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LITERATURA DE OUVIDO
O compositor Kledir Ramil diz que escreve o que escuta
e estréia na literatura com um livro de crônicas genial,
mais delicioso que doce de abóbora


Kledir Ramil: "Minha referência sempre foi a sonoridade das palavras.”

Márcio Vassallo

Como é que o seu livro, TIPO ASSIM, começou a soar dentro de você?
Kledir Ramil -
Eu ouço vozes. Não sofro de delírios mentais, mas tenho um ouvido interno que reproduz diálogos guardados na memória. São lembranças de histórias e conversas. Aí comecei a colocar tudo isso no papel e pronto. Alguns jornais e revistas começaram a publicar meus textos e as pessoas começaram a me perguntar pelo livro. Como eu não entendo nada sobre os bastidores do mercado editorial, resolvi conversar com minha amiga Mary Ventura, mulher do Zuenir, e ela me apresentou a Lucia Riff. Encontrar a Lucia foi uma maravilha. Além de ser uma pessoa super agradável, ela me acolheu na agência antes mesmo que eu tivesse algum livro publicado. Eu me senti como aquele garoto novo que é escalado para a seleção brasileira. Digo que a Lucia é minha fada madrinha. Ela deu um toque mágico para que tudo isso pudesse acontecer. Na seqüência, encontramos o Pedro Haase, editor da RBS Publicações, do Rio Grande do Sul, que nos propôs o lançamento de um livro de crônicas. E em poucos meses o livro virou uma realidade. Aí, outro dia, encontrei a Mary e contei como tinha sido ótimo conhecer a Lucia. Agradeci a atenção e perguntei se ela não tem mais alguém para me apresentar. É que há vinte anos Mary fez o papel de cupido e me apresentou Ivone, com quem estou casado até hoje, com dois filhos e feliz da vida. A Mary só me arranja mulheres maravilhosas.

No livro, você conta que, a partir da adolescência, começou a fazer canções e essa foi sua grande escola. Segundo você, escrever letras de música popular é um exercício de extremo rigor literário. “É preciso respeitar métrica, prosódia e rima. Colocar texto em uma melodia significa escrever com um determinado número de sílabas, ajustar a acentuação tônica das palavras com a acentuação da linha melódica e utilizar a rima para criar ciclos sonoros que dão ao ouvinte uma sensação de repouso e familiaridade. Como se não bastasse tudo isso, ainda é preciso que a coisa toda faça algum sentido e tenha um mínimo de beleza.” Para você, o que dá mais belezura na música e na literatura?
Kledir -
Minha referência sempre foi a sonoridade das palavras. Eu leio escutando o som das frases dentro da cabeça. E como tenho uma formação popular, não acadêmica, para mim o que soa natural, funciona bem. É preciso que a melodia das palavras encadeadas umas nas outras seja agradável. Não gosto de canções com textos que nunca seriam falados no cotidiano. Em literatura, isso é um pouco diferente. Muitas vezes aprecio um texto bem escrito pelo ritmo, leveza e capacidade de envolvimento, mesmo que funcione só no papel. Mas é o tipo de coisa que eu não sei fazer.

Em TIPO ASSIM, você informa: “Sou há 18 anos mestre de obras das reformas de minha própria casa, que pretendo terminar até o final do próximo ano. Sou também encarregado do orçamento e da contabilidade doméstica, inclusive a fatura dos cartões de crédito e o controle da conta bancária de minha mulher (atividade responsável por meus cabelos brancos e problemas cardíacos). Desempenho o cargo de diretor da cooperativa de transporte de filhas adolescentes em saídas de festas e shows no Rio de Janeiro, o que me ocupa as madrugadas. Chefe da torcida do time de futebol do meu guri, tri-campeão na categoria pré-mirim da Copa Trivella. Gerente do tráfico de erva mate no território da Barra da Tijuca e arredores.” Acima de tudo, em que você se considera PhD?
Kledir -
Sabe, eu me considero um cara capaz de fazer várias coisas bem feitas. Em geral, gente assim nunca chega a ser genial, a fazer alguma coisa excepcionalmente bem. Mas eu poderia destacar uma atividade para a qual tenho um talento especial: dirigir automóveis. Acho que se eu tivesse tido oportunidade, teria sido um ótimo piloto de Fórmula 1. Mas agora, só na próxima encarnação.

