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Arquivo: Julho/2008
• No meio do caminho comemora 80 anos de vida
• E Olhai os lírios do campo comemora 70 anos
• Lygia Fagundes Telles e Livia Garcia-Roza disputam o Prêmio Portugal Telecom
• Claudia Tajes lança na Itália A vida sexual da mulher feia
• Vítor Ramil vai relançar novela pela Cosac
• Grandes autores respondem: quem é Capitu?
• Leia agora nossa entrevista com Rui Campos, da Livraria da Travessa

No meio do caminho comemora 80 anos de vida

Os 80 anos do poema No meio do caminho, de Carlos Drummond de Andrade, (publicado no livro ALGUMA POESIA) serão comemorados pela editora Record com um encontro de homenagem ao poema e ao autor, na praia de Copacabana, perto da estátua de Drummond, provavelmente no final de julho ou início de agosto. “É o que chamam de “flash mob”, mas eu não gostaria muito de entrar em detalhes porque este tipo de ação funciona muito bem, quando é uma surpresa”, diz Bruno Zolotar, gerente de marketing da Record. “Além disso, teremos um painel com este poema no nosso estande da Bienal, camisas e distribuição de postais para o público e um vídeo produzido exclusivamente para o poema, que será exibido no estande e colocado no Youtube”, antecipa Bruno. Outras belas novidades também estão no meio do caminho, para celebrar um dos clássicos mais importantes da poesia e da literatura brasileira. Vamos aguardar!

E Olhai os lírios do campo comemora 70 anos

Olhai os lírios do campo, de Erico Verissimo, também está fazendo o aniversário. O romance completa 70 anos de vida. Grande estudiosa de Erico Verissimo, a professora Elizabeth Rochadel Torresini foi movida por uma irresistível curiosidade sobre o sucesso do livro que tornou Erico Verissimo conhecido em todo o Brasil. Foi assim que ela resolveu escrever História de um sucesso literário, publicado pela Literalis.
"Inicialmente, o que mais me fascinou foi a possilibidade de compreender as razões do estrondoso sucesso desse romance, das quatro edições de 1938 (de junho a dezembro) e dos inúmeros depoimentos e artigos, veiculados no mesmo ano na imprensa local e nacional, elogiando o autor e a obra", conta Elizabeth Torresini.
Depois, Elizabeth lembra que entrevistou leitores de Erico Verissimo, conheceu melhor o cenário nacional e mundial do ano da publicação e se dedicou à pesquisa, organizando-a a partir de três eixos: o autor, a história das edições do romance e o conteúdo da obra. "Descobri que um livro de sucesso é um excelente objeto para a pesquisa histórica", constata Elizabeth.
"Mas o que mais me chama a atenção em Olhai os lírios do campo é o fascínio que esse romance exerce sobre os seus leitores. Acredito que a chave para o entendimento do sucesso de Olhai os lírios do campo está no modo simples com que Erico Verissimo aborda os valores do humanismo, da liberdade, da igualdade de oportunidades e os contrapõe ao individualismo, à arrogância, ao oportunismo, à ganância, através de Olívia, Eugênio, Dr. Seixas, personagens que vivem essa polaridade", conclui Elizabeth.
Elizabeth Torresini também observa que o romance, escrito em 1938, véspera da Segunda Guerra Mundial, ainda é lido. "Creio que é também reeditado com freqüência. Recentemente, no início do semestre, perguntei aos meus alunos do Curso de História da PUCRS sobre as suas leituras das últimas férias. Um deles, um rapaz bem jovem, leu Olhai os lírios do campo e fez comentários excelentes sobre a atualidade do livro. Pessoalmente, sou encantada com as cartas da Olívia. Transcrevo dois trechos, epígrafes do meu livro:
O mundo foi feito para todos tivessem nele um lugar decente. Não há nada que melhor ilustre a moral egoísta de certas criaturas do que a fábula da cigarra e da formiga. Parece que a cigarra leu o Sermão da Montanha e quis imitar os lírios do campo. Passou o verão a cantar, ao passo que as formigas trabalhavam e mais trabalhavam como os homens que vivem às cegas, só pensam em dinheiro, esquecidos de que são mortais e de que existe o sol, os campos, e as cigarras. O ideal seria um mundo em que cigarras e formigas vivessem em harmonia inteligente.
(...) e quando o amor ao dinheiro, ao sucesso nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausas para olhar os lírios do campo e as aves do céu. Cartas de Olívia para Eugênio.

