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POR RESPEITO AOS AUTORES
Coordenador da Abramus, sociedade que defende os direitos autorais de grandes nomes da cultura brasileira, Guilherme Amaral comenta a sua parceria com a Agência Riff e fala sobre os desafios do seu trabalho

 


Guilherme Amaral

 

Márcio Vassallo

Guilherme, antes de tudo, você pode contar para a gente um pouco da sua história profissional?
Bem, fiz administração de empresas, mas, este ano, completo 21 anos trabalhando com direito autoral. Hoje digo que sei fazer apenas isso. Iniciei meus trabalhos nessa área em 1986, na Sociedade Brasileira de Autores Teatrais-SBAT, na época, a única sociedade existente no Brasil que trabalhava em defesa dos direitos autorais dramatúrgicos. Permaneci nesta Sociedade até o inicio de 2004, e no mesmo ano, fui convidado pela Abramus a ingressar em seu quadro de funcionários.  

Para quem ainda não conhece, o que é a Abramus?
A Abramus é uma sociedade que está comemorando 25 anos de trabalho na área de proteção ao direito autoral de execução pública de músicas, tendo como meta o desenvolvimento de suas atividades em diversos campos do direito autoral.

Como a associação evoluiu, ao longo de 25 anos?
Com a carência no mercado interno de uma sociedade que atuasse na área de dramaturgia e reclamações de sociedades estrangeiras, a Abramus resolveu ampliar seu campo de atuação neste segmento, com o convite feito a mim, para iniciarmos essa nova empreitada. Iniciamos nossos trabalhos em maio de 2004, apenas com um associado, Tim Rescala, que ja era membro da sociedade na categoria de Pequeno Direito(autor de musica). Logo em seguida, firmamos um contrato maravilhoso com uma das maiores sociedades do mundo, a SGAE-Sociedad General de Autores y Editores (Espanha). Daí vieram os outros, e hoje mantemos contratos de representação recíproca com a SACD (França), SIAE (Itália), SPA (Portugal), SSA (Suiça), AGADU(Uruguai), RGENTORES (Argentina). Também estamos fechando contratos com a Rússia e a Lativia. Por falar em autores, contamos em nosso quadro de associados na categoria de Grande Direito, nome que damos aos direitos dramatúrgicos, a nata da dramaturgia e da literatura. 

Que grandes autores vocês representam?
Representamos autores como Carlos Drummond de Andrade, Ariano Suassuna, Lya Luft, Cecília Meireles, Manuel Bandeira, Nelson Rodrigues, Maria Clara Machado, dentre outros, totalizando cerca de 120 autores brasileiros. Um dos fatores que nos ajudou muito foi a parceria que fechamos com a Agência Riff, que nos encaminhou todos os seus autores literários que têm obras encenadas. Essa aproximação se deu assim que iniciamos os trabalhos na ABRAMUS. Eu procurei a Lucia Riff, e como já a conhecia me coloquei à disposição para trabalhar com seus autores nas autorizações teatrais. Ainda bem que o convite foi aceito!

Quais são os seus principais desafios na associação?
O principal desafio da ABRAMUS é que se respeite o direito do autor em todas as categorias. Para isso, estamos ampliando a cada dia nossas atividades. Em 2006, incorporamos a AUTVIS-Associação Brasileira dos Direitos de Autores Visuais, e abrimos o departamento de Audiovisual, direito este que nunca foi pago no Brasil.

De que forma você acha que a Abramus poderia crescer ainda mais?
Acho que ela está no caminho certo, diversificando sua atuação e continuando com a qualidade de seus serviços.

Caminhos certos à parte, hoje em dia, você sente falta de alguma coisa na associação?
Não tenho nenhuma carência, muito pelo contrario, somos conscientes de onde estamos pisando. Temos que plantar primeiro para colher no futuro.

A Lucia Riff sempre comenta o quanto o trabalho da Abramus vem colaborando tão bem com a agência, cuidando de contratos de adaptações dos autores da casa. Para você, o que tem sido mais enriquecedor nessa parceria?
Particularmente falando, foi excelente. estou tendo muito mais contato com a literatura do que tinha antes. Hoje tento fazer um trabalho de agenciador das obras. Leio os livros e penso para quem posso encaminhá-los para uma futura encenação.

Quem e quantos são os outros clientes da Abramus?
A Abramus tem em seu quadro de associados, mais de 13.000 titulares de pequeno direito, além de gravadores, editores e interpretes.

A Abramus também trabalha com o mercado internacional?
Como respondi acima, sim trabalhamos através das sociedades que nos representam e diretamente com produtores interessados nas obras de nossos titulares.

Mais do que tudo, que cuidados os autores precisam ter quando autorizam a adaptação de seus textos para o teatro, o cinema, a televisão?
Conhecê-las, antes de tudo. Sempre que o direito for solicitado, temos de analisar se a adaptação esta à altura da obra original.

Nesse sentido, que pecados os autores, herdeiros, titulares de obras, em geral, mais costumam cometer?
Existem autores exigentes para liberarem suas obras, já outros não. De qualquer forma, estamos aqui para intermediar as negociações. Procuramos passar ao autor todas as informações que  vemos do grupo, para que ele tome a sua decisão.

Boas adaptações de livros podem estimular ainda mais as vendas de títulos bem-sucedidos. Por outro lado, um livro bem-sucedido entre os seus leitores não é sinônimo de sucesso no teatro ou no cinema, por exemplo, você concorda?
Com certeza, mas existe o grande filão do sucesso. Caso a obra seja bem adaptada e encenada da mesma maneira, acho difícil não dar certo.

O que mais te inquieta, o que mais te tira o sono, o que mais te perturba, o que mais te deixa feliz no teu trabalho?
O que mais me inquieta, são as demoras das respostas. Sou rápido no trabalho, não suporto pendências. O que me deixa muito feliz, são as resposta que tenho obtido com o meu trabalho e saber que uma produção esta fazendo um sucesso.

Para onde o teu trabalho mais te leva, Guilherme?
O meu trabalho me leva à satisfação.









       
 
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