O que você mais tem vontade de fazer na próxima encarnação?
Kledir -
Não sei, ainda estou cheio de planos para essa. Mas o que não der tempo de terminar, fica para próxima. Quero escrever para teatro, cinema e televisão. Gosto da palavra falada. Quero também praticar mais a palavra escrita e talvez me aventurar em algum vôo maior... Quero aprender a tocar piano direito. Ainda tenho muita coisa a fazer em música, principalmente agora que já aprendi todos os códigos da profissão. Tenho ferramentas para produzir muita coisa interessante no showbizz e talvez uma vida seja realmente pouco para tudo. Também gostaria de ser professor e marceneiro. E tenho procurado me comportar direitinho nessa vida para não ficar de castigo na próxima encarnação.

Você disse que tem ferramentas para produzir muita coisa interessante no showbizz. Que comparação você faria do mercado de hoje com o da década de 80, época em a dupla Kleitor e Kledir estourou?
Kledir -
Os valores são outros. Hoje em dia, o departamento de marketing das gravadoras é mais importante do que o artístico, isso já diz tudo. Pouco se fala de música dentro das companhias. Mais parece um time de futebol. O assunto é sempre a respeito da “próxima jogada”.

E a dupla, por onde anda, por onde toca?
Kledir -
A dupla acabou em 87. Estávamos juntos a vida inteira e havia um certo cansaço, uma vontade de fazer outras coisas. Dois irmãos não ficam grudados tanto tempo. Em geral depois que crescem, vai um para cada lado e só se encontram nas festas de aniversário. Estivemos muitos anos separados até que bateu a saudade. Foi muito bom, pois voltamos conscientes de que juntos produzimos muito mais e melhor. O público sempre soube disso, nós tivemos que passar pela experiência para aprender. Quando voltamos, gravamos um disco chamado Dois, para celebramos o prazer de criar em parceria. O texto que escrevi para acompanhar esse CD foi agora incluído no meu livro.

Vocês têm feito muitos shows pelo Brasil?
Kledir -
Sim, desde que voltamos temos gravado discos e viajado muito fazendo shows pelo Brasil, EUA e Europa. Há pouco tempo, fizemos na Ópera de Arame, em Curitiba, uma apresentação com a participação de 20 corais, num total de 500 vozes. Foi uma noite inesquecível e a culminação dos shows que temos feito por todo país, sempre com a presença de corais em cada cidade que se chega. Também temos feito alguns espetáculos com orquestra. Isso nos dá um grande prazer.
E agora a gravadora Universal acaba de colocar no mercado sete CDs contendo a obra da primeira fase da dupla. Atualmente, estamos terminando de formatar o projeto Letra & Música, um workshop sobre criação de música popular (com livro e CDRom), que deverá ser apresentado nas universidades por todo o Brasil.
Também estamos preparando a gravação de nosso novo trabalho Kleiton & Kledir Acústico - ao Vivo, que será lançado em CD, DVD e programa de televisão, no início de 2004.

Do palco para o livro, outras informações fundamentais do seu currículo: “Chegou a tri-campeão brasileiro (como torcedor do Sport Club Internacional), mas isso faz muito tempo. Aquário com ascendente Câncer. Sangue B positivo com altos índices de testosterona. É um escritor de enorme talento, mas atualmente abandonou a literatura para se dedicar à culinária. Só escreve abobrinhas.” Em outro texto, você diz que está à beira de pedir divórcio, porque sua mulher até hoje não acertou o ponto do doce de abóbora. O que mais puxa você para as abóboras em geral?
Kledir -
Tenho algumas obsessões recorrentes. Abóboras, ETs, orçamento doméstico, as palavras, processos judiciais, Greta Garbo... Mas isso não chega a me preocupar, pois “no andar da carroça as abóboras se acomodam”.