Lygia Fagundes Telles e Livia Garcia-Roza disputam o Prêmio Portugal Telecom

Estamos aqui na maior torcida do mundo por Lygia Fagundes Telles e Livia Garcia-Roza, que estão na lista dos primeiros 51 selecionados para o prestigiadíssimo Prêmio Portugal Telecom. Lygia disputa o prêmio com o seu Conspiração de nuvens, publicado pela Rocco, e Livia concorre com o livro de contos A cara da mãe, lançado pela Companhia das Letras.

Claudia Tajes lança na Itália A vida sexual da mulher feia

A editora Cavallo di Ferro acaba de lançar na Itália A vida sexual da mulher feia, de Claudia Tajes. E La Vita sessuale della donna brutta já está repercurtindo muito bem entre os italianos. “Durante o lançamento, eu dei um monte de entrevistas para jornais e revistas italianos, como Republica e Marie Claire. E parece que a editora está apostando mesmo. Engraçado ver a Donna Brutta lançada em um lugar tão cheio de mulher bonita como a Itália, não é?”, indaga Claudia, bem-humorada. Mas a verdade é que os sentimentos que movem esta personagem da Claudia Tajes podem morar no coração de todas as donas, inclusive de belas mulheres que se acham e se vêem feias, porque não fazem parte de um padrão, porque alguém disse que elas eram feias, enfim, pelo motivo que for.

Vítor Ramil vai relançar novela pela Cosac

Recém-publicado pela Cosac Naify, o romance Satolep, de Vitor Ramil, já está na segunda reimpressão. Recentemente, o autor autografou o livro durante quatro horas, em Pelotas, e depois teve uma sessão de três horas e meia, em Porto Alegre. Outra notícia bem boa: a Cosac vai relançar Pequod, a primeira novela do Vitor.

Grandes autores respondem: quem é Capitu?

Com organização de Alberto Schprejer, acaba de ser lançado Quem é Capitu?, pela Nova Fronteira, uma reunião de textos de grandes autores que tentam responder a essa pergunta. Segundo Alberto, a idéia do livro gira em torno daquela associação livre que vai fechando: centenário da morte de Machado, Capitu, a maior personagem da nossa literatura pelo que ela guarda de segredo e mistério, Dom Casmurro, o livro muito debatido e pouco lido. Para Alberto Schprejer, este é então o melhor livro para ser feito, o que começa com uma pergunta impossível de ser respondida: Quem é Capitu?
“Por isso mesmo, a tentativa de aproximação a uma verdade impossível poderia render textos brilhantes. Claro que para isso eu necessitava buscar e convencer autores brilhantes. E eles foram sensacionais, entenderam a proposta e muitos a melhoraram, como o Luis Fernando Veríssimo e a Lya Luft, que mandaram textos ficcionais fantásticos. Como tudo aconteceu a partir de janeiro deste ano, acho que temos um resultado fabuloso!
Bem, acompanhando a entrega dos textos, o desejo de Alberto Schprejer tomou forma definitiva: colocar o Dom Casmurro na ordem do dia, por ser um livro modificado pela leitura dos leitores de cada tempo, um jogo interminável que nunca fecha, assim como Casmurro tenta atar as duas pontas da vida e não consegue. Ao final, o narrador Casmurro nos convida: Vamos à História dos Subúrbios. “É o que nos resta”, conclui Alberto. Corramos então para as livrarias!


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