terça-feira 17 de outubro




Zuenir Ventura

Zuenir Ventura
 
Zuenir Ventura nasceu em Além Paraíba (MG), em 1931. Aos 11 anos, mudou-se com a família para Nova Friburgo (RJ) e começou a trabalhar com o pai, como pintor. Depois foi contínuo de banco, faxineiro e balconista. Em 1954, na cidade do Rio de Janeiro, cursou faculdade de letras e logo começou sua extraordinária carreira de jornalista. Zuenir foi repórter, editor e chefe de redação de veículos como as revistas Visão e Veja, o Jornal do Brasil e o site No mínimo. Ele foi também, por 40 anos, professor universitário. A estreia como escritor foi em 1988, com 1968 – o ano que não terminou, livro que logo se tornou referência sobre a época e bestseller. Zuenir é autor de outros livros-reportagem, de  crônicas e de um título que mistura ficção e realidade: Inveja - mal secreto, em que disseca os paradoxos desse sentimento inconfessável. Há muitos anos, Zuenir Ventura é colunista do jornal O Globo.
 
Em 1968, Zuenir apresenta um retrato dos fatos que fizeram desse ano um divisor de águas na história. No Brasil, foi um período de sonhos, em que ganharam força os protestos estudantis contra a ditadura. Foi o ano da “passeata dos 100 mil” e dos festivais da canção, em que Geraldo Vandré cantou Pra não dizer que não falei de flores e Caetano Veloso É proibido proibir. Ano que terminou tragicamente, com o decreto do Ato institucional no 5, que acabou com a liberdade e inaugurou os anos de chumbo. “Além de ser uma peça de excelente jornalismo, de texto brilhante, o livro presta relevante serviço à revitalização da consciência democrática”, disse o filósofo Leandro Konder. Em 2008, Zuenir lançou 1968 – o que fizemos de nós, um estudo da “geração ecstasy” e um balanço do que 1968 tem a dizer para os jovens de hoje.
 
Depois de passar dez meses indo à favela de Vigário Geral, Zuenir transformou a experiência no livro Cidade partida, de 1994, que retrata as causas da violência no Rio. Mais tarde, lançou Chico Mendes: Crime e Castigo, que traz suas três reportagens premiadas sobre a vida e a morte do maior líder sindical e ambientalista da Amazônia. A primeira foi em 1989, um ano apos o assassinato de Chico Mendes; a segunda em 1990, época do julgamento dos criminosos, e a terceira no final de 2003, para checar as repercussões quinze anos depois.
 
Em 1998, lançou Inveja: mal secreto, em que trata desse sentimento insidioso, que ninguém admite cometer, mas todos juram conhecer. O tema faz o livro esbarrar em histórias de amor, medo e morte. O autor também narra o seu tratamento vitorioso contra um câncer e faz uma comparação admirável entre o tumor e a inveja. Já em Minhas histórias dos outros, Zuenir relata histórias que viveu e outras de grandes personagens que conheceu ao longo de quase cinqüenta anos de profissão. Nos livros de crônicas, “aprendemos com a sua acuidade de repórter e com a sua sensibilidade de homem engajado e solidário”, como disse Luis Fernando Verissimo. Abaixo, seguem listas de livros e prêmios do escritor e jornalista:
 
 
OBRAS
 
Romances
Inveja: mal secreto (264 págs.) – 1998, Objetiva
Inveja: mal secreto / edição de bolso (280 págs.) – 2009, Objetiva
Sagrada Família (232 págs.) - 2012, Alfaguara
1998 - Inveja: mal secreto2012 - Sagrada Família
 
 
Contos & Crônicas
Crônicas de um Fim de Século (222 págs.) – 1999, Objetiva
Melhores Crônicas - Zuenir Ventura (383 págs.) – 2003, Global
Crônicas para Ler na Escola (152 págs.) – 2012, Objetiva
1999 - Crônicas de um fim de século2003 - Melhores Crônicas2012 - Crônicas para Ler na Escola
 
 
Não Ficção: Biografia, Reportagem, Memória
Cidade Partida (277 págs.) – 1994, Companhia das Letras
70/80 – Cultura em trânsito: da repressão à abertura / com Heloisa Buarque de Hollanda (336 págs.) – 2000, Aeroplano
Chico Mendes: crime e castigo (241 págs.) – 2003, Companhia das Letras
Um Voluntário da Pátria / coleção Vozes do Golpe, com C.H. Cony, L.F. Verissimo e M. Scliar (336 págs.) – 2004, Companhia das Letras
Minhas Histórias dos outros (270 págs.) – 2005, (nova edição no prelo), Objetiva
1968: o que fizemos de nós (216 págs.) – 2008, 2013, Objetiva
1968: o ano que não terminou (310 págs.) – 1988, 2008, 2013, Objetiva
Conversa sobre o tempo / com Luis Fernando Verissimo e Arthur Dapieve (254 págs.) – 2010, Agir
2003 - Chico Mendes: crime e castigo2004 - Um voluntário da pátria2008 - 1968: o que fizemos de nós2008 - 1968: o ano que não terminou
 
 
Audio-Livro
Inveja: mal secreto (8 horas) – 2009, Plugme
 
 
Edições Estrangeiras
Itália: Inveja - Mal Secreto (Invidia - Mal Segreto) - 2006, Cavallo di Ferro
Portugal: Inveja - Mal Secreto - 2010, Planeta 
2006 - Inveja: mal secreto - Itália2010 - Inveja: mal secreto - Portugal
 
 
Prêmios
Prêmio Esso de Jornalismo, 1989, pela série de reportagens O Acre de Chico Mendes
Prêmio Wladimir Herzog, de direitos humanos, 1989, pela série de reportagens O Acre de Chico Mendes
Prêmio Jabuti de Reportagem, 1995, por Cidade partida

Obras em Destaque

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    SAGRADA FAMÍLIA

    Alfaguara - 2012 - .

