sexta-feira 24 de novembro




Alberto Martins

Alberto Martins

Escritor e artista plástico, Alberto Martins nasceu em Santos, SP, 1958. Formou-se em Letras na USP em 1981, e nesse mesmo ano iniciou sua prática de gravura na ECA-USP. Como escritor publicou, entre outros, os livros Poemas (1990); Goeldi: história de horizonte (1995), que recebeu o Prêmio Jabuti; A floresta e o estrangeiro (2000); Cais (2002); A história dos ossos (2005), distinguido com o Prêmio Portugal Telecom de Literatura; A história de Biruta (2008); a peça Uma noite em cinco atos (2009) e Em trânsito (2010), menção honrosa no Prêmio Moacyr Scliar de Literatura. Em 2011 passou uma estadia no Bellagio Center, na Itália, para a conclusão do romance Lívia e o cemitério africano, que recebeu o prêmio APCA de melhor romance do ano de 2013.
 
Foto do autor: Renato Parada
 
 
Sobre Cais
 
A dimensão metalinguística da poesia de Alberto Martins é balizada pela memória histórica, lírica e literária, gerando uma topografia poétia resultante de uma forte visualidade e de múltiplos pontos de vista.
Fabiane Renata Borsato, Revista Texto Poético
 
 
Sobre Uma noite em cinco atos
 
Para interrogar o curso da modernidade em perspectiva lírica, bem como para aferir o sentido do poético no tempo atual, Alberto Martins faz caminhar três poetas queridos seus, numa cidade afetivamente sua, enfrentando questões que não são apenas suas. 
Alcides Villaça
 
 
Sobre História dos ossos
 
O relato autobiográfico curto, tendência da melhor prosa brasileira, conhece aqui sua expressão mais cortante e radical.
Marcelo Coelho, Folha de S. Paulo
 
 
Sobre Em trânsito
 
Este livro - notável - de Alberto Martins é tudo aquilo que, em sua despretensão, não pretende ser: um verdadeiro manifesto sobre a capacidade única, original, que a poesia tem de lidar com a realidade; capacidade que ressurge, sempre renovada, através dos tempos e lugares.
(...) O tom dos poemas pode ser escuro, por vezes cavernoso. A cidade pode ser aquilo mesmo; o poeta, aquele que a sofre e que repete por dentro, num outro espelho, a paisagem de impasses. A poesia, contudo, é feita de paradoxos: de onde virá a alegria deste livro, o qual tem, apesar da matéria tratada, o frescor de certos crepúsculos; e da alvorada?
Francisco Alvim
 
(...) a escrita de Alberto é, sem dúvida, uma escrita inquieta, que salta em várias direções (vacila entre a poesia e a prosa, sem se decidir a respeito da direção 'certa'). Uma escrita difícil de classificar, que está sempre em intenso deslocamento, ruptura e transformação. Sempre em trânsito.
José Castello
 
A poesia singela e aparentemente descompromissada do autor instaura um olhar delicado em um território hostil, que é a cidade. (...) Alberto Martins aparece para responder à pergunta da vida prática: a poesia se presta a ver um mundo, nas palavras do poeta, engarrafado.
Fabio Silvestre Cardoso, Rascunho
 
...trata-se de um livro notável na figuração dos impasses inerentes à lógica circulatória que hoje se impõe nos grandes centros urbanos, principalmente pela exploração dos nexos entre fluidez espacial e liberdade criadora na confluência entre memória, trabalho, em um horizonte em que ainda se aspira à potência pública da arte e dos transportes.
Fabio Weintraub, Revista Sopro
 

Sobre Livia e o cemitério africano
 
Como narrar, afinal, em um mundo em um mundo quebrado, em que tudo não passa “de uma névoa, de uma suspeita”? A resposta parece estar na própria estrutura deste relato, em sua precisão desconcertante, em sua capacidade quase infinita de sugestão – que reafirmam, contra todos os prognósticos, o poder regenerador da literatura.
Chico Mattoso
 
