Já está no ar a nossa entrevista com a diretora Cacá Mourthé, sobrinha e herdeira da dramaturga Maria Clara Machado, criadora do Tablado e nome mais aplaudido e respeitado, de todos os tempos, do teatro infantil brasileiro. Entre aqui e leia!
Já está nas livrarias o novo livro de Maria Valéria Rezende, Modo de apanhar pássaros à mão, lançado pela editora Objetiva. Com a poesia de sempre, e muita leveza para tocar no que há de mais profundo, Maria Valéria mostra todo o seu talento em 16 contos que nos apanham, que nos dão asa e não nos largam, mesmo depois que nós fechamos o livro. “Alguns desses contos são bem antigos, escrevi antes da publicação do meu livro Vasto Mundo, mas não tinham nada a ver com aquele mundo, não cabiam no conjunto e ficaram esperando companheiros... Muitos são quase brincadeiras, mas sempre na tentativa de explorar sentimentos, ver as coisas por outro lado. Acho que se existe um mote comum entre eles é a presença da ficção, da imaginação como elemento inseparável da vida cotidiana e como motivo das ações concretas, isto é, como algo muito real. Não faz sentido opor o imaginário ao real. Atualmente, só tenho produzido contos curtos, quase semanalmente, com o Clube do Conto, na Paraíba, e já enfiei a minha cabeça em outro romance, sobre o qual ainda não vou dizer nada, mas que é outro desafio. Por isso tem sido bom de escrever. Vamos ver se sai um livro também bom de ler”, diz a autora.
Maria Valéria Rezende estará na Festa Literária de Paraty e promete agitar a cidade com o Parathyba, um evento off flip que reunirá escritores paraibanos do Clube do Conto da Paraíba, para leituras e autógrafos. Não deixe de visitar o blog do Clube do Conto: http://www.clubedoconto.blogspot.com
Com curadoria das jornalistas Cristiane Costa e Valéria Lamego, o Laboratório do Escritor tem conquistado um público cada vez mais amplo no Centro Cultural Banco do Brasil. O evento consiste num talk show sobre o processo de criação de um livro. “Nós montamos as perguntas em quatro blocos: semente (Quando surge uma idéia? O que fazer com ela? por que uma vinga e outras não?), elaboração (A que horas trabalha? Como trabalha? o que faz quando surge um bloqueio?), edição (A editora interfere? O escritor se preocupa com capa, revisão, essas coisas?) e tá na rua (Relação com a crítica, vendagem, outros escritores). A gente tinha certeza que seria muito útil aos aspirantes a escritor, mas foi uma grata surpresa ver as salas ficarem lotadas (tivemos até que colocar um telão) de leitores comuns. E ver que também eles são intrigados pelo processo de criação de seu autor preferido. As conversas têm sido inspiradoras”, comemora Cristiane Costa. O Laboratório do Escritor já entrevistou Milton Hatoum e o Luiz Alfredo Garcia-Roza. Os próximos encontros são com Silviano Santiago (dia 03 de agosto), Luiz Vilela (19 de setembro), João Ubaldo Ribeiro (05 de outubro) e Lygia Bojunga (09 de novembro).
Leitora entusiasmada e tradutora na Itália dos livros de Carlos Herculano Lopes, a professora Mariagrazia Russo, da Universidade de Viterbo, escreveu para nós falando sobre o autor. Mariagrazia diz que, atualmente, o mercado editorial italiano despertou para a cultura lusófona. “Não que antes não tínhamos traduções: pelo contrário. O âmbito acadêmico foi sempre bastante ativo e interessado em apresentar aos italianos os autores de língua portuguesa. Mas o mercado era sempre bastante reduzido: só as grandes casas editoriais (Einaudi, Feltrinelli, Mondadori) podiam fazer essa aposta, só as pessoas de um certo nível de cultura podiam-se permitir de acrescentar à própria bagagem livros de uma literatura considerada por muitos como menor e periférica, como a portuguesa. Já há alguns anos - esgotadas as veias de curiosidade do mundo europeu - os intelectuais iam ao exótico a encontrar fontes de inspiração e de novidade. Foi a América do Sul de língua espanhola, durante bastante tempo, agora é a vez da África, dentro de pouco tempo explodirá o fenômeno asiático, que ainda não tem grande força. Sob este fluxo de novidade intelectual atualmente parece que também outras editoras menores estejam interessadas ao ‘caso’ lusófono: tem-se visto de fato (e a Feira do Livro de Turim que se fez no mês de junho é clara manifestação desta nova virada) um proliferar de traduções da língua portuguesa”, diz a professora.