Mais um pensamento seu: “Hipócrates, o pai da medicina, disse que “o homem é o que ele come”. Partindo desse pressuposto, podemos afirmar que “uma família é o que ela come”. As características comuns e as semelhanças físicas são resultado do cardápio que se repete. As pessoas vão ficando com a cara dos alimentos que consomem.” Hoje em dia você tem cara de quê?
Kledir -
Talvez de abóbora. Sou vegetariano há quase 30 anos. Meus filhos nunca comeram carne e, seguindo esse raciocínio, devem estar com cara de abobrinhas. Em minha casa não entra carne, o que já gerou várias histórias engraçadas. Certa vez uma vizinha pediu se poderia mandar uma panela de feijoada para cozinhar, pois estava com um problema no fogão. Minha mulher disse pra ela não se preocupar. Chamou nosso caseiro e mandou entregar na casa da vizinha nosso fogão de seis bocas e um botijão de gás. Deu um certo trabalho, mas a panela cheia de carne não entrou lá em casa. Era uma feijoada completa com um porco inteiro lá dentro. Não ia passar no controle de qualidade. A vizinha até hoje conta para os amigos e ninguém acredita. Em outra ocasião, o Murilo Salles estava filmando em frente de casa e me pediu se poderia usar nossa garagem para servir o almoço para o pessoal do set. Infelizmente não foi possível atendê-lo, pois o cardápio do catering não era apropriado para as regras da casa. O pessoal teve que comer ao ar livre mesmo. Sempre que nos encontramos damos boas risadas dessa história.

Na mesma crônica, você diz: “A comida realmente deixa marcas para sempre, especialmente o que se come na infância. É uma grande ironia, talvez uma praga dos deuses da culinária: a gente cresce, conhece o mundo, janta nos melhores restaurantes, mas não consegue esquecer “aquele arroz da Dona Clotilde”. Certos sabores ficam gravados e condicionam nosso paladar pelo resto da vida.” Que comidas ficaram para sempre em você?
Kledir -
Dona Clotilde era uma empregada que fazia um arroz tão gostoso que a gente comia puro. A comida na nossa casa sempre foi muito simples, mas muito saborosa. Recentemente, reuni várias receitas da família, fiz uma edição limitada e dei de presente para todos no Natal. Tem coisas deliciosas como a Massa Verde da Vó Ramila, a Sopa Amarela da Dadá e, é claro, o doce de abóbora da Dalvinha, que mereceu até uma crônica especial.

Em TIPO ASSIM, você conta que é um profundo admirador de cinema e pipoca sem manteiga, é fã de Woody Allen, David Mamet e Jacques Tati, e revela que teve um intenso caso de amor com a atriz Greta Garbo, mas foi tão discreto que nem ela ficou sabendo. Que outros casos de amor você teve, tipo assim, intensos e discretos?
Kledir -
Não conto nem sob tortura.

Nem por um doce de abóbora ou pelo arroz da Dona Clotilde?
Kledir -
Bem, aí já é suborno, ninguém resiste.

Tudo bem, então depois fazemos esse acerto, sem câmeras escondidas. Vamos voltar para o seu livro. Você revela que é primo irmão da Cameron Diaz e que pretende ir a Los Angeles, para atualizar a sua árvore genealógica e aproximar os laços familiares. Se a Cameron topar dar um pulo em Porto Alegre e decidir torcer pelo Grêmio, você vai com ela ao Estádio Olímpico?
Kledir -
Uma atriz tão inteligente e talentosa com certeza seria torcedora do Internacional.

Além da Greta Garbo e da prima Cameron, quem são as outras divas da sua vida?
Kledir -
Minha madrinha, que se chamava Diva.

Em outra crônica do livro, você avalia a soltura do sexo nos barrancos gaúchos. “(...)Talvez pelo fato de eu ter sido criado no pampa, solto feito o vento Minuano, certas novidades, por assim dizer, não me causam estranheza. Considero as aventuras campeiras a vanguarda das relações sexuais do mundo moderno. “A importância do barranco na formação psicológica do gaúcho” é um ensaio que pretendo escrever um dia para registrar em detalhes as histórias que tenho ouvido falar sobre o barranqueamento de éguas. Claro, tudo isso do ponto de vista absolutamente teórico, já que minha formação não inclui nenhum tipo de experiência prática.” Na prática você não tem experiência, e como voyeur?
Kledir -
Isso é um assunto de foro íntimo. Meus advogados me instruíram para que eu só fale em juízo.