Cada frase em sua prosa aparentemente simples, isenta de artifícios, contém um veio poético subliminar e intensidade de reflexão.
Daniel Benevides, Revista Brasileiros
 
No desenvolver da história, surgem as gravuras de Martins. Em Lívia e o Cemitério Africano, texto e imagens formam um mapa ficcional e visual de estranha coerência. Se a prosa seca pode lembrar o gesto da goiva, os sulcos das gravuras têm algo das vias tortuosas dos personagens. Um belo livro.
Edgard Murano, Revista Língua Portuguesa
 
 
 
OBRAS
 
Poesia
Poemas, com gravuras do autor (64 páginas) - 1990, Duas cidades
Cais, com gravuras do autor (128 páginas) - 2002, Editora 34
Em trânsito (112 páginas) - 2010, Companhia das Letras
2002 - Cais, com gravuras do autor2010 - Em trânsito
 
 
Poesia para crianças
Goeldi: história de horizonte, com gravuras de Oswaldo Goeldi e recortes de Luise Weiss (32 páginas) - 1995, Paulinas
A floresta e o estrangeiro, com desenhos e guaches de Lasar Segall (48 páginas) - 2000, Companhia das Letrinhas
A história de Biruta, com aquarelas de Jean-Baptiste Debret (48 páginas) - 2008, Companhia das Letrinhas
2000 - A floresta e o estrangeiro2008 - A história de Biruta
 
 
Teatro
Uma noite em cinco atos, com gravuras de Evandro Carlos Jardim (112 páginas) - 2009, Editora 34
2009 - Uma noite em cinco atos
 
 
Contos para crianças
Café-com-leite e feijão-com-arroz: e outras histórias de futebol, com ilustrações de Andrés Sandoval (104 páginas) - 2004, Companhia das Letrinhas
2004 - Café-com-leite e feijão-com-arroz: e outras histórias de futebol


Romances
A história dos ossos (72 páginas) - 2005, Editora 34
Lívia e o cemitério africano, com gravuras do autor (160 páginas) - 2013, Editora 34
2005 - A história dos ossos2013 - Lívia e o cemitério africano


Não ficção
Por trás daquela foto, ensaio 'Alcatrazes' (184 páginas) - 2011, Companhia das Letras
Roteiros visuais no Brasil, volume 1: Artes indígenas, com Gloria Kok (88 páginas, mais de 60 imagens) - 2014, Claro enigma
Roteiros visuais no Brasil, volume 2: Nos caminhos do barroco, com Gloria Kok (104 páginas, mais de 80 imagens) - 2015, Claro enigma
2014 - Roteiros visuais no Brasil, volume 1: Artes Indígenas2015 - Roteiros visuais no Brasil, volume 2: Nos caminhos do Barroco


Prêmios
2014 - Prêmio APCA de melhor romance do ano, por Lívia e o cemitério africano.
2014 - Finalista do Prêmio SP de literatura 2014 com Livia e o cemitério africano.
2010 - Menção honrosa no Prêmio Moacyr Scliar de Literatura com Em trânsito.
2006 - Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira (2º lugar), para História dos ossos.
1996 - Prêmio Jabuti por Goeldi: história de horizonte.
 

Obras em Destaque

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    Lívia e o cemitério africano, com gravuras do autor

    Editora 34 - 2013 - 160 págs.

    Oito anos após sua estreia na ficção com A história dos ossos (Editora 34, 2005), Alberto Martins dá sequência a sua exploração do universo narrativo com o romance Lívia e o cemitério africano. Aqui, o narrador do livro precedente - agora um arquiteto formado, em crise com seu trabalho - se vê às voltas com o estranho adolescente que é seu sobrinho, a mãe que se encontra nos primeiros estágios de uma doença senil e a inquietante figura de Lívia, a namorada de seu falecido irmão, que, em meio a misteriosas viagens e um obscuro interesse por arqueologia, tanto ilumina como desorienta a trajetória do protagonista.
     