Mariagrazia ressalta que, na Itália, do Brasil, já se conheciam grandes autores como Jorge Amado, Machado de Assis, Guimarães Rosa... “Mas eram todos nomes ligados ou ao mundo político ou a importantes assinaturas. Há, pelo contrário, uma realidade literária feita de uma “cotidianidade da escrita” (como por exemplo os jornalistas) que ainda não se tinha dado a conhecer muito à cultura italiana. Ao lado de grandes autores era necessário que o nosso país conhecesse também outros escritores, novas maneiras de escrever e de fazer literatura. Este tinha sempre sido um pouco o meu interesse, também porque, como lingüista, dei-me logo conta de como a verdadeira língua, a evolução da linguagem, o desenvolvimento do idioma passam principalmente através dos mass-media. Por esta razão, nas minhas aulas de Literatura portuguesa e brasileira na Universidade de Viterbo, ao lado de grandes autores - que os estudantes tinham de conhecer, porque sem eles a literatura brasileira não seria hoje o que é -, tinha sempre o cuidado de ler e de apresentar artigos de jornal”.
E no seu e-mail, ela complementa:
O nome de Carlos Herculano Lopes não me era totalmente desconhecido. Mas era evidente que na Itália praticamente ninguém o conhecia. Quando o editor da Cavallo di Ferro, Diogo Madredeus, fez-me a proposta de traduzir dele O Vestido fiquei contente: achei que o público italiano podia gostar daquele tipo de escrita simples e ao mesmo tempo muito original, e sobretudo psicologicamente profunda.
A verdade é que uma coisa é conhecer por alto um autor ou ter lido alguns trechos nos sites e outra é conhecer a escrita dele ou ler um livro e ter a atenção de o apresentar a um público italiano. O que é que se haverá de explicar? Qual porta deveríamos abrir ao leitor para que perceba a realidade cultural, política, social que está por trás?
E eu acho que três características da escrita de Herculano Lopes (a plasticidade da linguagem, a originalidade do conteúdo, a capacidade de apresentar os problemas humanos como valores universais) chamaram a atenção do editor, da tradutora, dos leitores em geral, na Itália.
A riqueza dele está, portanto, em ter sabido perceber e captar os sentimentos de alguém (alguém como ‘tipo humano’: por exemplo a mulher casada, a mulher enganada e vingativa, o homem cansado do dia a dia, o homem apaixonado, o homem ciumento...) e em ter manifestado a capacidade de descrevê-los com palavras despertadoras de imagens. O ritmo da escrita do Carlos Herculano Lopes respeita o nosso tempo: apressado, sem cansativas digressões, mas também alargado quando necessário ao respiro do romance. Isto faz talvez da história (em si simples) uma apaixonante leitura. Não é o conteúdo a dar paixão (além de ser uma história de paixão e de provocação), mas o ritmo dado pelo autor”, conclui Mariagrazia.
Lançado pela Orbeat/RBSTV/Som Livre, o CD Kleiton & Kledir ao vivo recebeu o Prêmio TIM de melhor Disco do ano, categoria Canção Popular. A festa de entrega do prêmio, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, também premiou Maria Bethânia, Roberto Carlos, Zeca Pagodinho, Barão Vermelho, Zezé di Camargo & Luciano, Lulu Santos e outros grandes nomes da música brasileira.
Em parceria com o escritor paraibano André Ricardo Aguiar, Rosa Amanda Strausz inaugurou o blog de textos curtos Fábula Portátil. Não deixe de visitá-lo: http://fabulaportatil.blogspot.com
Filho de Graciliano Ramos, Ricardo Ramos acaba de entregar à Cosac Naify a biografia Graciliano: retrato fragmentado. Para Augusto Massi, diretor editorial da Cosac, o livro vai conquistar muitos leitores. "Raríssimas vezes na história da literatura brasileira, nós tivemos a oportunidade de ler um depoimento tão comovente e tão afinado com a estética do autor abordado. Mais que o depoimento de um filho sobre seu pai, este livro é o depoimento de um escritor sobre outro escritor. Trata-se, no sentido mais pleno, de uma filiação literária", diz Augusto.
Fica aqui um beijo, com muito carinho, para o nosso querido autor Roberto DaMatta, que recentemente perdeu o seu filho, Rodrigo DaMatta, de 43 anos, por conta de um enfarte. A perda de um filho é a dor mais horrível e mais doída que se pode sentir. Por isso, mais do que nunca, estamos ao seu lado, Roberto.