Você fala sobre a dificuldade que todo mundo tem de se expressar com bom gosto em qualquer língua. “A escolha certa das palavras é uma arte. Mas no Brasil, nosso problema começa cedo. Vamos para a escola aprender a ler e escrever e nos ensinam esquisitices como “prosopopéia”, “sinédoque”, “metonímia” e “onomatopéia”. Parece nome de tia velha.” Que outras esquisitices a escola ensina para a gente?
Kledir -
Que o Brasil foi descoberto, que as paralelas se encontram no infinito, que existem números negativos e que brincadeira tem hora.

Quando menino, o que você achava mais esquisito na escola?
Kledir -
Na verdade sempre gostei de escola. Meus pais e todas as minhas tias eram professores. Fui criado no ambiente escolar e minha vida na infância girava em torno disso.

A escola entrava na sua casa e a sua casa entrava na escola?
Kledir -
Sim, tudo era muito misturado, pois eu tinha duas tias que eram diretoras de escolas. Então as festas, as relações sociais eram muitas vezes nesse cenário. Ao mesmo tempo, meus pais sempre trouxeram para dentro de casa a preocupação de educar bem os filhos. E foi com esse espírito, que todos nós, os seis filhos, aprendemos a tocar algum instrumento. Para meus pais, estudar música fazia parte da nossa formação cultural.

Você diz que a escolha certa das palavras é uma arte. Qual o grande desafio dessa arte?
Kledir -
Contar histórias com precisão sem perder em beleza.

Na sua opinião, o que é que mais tira a beleza da nossa vida?
Kledir -
O egoísmo. É o pior dos defeitos.

De volta para uma das suas buscas. Será que a incerteza é importante para quem cata as palavras certas?
Kledir -
Se você quer a palavra exata, tem que garimpar, comparar sinônimos, estudar os significados. Eu adoro ler dicionários. Mas o processo não é simplesmente racional, é preciso deixar a coisa fluir, sair escrevendo sem censura. Nesse sentido não existe certeza de nada e muitas vezes a palavra certa é que encontra o escritor. Desde que ele esteja disponível.

Estar disponível para as palavras também é uma arte?
Kledir -
Talvez seja um estado de espírito, que envolva um sentimento determinado. É preciso gostar das palavras para que elas se sintam à vontade conosco.

E como é a sua disponibilidade para o silêncio?
Kledir -
Érico Veríssimo escrevia escutando música. Eu jamais conseguiria, não tenho essa capacidade. Preciso de silêncio para conseguir escrever sem perder a concentração. Dou muita importância a essa questão e costumo cultivar o silêncio com atenção. No zen budismo se diz que o “nada é a potência do tudo e o tudo é a potência do nada”. Na folha de papel em branco tudo pode ser desenhado. Numa folha já usada, não se pode fazer mais nada. Por isso a arte zen respeita tanto o espaço em branco, o silêncio na música. Pratico meditação há 33 anos. Aprendi a valorizar o pote vazio, mas também aprendi que é preciso ousar colocar alguma coisa ali dentro, afinal ele foi feito para isso.

Do silêncio para a poesia. No prefácio do livro, Moacyr Scliar se derrete: " (...) Seguinte: vocês já conheciam o Kledir Ramil grande compositor. Vocês conheciam o Kledir Ramil cantor, daquela fantástica dupla Kleiton & Kledir. Pois agora vocês vão conhecer o Kledir cronista. E vocês ficarão, como eu fiquei, de queixo caído. O homem é um tremendo cronista, uma verdadeira revelação neste gênero visceralmente brasileiro, que deu, em nosso país, uma gama de nomes famosos que vão de Rubem Braga a Luis Fernando Verissimo. Pois é a este time que o Kledir acaba de se incorporar. E o faz graças a um enorme talento e um não menor humor. É tanto talento que a gente até se sente na obrigação de reclamar: precisava ser tão talentoso assim, esse cara? Não podia se restringir à música, onde já é aquilo que classicamente costuma se denominar de “lenda viva”? Estamos diante de um claro caso de imperialismo do talento. O Kledir literário junta-se ao Kledir musical para mostrar quem, afinal, é o dono do campinho." Antes da nossa entrevista, você disse que chorou com esse texto do Scliar. Em que aspectos essas palavras foram mais emocionantes para você?
Kledir -
O que me emocionou foi a imensa generosidade do Moacyr Scliar. Não se faz uma coisa dessas com um sujeito, sem antes perguntar se ele tem problemas cardíacos.

