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PROVOCAÇÕES PARA PENSAR E AGIR
Autor do livro Aperta o play – na vida e nos negócios,Toni Lourenço reúne algumas das suas crônicas lidas em quadro de um minuto
na Rádio Bandeirantes



Toni Lourenço: "Você pode ser quem quiser, se for você mesmo o tempo todo."


Márcio Vassallo

Os textos do seu Aperta o play - na vida e nos negócios foram selecionados de um quadro seu num programa na Rádio Bandeirantes, certo? De que forma esses textos curtos (todos podem ser lidos em um minuto) começaram a transitar pela sua cabeça?
Toni Lourenço -
A idéia central foi utilizar o veículo rádio para passar as mensagens e, no caso da Band News, para um público seletivo, formador de opinião. Como tudo em rádio é muito rápido, o formato de um minuto já é consagrado. Tem minuto da Copa, minuto olímpico e agora o minuto aperta o play. Mas na verdade, se você contar mesmo, vai ver que passa um pouquinho de um minuto. Esses textos curtos começaram a fazer sentido, à medida que traduzem as observações do meu dia-a-dia pessoal e profissional. Outra boa explicação é que, como redator publicitário, escrever assim, mais curto, além de fácil é muito confortável.

E como nasceu a idéia do livro, publicado pela editora Landscape? O que você levou em conta nessa seleção?
Toni -
O livro nasceu do programa de rádio, como uma nova embalagem para o mesmo conteúdo. Cada texto que eu gravei virou um capítulo. Confesso que a seleção foi difícil porque eu gosto de todos, é que nem filho. Mas, separa daqui, junta dali, pega aquele outro, esse não pode ficar de fora, aquele recebeu muito e-mail dos ouvintes e por aí foi a escolha, no critério de uma sensibilidade de ocasião.   

Na introdução, você escreve: "Aperta o play é um ‘sacode' na mesmice que congela e retarda as atitudes que a rotina e a descrença nos impedem de tomar". Que tipo de mesmice realmente te incomoda?
Toni -
Nesse mesmo texto eu falo também que a rotina é xerox, a rotina é cinza, por isso repetitiva, monótona. Incomoda a mesmice de quem faz sempre do mesmo jeito, é o feijão que só conhece o arroz. Incomoda a passividade quando se tem oportunidade o tempo todo para fazer diferente. Incomoda a posição de vítima que não rende nada e não leva a lugar nenhum. Incomoda o sujeito que acredita no crachá e esquece de si próprio. Incomoda a situação incômoda e não resolvida.       

Também incomodado, na introdução do livro, você recomenda para o leitor: "Não se afaste de quem você é e confie sempre, pois, se é possível pensar, é possível fazer. Se você pode andar, pode dançar; se você pode falar, pode cantar; Então, faça, cante, dance e pratique felicidade até passar dos limites, porque isso é permitido". Para você, o que nos leva a limitar a nossa felicidade?
Toni -
Antes de mais nada é bom esclarecer logo que a responsabilidade por tudo que acontece é toda nossa. Em outras palavras: você quer ser feliz, mas você não deixa. Os exemplos estão aí para todo mundo ver, menos você. Você trabalha naquilo que detesta, você deixa que o dinheiro administre as suas relações afetivas, você repete as fórmulas e não arrisca nada, você está sempre se defendendo do que os outros pensam, você diz que se conhece, mas só encontra com você na hora de escovar os dentes... Você anda, mas não dança, fala, mas não canta e o que é pior: até pensa, mas não faz. Felicidade é um desses conceitos que só vale para agora. Antes ou depois já pode ser tarde ou cedo.   

Em que momentos você se flagra assim, confinando a sua própria alegria, como você mesmo diz, limitando a sua felicidade? O que você costuma fazer para destravar esse sentimento?
Toni -
Eu tenho três armas poderosas e de um calibre bastante forte. Eu penso, eu escrevo, eu falo. É com isso que eu enfrento todos os meus compromissos e desafios, todas as minhas guerras e corridas de 100 metros com barreiras. O que eu tenho que arrumar melhor em mim são alguns aspectos referentes à ordem e intensidade com que eu lido com essas armas. Em algumas ocasiões eu penso muito e não falo nada, noutras falo demais e não penso. Mas uma coisa eu aprendi: a prestar atenção nas perguntas porque é lá que as respostas estão. De resto, faço questão de vibrar sempre porque deve ser muito triste não ser alegre.        

Mais uma sugestão sua para o leitor: "Procure o inédito a cada minuto e faça perguntas, porque é lá que estão as respostas". Ao mesmo tempo, nem tudo o que é inédito é necessariamente bom para todo mundo sempre, você concorda?
Toni -
Quando eu falo do inédito eu me refiro à capacidade que as pessoas têm de se superar e ultrapassar limites. O novo todo mundo já tem, todo mundo conhece. Quando a propaganda lança um produto ela bota lá “novo”. E hoje, tudo é novo, tudo é incrível, fantástico, extraordinário. O novo já virou banal. Por isso quando falo para procurar o inédito, o que eu estou dizendo é que o importante é a superação, o diferente de tudo. Aliás, é como eu falo num outro texto que também foi ao ar na rádio: “Quer ficar famoso, não esqueça, invente alguma coisa que emagreça”. E pode acreditar, as pessoas têm muita coisa inédita dentro de si, só que não sabem, só que têm medo, só que não têm chance de botar para fora. Só que... só que... é um monte de “só que” e aí, por acomodação ou falta de estímulo, elas ficam mesmo é no terreno do novo quando poderiam ocupar o espaço do inédito.