    Fruto de uma prosa enxuta que lembra em muitos momentos a concisão de um poema, o livro se constrói por meio de capítulos curtos que ora se completam, ora se contrapõem bruscamente, criando, na passagem e no confronto entre eles, novas possibilidades de leitura. Função similar têm as dezesseis páginas de xilogravuras, inseridas pelo autor em momentos cruciais da narrativa. Nada disso, entretanto, obstrui a fluência do relato nem o interesse pelo destino de seus personagens. Cientes de que o vaivém das histórias, assim como nossas verdades mais entranhadas, não se deixa apreender por um movimento linear, estes se entregam saborosamente a passeios por desvios e estradinhas vicinais.
     
    Nesse sentido, vale observar a atenção incomum dada à geografia nesse romance breve que, tendo como epicentro a cidade de São Paulo, articula a capital, as cidades à sua volta, a Baixada Santista, o litoral italiano, zonas da América do Sul e remotas localidades europeias. Relato tenso e cristalino, Lívia e o cemitério africano traça imprevistas correspondências no espaço e no tempo para construir, como escreve Chico Mattoso no texto de orelha, um livro fascinante e original, dotado de uma "capacidade quase infinita de sugestão".

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    Em trânsito

    Companhia das Letras - 2010 - 112 págs.

    Os poemas de Em trânsito têm uma delicada linha narrativa, uma nítida espinha dorsal, visível quando o leitor acompanha o olhar do poeta em seu trajeto cotidiano para o trabalho e de volta para casa, e em seus pequenos trajetos aleatórios: o que obtém é a percepção contundente da passagem do tempo, dos frágeis componentes da vida, da experiência humana.
     
    No caminho entre a casa e o trabalho o poeta recolhe cenas corriqueiras, como a draga escavando o leito do rio, os passageiros esperando o trem: são poemas que transmitem a consciência constante de estar no mundo em companhia - e de partilhar a experiência dessa travessia com a multidão de desconhecidos, uma multidão que de repente entra em foco: “um homem de casaco/ atravessa a rua/com seu cão [...] o que permanece dele em mim/ que atravesso a rua/ Para comprar pão?”.
     
    A beleza desses poemas toca especialmente o leitor urbano, que busca definir e reconhecer seu trajeto no mundo apesar da infinidade de referências que o cerca e comprime. A melancolia, contudo, não é a chave desse livro extraordinário. Porque, como afirma Francisco Alvim na orelha do livro, "A poesia é feita de paradoxos: de onde virá a alegria deste livro, o qual tem, apesar da matéria tratada, o frescor de certos crepúsculos; e da alvorada?".

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    A história de Biruta, com aquarelas de Jean-Baptiste Debret

    Companhia das Letrinhas - 2008 - 48 págs.

    Alberto Martins, poeta e artista plástico, reuniu neste livro imagens de 25 aquarelas de um grande pintor: Jean-Baptiste Debret, que desembarcou no Rio de Janeiro em 26 de março de 1816, junto de outros artistas franceses. Debret tinha 47 anos e pretendia trabalhar para a corte portuguesa, no momento exilada no Brasil. Mas a vida na colônia era diferente de tudo que o pintor já havia conhecido - mais da metade dos habitantes vinha da África -, o que com certeza lhe inspirou a curiosidade. Debret foi um dos maiores retratistas de cenas, figuras e paisagens do período. Mais de um século depois, em 1939, o colecionador carioca Raymundo Ottoni Castro Maya comprou da sobrinha-neta do pintor os desenhos e aquarelas originais que Debret havia executado no Brasil - entre os quais se encontram as imagens reproduzidas neste livro. 
    Partindo da observação da presença constante de cachorros nas pinturas de Debret, Alberto Martins criou um personagem da família dos Canis, Biruta, que passeia pelo Rio de Janeiro das imagens de Debret e observa atentamente tudo que se passa à sua volta. Além da conversa com as imagens, o autor brinca com as palavras, criando poemas sobre as elucubrações de Biruta. Em um apêndice, o autor conhece um pouco mais da história do artista e de seu tempo. Para aqueles que conhecem A floresta e o estrangeiro (livro de poemas a partir de aquarelas e guaches de Lasar Segall), A história de Biruta é mais um convite à educação do olhar.


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