudido de pé pelo público, no Teatro Sesc Ginástico, no Centro do Rio. Não é para menos. Se pudesse reunir todas as sedas do mundo para rasgá-las aqui, é o que eu faria. Já em uma nova temporada, que começa agora, dia 14 de maio, no Teatro Fashion Mall, Farsa da boa preguiça é um absurdo de maravilhoso. Nada como ver um texto genial trabalhado com tanto cuidado, tanto respeito, tanta ousadia, tanto profissionalismo e tanto brilho. Para começar, a direção de João das Neves está impecável. Com muita sensibilidade, ele consegue puxar brilho de todos os atores e trabalha a verdade de cada personagem com uma identidade realmente sedutora. Por sua vez, a direção musical de Alexandre Elias é coerente, original, sem excessos e também sem economia, mexendo e remexendo com a atmosfera de cada cena; a iluminação de Paulo César Medeiros nutre na medida certa a estética dessas cenas e realça a beleza dos figurinos de Rodrigo Cohen. Aliás, os figurinos do Rodrigo ressaltam com um rebuliço mágico a alma de fuxico das personagens do Suassuna. Sem falar na exemplar direção de movimento de Duda Maia, na notória preparação vocal de Carol Futuro, e na primorosa direção e confecção de mamulengos de Gil Conti e Io Iô Teatro de Títeres, um achado que aumenta ainda mais o clima de fantasia e encantamento da história. 

Ah, por falar em fantasia e encantamento, o elenco de Farsa da boa pre guiça está fora de série. Antes de a peça começar, num pequeno vídeo exibido num telão, como se estivesse proseando com a gente, Ariano Suassuna conta, entre outras coisas, que Clarabela é a personagem feminina que ele mais gosta da sua própria obra. Não faltam motivos para isso, naturalmente. E a atriz Bianca Byington faz a Clarabela mais linda, mais engraçada, mais sublime e mais irresistível que Suassuna poderia imaginar. Dá vontade de aplaudi-la a cada fala, a cada olhar, a cada gesto, o tempo todo. Ao seu lado, o hiper talentoso Guilherme Piva, no papel do poeta José Simão, também está escandalosamente bem; no mesmo nível de Daniela Fontan (na pele da Nevinha), que está irretocável e também merece ser aplaudida aos pulos. Para finalizar, em cena também estão Ernani Moraes, que faz um Aderaldo Catacão com uma delicadeza impressionante, conseguindo ser brutalmente sensível; e os excelentes Flavio Pardal (extremamente verdadeiro em seus dois papéis, Miguel Arcanjo e Quebra-Pedra, o Cão Caolho); Vilma Melo (que hiptnotiza o público, com uma entrega comovente, fazendo Andreza, a Cancachorra), Leandro Castilho (também possuído, no melhor dos sentidos, pelas personagens Manuel Carpinteiro e Fedegoso, o Cão Coxo), além de Francisco Salgado, que faz um singular e inesquecível Simão Pedro. Singular e inesquecível como todo o espetáculo, que tem duas horas de duração, todo falado em versos, e mesmo assim não dá na gente nem sequer uma sombra de canseira. Afinal, o texto de Suassuna e a direção de João das Neves não estão a serviço dos versos. São os versos que estão a serviço das personagens, da linguagem e da história em si. Por isso é que eu não me gasto de catar adjetivos para falar sobre o que assisti.  

Entusiasmado, o diretor João das Neves comenta a obra de Ariano, no folder de apresentação da peça. "Mestre Suassuna nos diz que a Farsa da boa preguiça pretendeu fazer o elogio do ócio criador do poeta em contraposição ao trabalho escravizador. Fez muito mais. Sua peça é, na verdade, uma defesa incondicional do modo de ser e da criatividade do povo brasileiro. Um povo capaz de transformar artefatos de tortura e símbolos do trabalho escravo em instrumentos musicais que celebram a sua fé e alegria inquebrantáveis", diz João. E para comemorar os 50 anos de carreira de um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos, a também super competente diretora de produção do espetáculo, Andréa Alves é uma das responsáveis por um Museu Virtual de Suassuna, disponibilizado para o público no site www.arianosuassuna.com.br.