     

    Em seu novo livro, Sagrada família, Zuenir Ventura entrelaça memória e ficção para compor uma narrativa lírica e cativante sobre os amores que resistem ao tempo e a perda da inocência. Com nostalgia e bom humor, o narrador faz uma viagem ao passado, à ficcional cidade de Florida, para recontar o que viveu em meio a uma numerosa família fluminense. 'Este é um livro fortemente inspirado em memórias, mas para não criar problemas familiares com parentes ainda vivos, inventei muita coisa, troquei nomes, romanceei episódios. O que eu queria mesmo era contar uma história que representasse a hipocrisia daquela época', conta Zuenir, sobre sua infância e adolescência vivida em universo 'tipicamente Rodrigueano'. Com tipos e cenas que, reconhece o autor, lembram de fato personagens das crônicas de Nelson Rodrigues, Zuenir recria, com grande sensibilidade, os anseios e as atribulações de uma família vivendo na região serrana do Rio de Janeiro, dos anos 1940 até um passado não muito distante.

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    Chico Mendes: Crime e Castigo

    Companhia das Letras - 2003 - 241 págs.

    “Eu já tinha mais de trinta anos de carreira quando cheguei a Rio Branco, no Acre, sem saber direito quem era aquele fascinante personagem. Só depois que ele morreu, aos 44 anos, é que o Brasil descobriu haver perdido o que custa tanto a produzir: um verdadeiro líder. À frete dos seringueiros que organizou, ele desenvolveu táticas pacíficas de resistência com as quais defendeu a Amazônia, que a partir dos anos 70 sofrera um acelerado processo de desmatamento para dar lugar a grandes pastagens de gado”, disse o autor Zuenir Ventura.
     
    Além da histórica série “O Acre de Chico Mendes”, que valeu a Zuenir o Prêmio Esso de Jornalismo, o livro reúne ainda trechos do diário escrito por Zuenir na viagem de 1989; a cobertura do julgamento dos assassinos de Chico, em 1990; e um painel do Acre em 2003, quando o autor voltou ao local do crime que mudou a história da luta ecológica no Brasil. Talento investigativo e apuro literário se unem nesse livro para revelar o que de mais humano, brutal, heróico e até picaresto cercou a vida e a morte do grande líder seringueiro.
     
     

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    Crônicas de um Fim de Século

    Objetiva - 1999 - 222 págs.

    O livro traz uma seleção de crônicas publicadas por Zuenir Ventura em suas colunas no Jornal do Brasil, no jornal O Globo e na revista Época, entre 1995 e 1999. O conjunto de textos funciona como um panorama crítico, mas sempre bem-humorado, dos problemas enfrentados por Rio, Brasil e mundo no final do século XX. São farpas do cotidiano e reflexões instigantes de uma das vozes mais atentas do país.

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    Inveja – Mal Secreto

    Objetiva - 1998 - 264 págs.

    “O ódio espuma. A preguiça se derrama. A gula engorda. A avareza acumula. A luxúria se oferece. O orgulho brilha. Só a inveja se esconde”, escreveu Zuenir Ventura. Que pecado, afinal, será esse – que ninguém admite ter, mas todos juram conhecer? Insidiosa, dissimulada e insaciável, a inveja é o mais antigo e atual dos pecados. E também o mais democrático: homens e mulheres, pobres e ricos, todos a têm, ou já tiveram, ou vão ter.
     
    Ao investigar tema tão complexo quanto a inveja, o jornalista e escritor Zuenir Ventura esbarra em histórias fascinantes – de amor, medo e morte. Exatamente como nos romances policiais, alguém tropeça num corpo. O livro mistura realidade e ficção, como num jogo tecido pela própria inveja, onde o mais importante não é o que se ganha, mas o que o outro perde. Inveja – mal secreto foi o primeiro volume lançado pela coleção Plenos Pecados, da editora Objetiva.

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    Cidade Partida

    Companhia das Letras - 1994 - 277 págs.

    A cidade partida do titulo é o Rio de Janeiro, cenário de uma verdadeira guerra: a da sociedade contra os bandidos. Durante dez meses, Zuenir Ventura freqüentou a favela de Vigário Geral (tristemente famosa pela chacina de 21 pessoas em 1993), convivendo com o outro lado da cidade, onde a vida não vale nada e a violência é a linguagem do cotidiano. Ao mesmo tempo, o autor acompanhava ativamente a mobilização da sociedade civil contra a violência, que resultou no movimento Viva Rio. Cidade partida é o impressionante relato, muitas vezes emocionado, do correspondente de uma guerra de lances surpreendentes e heróis inusitados, cuja solução não consiste meramente em destruir um suposto inimigo, mas em incorporar a massa do excluídos à sociedade.
     
    Como experiente jornalista, Zuenir descreve com acuidade e sem prejulgar, mas deixa transparecer o espanto de quem descobre um outro mundo, com valores, hierarquias e regras próprias, onde se anda de metralhadora a tiracolo e a cocaína é vendida em praça pública. A entrevista magistral que fez com Flávio Negão, o líder do tráfico na favela, revela a desconcertante forma de pensar e o cotidiano infernal de um bandido que sabe que está marcado para morrer. Ele conhece também as ideias e pensamentos de jovens funkeiros  e outros personagens de um verdadeiro faroeste urbano, e identifica um caminho que para muitos não passa de utopia: em vez de apartar, aproximar.
     


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