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ENSINAMENTOS DO GRANDE MESTRE  
Um dos cirurgiões plásticos mais importantes, experientes, sensíveis e respeitados do mundo, Ivo Pitanguy lança o livro de memórias O Aprendiz do Tempo e revela
o que é mais emocionante na sua profissão

 
Doutor Ivo Pitanguy: O sucesso real é uma decorrência natural de um trabalho que é feito com amor, dedicação, persistência e qualidade”.


Márcio Vassallo

Como nasceu a idéia de escrever O aprendiz do tempo, publicado pela Nova Fronteira?
Ivo Pitanguy
- Eu já havia escrito um livro em que relatava fatos importantes de minha vida há mais de 20 anos, Aprendendo com a vida. Então, senti vontade de revisitar estas histórias e acrescentar outras que julgava importantes, significativas para mim.

Acima de tudo, o que você aprendeu com o tempo?
Pitanguy
- A valorizar cada minuto de minha vida, a vivê-los intensamente, extraindo o melhor que eu puder deles.

Técnicas, experiência, estudos e conhecimentos à parte, o que um cirurgião plástico tem que saber para ser cada vez mais bem-sucedido?
Pitanguy
- O conhecimento é sempre útil, importante. Há atualmente, em geral, uma tendência muito grande ao tecnicismo. Além de um amplo conhecimento da Medicina, o cirurgião, antes de tudo, é um médico e deve ter uma sólida cultura humanística, estabelecer uma profunda interação com o paciente.

Muita gente confunde ser bem-sucedido, ou seja, obter sucesso, com ser famoso, ter fama...
Pitanguy
- O sucesso real é uma decorrência natural de um trabalho que é feito com amor, dedicação, persistência e qualidade. A fama é efêmera.

Em que momentos você acha que teve mais sucesso, ao longo dos anos?
Pitanguy
- Nunca me preocupei em ter sucesso. Tive a sorte de escolher uma profissão que adoro, que me realiza e, por isso, me sinto bem-sucedido no que faço.

E a fama, te causa problemas?
Pitanguy
- Quando vou a congressos ou eventos em que há muita gente reunida é comum que me peçam para tirar fotografias, algumas pessoas se aproximam para me cumprimentar. Nunca me incomodei em atender aos pedidos de pessoas que se aproximam com fidalguia.

Muita gente acredita, com o acesso cada vez mais facilitado às cirurgias plásticas, que 'basta querer para ser feliz'. Quais são os riscos e os benefícios de se transferir a felicidade para uma transformação estética?
Pitanguy
- É um direito legítimo querer estar em harmonia, em paz com sua própria imagem. A motivação da busca pela cirurgia deve ser interna, jamais imposta pelos outros, pela moda ou pela mídia. Também é importante ressaltar que a cirurgia plástica, como qualquer outra cirurgia, envolve riscos. Deve ser realizada dentro de expectativas realistas, devendo-se conter os exageros em pacientes que tenham uma auto-imagem corporal muito distorcida e, ainda, deve-se observar a idade ideal e as limitações para cada caso. A cirurgia plástica não pode ser banalizada. Quando bem compreendida e efetuada, tem um resultado social importante.

Cirurgião plástico também é uma espécie de psicólogo? De que maneira?
Pitanguy
- Os que procuram o cirurgião plástico ou o analista estão realmente num plano muito paralelo. Porque toda a imagem, seja física ou psíquica, é estética. E minha preocupação principal é com o bem-estar do paciente com sua própria imagem. No entanto, só pode ser auxiliado quem tem uma visão real e aceita as limitações inerentes à cirurgia. Em minha clínica, temos um setor de apoio psicológico ao paciente para o pré e pós-operatórios. Este tipo de avaliação e apoio, feitos em conjunto pelo cirurgião e pelo psicoterapeuta, são fundamentais em todo o processo.

Em todo esse processo, para você, o que há de mais apaixonante, mais doído, mais perturbador e mais belo no seu ofício?
Pitanguy
- Ao contrário do pintor, do escultor, nós cirurgiões estamos limitados pela ortodoxia, pela anatomia da forma. Muitas vezes, nos sentimos frustrados em nossa criatividade, queremos fazer mais do que é possível, viável. Por outro lado, algo que me emociona até hoje é que, mesmo com estas limitações, uma cirurgia ou uma simples intervenção é capaz de devolver a um paciente a alegria de viver, deixá-lo em paz, em harmonia com sua imagem. Não há nada mais gratificante do que isso.

O que é a beleza para você?
Pitanguy
- É fácil reconhecer a beleza, porém, conceituá-la é tarefa impossível. O padrão de beleza muda de acordo com as épocas, as culturas, de acordo com as etnias. Além do mais, a beleza pode ser encontrada além da superfície da forma.









       
 
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