Mais do que tudo, a Farsa da boa preguiça, de Ariano Suassuna, com direção de João das Neves, é um exemplo inspirador de como a arte faz diferença em nossas vidas e nos torna mais humanos, mais suaves, mais atentos, mais felizes. Ao final da sessão, numa quinta-feira, enquanto Lucia, Roberto, Maguy e eu saíamos do teatro, reconhecemos nos olhos, nos sorrisos e nos comentários das pessoas da plateia a cumplicidade inegável de um brilho absorvido. A caminho de casa, no mesmo táxi, não conseguimos desencarnar daquela belezura toda. E não paramos de sublinhar cada frase, cada cena, cada momento desse espetáculo, rindo e nos emocionando o tempo todo, como se estivéssemos na plateia novamente. Ou como se, na realidade, o espetáculo ainda estivesse na gente. E foi o que aconteceu mesmo. A Farsa da boa preguiça reverbera em cada um de nós de uma forma diferente, mas com o mesmo impacto que só uma obra de arte nos provoca. Não deixe que a preguiça, a lonjura, a falta de fé ou de companhia tirem de você o prazer de duas horas que ficam pela vida toda.  

 

 









Espetáculo de João Falcão, Os clandestinos fará apresentação única no Canecão


Depois de uma temporada de muito sucesso no Teatro das Artes, no Shopping da Gávea, a comédia musical Os clandestinos fará uma única apresentação, dia 17 de maio, às 20h30, no Canecão. Com texto e direção do nosso caríssimo João Falcão, Os clandestinos traz em seu elenco 14 jovens artistas selecionados pelo próprio João entre mais de três mil candidatos de todo o país. O espetáculo é o primeiro projeto da Cia Instável de Teatro. No palco, um autor precisa escrever uma peça, mas é perturbado o tempo todo por vários personagens que, de tudo quanto é forma, tentam convencê-lo a escrever suas histórias. A direção e o texto do João, por si só, já nos convencem a assisti-lo sempre. Então, estaremos lá para ver essa ap resentação e comentá-la aqui depois. Mais informações: www.clandestinos.art.br/









João Silvério Trevisan discute o enigma do desejo na TV Cultura


Marque na agenda e não perca: João Silvério Trevisan falará sobre o enigma do desejo, no Café filosófico, dia 17 de maio, às 23h, na TV Cultura. Entre outras indagações, o autor analisará as grandes mudanças históricas que estão levando o masculino a uma crise de identidade diante de uma série de fantasmas. O programa será reprisado na madrugada de segunda-feira, às 3h40.









Leia já nossa entrevista com Adriana Falcão, Maria Eduarda e Leonardo Miranda

 
Já está no ar a nossa entrevista com a autora Adriana Falcão, a atriz Maria Eduarda e o fotógrafo Leonardo Miranda, que acabam de lançar o livro A arte de virar a página, pelo selo Fontanar, da editora Objetiva. Bisneta do nosso inesquecível escritor José Cândido de Carvalho, Maria Eduarda também brilha atualmente na minissérie Tudo novo de novo, na TV Globo.  









Sesc Vila Mariana promove leitura da peça As meninas, em homenagem à Lygia Fagundes Telles

Para celebrar a reedição da brilhante obra de Lygia Fagundes Telles pela Companhia das Letras, Bárbara Paz, Clarissa Rockenbach, Clarisse Abujamra, e outros atores, farão uma leitura aberta da peça As meninas, inspirada no livro homônimo de nossa autora. Com adaptação de Maria Adelaide Amaral e direção de Yara Novaes, a apresentação será no dia cinco de maio, às 20h, com entrada franca, no auditório do Sesc Vila Mariana (Rua Pelotas, 141), em São Paulo. A retirada do ingresso poderá ser feita uma hora antes, no próprio Sesc, enquanto houver disponibilidade.
Mais informações: www.sescsp.org.br, ou pelo telefone: 11-5080-3000