Que coisas inéditas te deixam bem feliz?
Toni -
Pensar, escrever e falar são coisas que me deixam muito feliz e isso acontece todos os dias, Eu tenho o privilégio de poder exercitar todas essas coisas diariamente como profissional de criação, como publicitário que planeja estratégias e como palestrante motivacional em empresas de todos os setores! Outra coisa que, ultimamente, tem me deixado bastante emocionado é no final das palestras quando as pessoas chegam perto e dizem: “Muito obrigado, você mudou a minha vida”.  

Numa outra crônica do livro, você assegura que a felicidade não é um caminho, mas uma direção. Que direção é essa que todo mundo busca, mas quase ninguém acha, ou acha e perde?
Toni -
As pessoas sonham a vida inteira com a felicidade e fazem tudo, até as coisas mais inconfessáveis, para conseguir. Elas acreditam que a felicidade é uma promoção que pode ser adquirida com facilidade, logo ali no balcão dos desejos. Mas não basta só querer ser feliz, é preciso fazer por onde. A felicidade é uma dessas coisas perfeitas no conceito, mas que precisam de prática para funcionar. E um dos segredos é o seguinte: as pessoas podem ser diferentes, mas os sonhos têm de ser iguais. E quando os sonhos são iguais, eles caminham na mesma direção. O lugar onde isso vai dar não está na geografia, mas na filosofia. A gente não é feliz quando chega, mas quando parte. Não é a chegada, é o caminho.     

Você de novo: "Quem tem poder não precisa de força. Quem usa a força é porque não tem poder". Para você, acima de tudo, que espécie de poder é mais forte, que espécie de força é mais frágil?
Toni -
Ditadores, por exemplo, são de uma fragilidade absurda. São muito medrosos, se escondem atrás de tanques e tropas. Missionários, por exemplo, são de uma fortaleza invencível. São muito corajosos, se expõem à frente de compromissos e desafios. Quem precisa berrar é porque não tem poder nenhum. Quem tem o poder de convencer não precisa forçar ninguém a fazer nada. Hitler e Pinochet usaram a força porque não tinham poder. Mahatma Ghandi e Madre Teresa de Calcutá que tinham poder não precisaram da força. O tempo inteiro a gente está exposto a essas duas energias igualmente poderosas e a opção é sempre nossa. Resta saber se a gente prefere o soco ou o afago.

Muitas pessoas que usam a força, no fundo, sentem muito medo, você concorda? Num dos textos do livro, você diz que o medo é o pensamento que perdeu a identidade. Acima de tudo, o que você acha que constrói a identidade do nosso pensamento?
Toni -
Uma coisa é pensar, outra é fazer. Muitas vezes ficamos decepcionados ao constatar que aquilo que a gente fez não era exatamente o que a gente pensou. Quando eu digo que “o medo é o pensamento que perdeu a identidade”, estou dizendo que o medo não é uma proposta, o medo é uma reação. E eu não vejo identidade em reação. Medo é saída dos fundos, aliás, para ser sincero, medo não é nem saída, medo é beco e aí, sim, sem saída. A construção do pensamento é fundamentada em atitude, coragem, possibilidade, identidade com traços de liberdade e tudo isso é a antítese do medo.

Por outro lado, o que mais costuma destruir a nossa identidade?
Toni -
O crachá que confere autoridade e esconde quem é, o subterfúgio que se vale da versão para isolar a verdade, a mentira com seus véus que não (en) cobrem nada, as testemunhas de aluguel que juram por interesse, o amor pago com moedas de um lado só, a mágoa alimentada pelo silêncio que grita mas não fala e, já que estamos falando de identidade, querer ser quem você não é.

Um dos melhores textos do seu livro, pelo menos para mim, se chama O que você vai ser quando crescer. Mais um pensamento seu: "Você pode ser quem quiser, se for você mesmo o tempo todo". Ser quem você quiser, sem perder a identidade, é uma arte que se aprende, um dom que se aprimora, ou uma vocação que se basta?
Toni -
A vida da gente é uma história que tem roteiro, cenário e personagens. Para facilitar, a gente pode formatar em capítulos, criar núcleos de relacionamento e programar a sua exibição. Uma vida que pode andar para a frente e para trás, de acordo com as nossas lembranças e projeções em cenas que caberiam muito bem em episódios do tipo “em algum lugar do passado”ou “de volta para o futuro”. Nós estamos no roteiro, ocupamos o cenário e – agora uma parte sensacional – podemos representar vários personagens, um de cada vez ou mais de um ao mesmo tempo. É a tal coisa, você pode ser quem quiser, se for você mesmo o tempo todo. Estão aí os atores que não nos deixam mentir. Acontece que, na vida real, o importante é manter sempre a sua identidade, independente do papel que, porventura, naquele momento, você estiver desempenhando. Conseguir isso é uma arte (que se aprende), um dom (que se aprimora) e uma vocação (que se basta por si só).









       
 
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