De fato, sem pensar nos seus problemas cardíacos, Moacyr completa: (...) "Agora: vocês sabem qual é o pior de tudo? O pior de tudo é que o Kledir é modesto. Termina o seu currículo dizendo que “só escreve abobrinhas”. Abobrinhas, Kledir? Abobrinhas? Se estes textos são abobrinhas, então abobrinhas passam imediatamente à categoria de manjar dos deuses. Eu, particularmente, não tenho a menor dúvida: troco qualquer caviar literário metido a besta pelas abobrinhas do Kledir. Experimentem, e vocês nunca mais quererão outro prato." Que pratos mais te apetecem na literatura?
Kledir -
Sou um leitor sem critérios. Não tenho uma formação de leitura sólida nem tampouco lógica. Gosto de Quintana, Bandeira e Barão de Itararé. Machado de Assis, Nabokov, Dashiell Hammett, Jorge Luis Borges e James Joyce. Alice, de Lewis Carroll. As mil e uma noites. O Pantaleón, de Vargas Llosa. O Tenente Quetange, de Tyniánov. O Verissimo pai, o Verissimo filho, o João Simões Lopes Neto, o Caio Fernando Abreu, o Torero e, é claro, o Moacyr Scliar. Ah, e quando crescer quero ser o Vinícius de Moraes.

Na crônica Tchê End, você fala sobre as voarias do dia-a-dia. “Não consigo me adaptar ao ritmo frenético das coisas à minha volta. Tá tudo muito acelerado, sinal dos tempos. E não dá pra bobear. Tento manter os olhos bem abertos pra não cair, como a grande maioria, na Síndrome da Esteira Rolante: corre, corre e não sai do lugar.” Será que não sair do lugar é sempre ruim?
Kledir -
Depende. Se você estiver de férias, numa praia, em Isla Marguerita...

Isla Marguerita à parte, o que mais provoca na gente essa síndrome da esteira rolante?
Kledir -
Acho que é a falta de consciência. A maioria acompanha o ritmo acelerado do nosso tempo sem muita reflexão, como se o fato de estar em sintonia com determinadas tendências justificasse a própria existência. Woody Allen tem uma frase em que diz: “Nós somos as nossas escolhas”. Se você não sabe o que quer, vai ficar a vida inteira copiando os outros. Correndo, correndo, sem chegar a lugar nenhum. Quando meus filhos eram pequenos eu sempre dizia: o mais importante não é aprender a caminhar, mas saber em que direção se deve ir. Claro que era uma brincadeira, mas no fundo espero que alguma coisa tenha ficado no subconsciente deles.

Mais um trecho do seu livro: “Você já deve ter percebido pelas minhas histórias, pelo meu currículo e até mesmo pelo peso das minhas vidas passadas, que eu sou praticamente um Atlas, carrego o mundo nas costas. Se bem que, como dizia John Lennon, “metade do que eu digo não faz sentido”. Agora, qual a metade que vale, você vai ter que descobrir sozinho.” De que forma a vida faz mais sentido para você?
Kledir -
Sou um cara de princípios. Meditei sobre muita coisa, fiz as minhas escolhas e coloquei em prática. Se alguma coisa sair errado, assumo todas as responsabilidades. À medida em que tomei as rédeas da minha vida, ela começou a fazer sentido para mim.

Você de novo: “Minha mulher, aquela deusa que alegra o meu viver há 20 anos, é uma rainha quando chega em casa do trabalho. Eu tenho que estar disponível, pois ela precisa de atenção, massagem nos pés e gelatina com creme de leite. Como anda sempre muito cansada e atarefada, propus que certas funções do casamento fossem terceirizadas, mas ela não gostou da piada. Fechou a cara e não fala comigo há uma semana.” O que realmente aproxima as pessoas num casamento?
Kledir -
O amor é o que une as pessoas. O resto é tudo adereço.









       
 
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