O silêncio dos Amantes reestreia no Teatro Leblon

Com direção de Moacyr Góes, o espetáculo O Silêncio dos Amantes reestreia no dia sete de maio, no Teatro Leblon, na Sala Tônia Carreiro, de quinta a sábado, às 21h, e domingo, às 20h. Inspirada no livro homônimo de Lya Luft, a peça recebeu belas críticas e já emocionou um bocado de gente, em sua curtíssima temporada no Teatro Municipal Maria Clara Machado (Planetário), no começo do ano. A princípio, O silêncio dos amantes deve ficar em cartaz até o dia 28 de junho. Mas torcemos para que a temporada se estenda ainda mais e que o Brasil todo possa assistir a esta tão sensível e bela adaptação









Livia Garcia-Roza conversa com o público no projeto Sempre um papo, em São Paulo

Convidada por Affonso Borges, Livia Garcia-Roza lança o seu mais recente livro, Era Outra Vez, publicado pela Companhia das Letras, e conversa com o público, no projeto Sempre um papo, dia 21 maio, quinta-feira, às 20h, no Sesc Vila Mariana. Mais informações: (11) 5080-3000 e no site do projeto: www.sempreumpapo.com.br . A entrada é gratuita. 









Leticia Wierzchowski lança romance Os aparados

Leticia Wierzchowski acaba de lançar o romance Os aparados, pela Record. Em sua nova história, com a sensibilidade de sempre, Leticia mostra um mundo mais caótico do que nunca. “Os Aparados é um livro bem diferente para mim. Resolvi ficcionar olhando essa perspectiva triste de futuro que o aquecimento global indica. Enfim, não sou cientista nem nada, mas leio muito sobre o assunto, que muito me preocupa (a gente vê as crianças de hoje e pensa no que estamos deixando pra elas). Mas o livro surgiu de um convite: Flávia Moraes, uma diretora gaúcha radicada em Sampa, ficou me pedindo um roteiro pra um primeiro longa autoral. Ela queria falar sobre os problemas que enfrentamos, sobre a vida, a perspectiva de futuro... enfim, como sou melhor de livros, saiu a história em forma de romance. Agora vamos ver se vai mesmo pro cinema", diz Leticia. E nós esperamos também, claro!









Marina Colasanti e seu Passageira em trânsito atravessam as páginas da revista Vogue

Passageira em trânsito é o livro novo de poesia adulto da Marina Colasanti, que está sendo lançado pela Record. "São em grande parte poemas de viagens – começa com um poema de avião, e acaba com um poema pequeno", conta Marina. "Trago para casa/um poema,/ a viagem/já valeu a pena", escreve ela no livro. "São poemas de uma estada em um castelo do Loire, de viagem ao Egito e a Israel, de viagem a Miami, à Coréia, à Argentina, à esquina, poemas de tantos aeroportos, de tantas idas e voltas que a vida tem me dado. E poemas de vida, de arte, e de amor", conclui a autora. A edição de abril da revista Vogue traz um maravilhoso texto do escritor Ignácio de Loyola Brandão falando da extraordinária carreira de Marina e mencionando também o Passageira em trânsito.









Janaína Michalski autografa Onde o sol não alcança no Salão da FNLIJ

 

Nossa autora Janaína Michalski lança o seu irresistível livro de estreia na literatura, Onde o sol não alcança, no 11º Salão do Livro para Crianças e Jovens, dia 13 de junho, num sábado, às 16h, pela Nova Fronteira. "Estou muito feliz. A edição ficou bem linda, esperando a hora de alcançar o mundo", diz Janaína. Organizado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), o Salão será realizado este ano no Centro Cultural Ação da Cidadania, na Avenida Barão de Tefé, 75, Bairro Saúde, no Rio de Janeiro. Mais informações: www.fnlij.org.br .









       
 
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