sábado 16 de dezembro




Josué de Castro

Josué de Castro
 
Josué de Castro nasceu em Recife, em 1908. Formou-se em Medicina, foi professor universitário, no Brasil e no exterior, deputado federal por Pernambuco, de 1954 a 1962, e idealizador de políticas e órgãos públicos para melhorar as condições de vida da população e executivo de instituições voltadas para o mesmo fim, como Serviço Central de Alimentação e o Instituto de Nutrição da Universidade do Brasil. Embaixador em Genebra, função da qual se demitiu em 1964 em repúdio ao regime militar instalado no Brasil, foi cassado naquele mesmo ano. Presidiu o conselho da Organização para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO) e lecionou na Universidade de Paris, cidade onde morreu em 1973. Respeitado e admirado em todo o mundo, foi indicado duas vezes ao Prêmio Nobel da Paz. Entre seus clássicos, estão Geografia da Fome e Geopolítica da Fome, publicados em mais de 25 idiomas.
 
Cientista da fome, Josué de Castro deixou uma obra que há mais de meio século alimenta reflexão sobre o tema. Em seu único romance, Homens e Caranguejos (1967), ele narra num texto tocante, de tom memoralístico e autobiográfico, a história de um menino que começa a descobrir o mundo e logo se depara com a miséria e a lama do mangue. É a descoberta da fome pelos olhos de criança, ao assistir à miséria dos alagados do Recife, interpretando esse quadro como um cenário de reprodução das precaríssimas condições de subsistência daquela gente dominada pela escravidão da fome. – “Sua própria linguagem era uma linguagem que quase não fazia alusão à outra coisa. A sua gíria era sempre carregada de palavras evocando comidas. As comidas que desejavam com desenfreado apetite. A propósito de tudo se dizia: é uma sopa, é uma canja, é um tomate, é uma ova, é um abacaxi, é uma batata, é pão-pão, é queijo-queijo. Era como se esta gíria fosse uma espécie de compensação mental de um povo sempre faminto. De um povo inteiro de barriga vazia, mas com a cabeça cheia de comidas imaginárias. É que a comida lhes havia subido à cabeça, como o sexo sobe à cabeça dos impotentes, estes famintos de amor. Esta presença constante da fome sempre fora a grande força modeladora do comportamento moral de todos os homens desta comunidade” dos seus valores éticos, das suas esperanças e dos sentimentos dominantes. (...) quando cresci e saí pelo mundo afora, vendo outras paisagens, me apercebi com nova surpresa que o que eu pensava ser um fenômeno local, um drama do meu bairro, era um drama universal.”
 
Muito antes dessa investida literária, Josué de Castro já havia dado novos rumos à discussão sobre as raízes do subdesenvolvimento. Foram dezenas de estudos dedicados à fome e ao subdesenvolvimento, a começar por Geografia da Fome (1946), um divisor de águas para as pesquisas sobre o tema, tendo influenciado as formulações das políticas das grandes potências. Em Geopolítica da Fome (1951), a fome surge como tema político de primeira grandeza. Nele, o autor estuda as insuficiências de alimentação das populações em seu quadro geográfico e faz emergir a contradição entre os progressos alcançados na generalização dos cuidados higiênicos, acelerando o crescimento demográfico, e a deficiente distribuição de recursos alimentares. Como os verdadeiros sábios, Josué conjugou simplicidade e fluência de estilo a erudição e argumentação consistente.
 
''Pela memória e pelo coração, rejubilamo-nos por este brasileiro extraordinário que conosco lutou para fazer reinar a justiça e a solidariedade internacionais."
Luis Echeverría Álvarez, Presidente do México, na FAO, em 1974
 
“A verdade é que a história dos homens do Nordeste me entrou muito mais pelos olhos do que pelos ouvidos. Entrou-me por dentro dos olhos ávidos de criança sob a forma destas imagens que estavam longe de serem claras e risonhas. Foi com estas sombrias imagens dos mangues e da lama que comecei a criar o mundo da minha infância. Nada eu via que não me provocasse a sensação de uma verdadeira descoberta. Foi assim que eu vi e senti formigar dentro de mim a terrível descoberta da fome. Da fome de uma população inteira escravizada à angústia de encontrar o que comer. (...)”
Josué de Castro, em Homens e Caranguejos
 
''A Geografia da Fome ficará como uma das grandes obras do após guerra, sobretudo pela metodologia. A idéia que os grandes problemas sociais - e a fome é um deles - têm que ser mapeados.''
Ignacy Sachs, Diretor de Estudos do EHESS - França
 

 
OBRAS
 
Romances
Homens e Caranguejos – 1967, 1991, Civilização Brasileira
1991 - Homens e caranguejos
 

Infantil & Juvenil
A Festa das Letras / co-autora: Cecília Meireles (64 págs.) - 2015, Global
2015 - A Festa das Letras


Não Ficção: Ensaios
O Problema Fisiológico da Alimentação no Brasil – 1932, Editora Imprensa Industrial
O Problema da Alimentação no Brasil – 1933, Companhia Editora Nacional (Coleção Brasiliana)
Condições de Vida das Classes Operárias do Recife – 1935, Departamento de Saúde Pública
Alimentação e Raça– 1935, Editora Civilização Brasileira
Documentário do Nordeste – 1937, José Olympio
A Alimentação Brasileira à Luz da Geografia Humana – 1937, Livraria do Globo
Fisiologia dos Tabus – 1939, Editora Nestlé
Geografia Humana – 1939, Livraria do Globo
Geopolítica da Fome – 1951, Casa do Estudante do Brasil
Três Personagens – 1955, Casa do Estudante do Brasil 
A Cidade do Recife - Ensaio de Geografia Humana – 1956, Casa do Estudante do Brasil
O Livro Negro da Fome – 1957, Editora Brasiliense
Ensaios de Biologia Social – 1957, Brasiliense
Sete Palmos de Terra e um Caixão – 1965, Brasiliense
A Explosão Demográfica e a Fome no Mundo – 1968, Itaú
Geografia da Fome. O dilema brasileiro: pão ou aço?  – 1946; 2001, Civilização Brasileira
2001 - Geografia da fome. O dilema brasileiro: pão ou aço?
 
 

Obras em Destaque

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    Geografia da Fome. O dilema brasileiro: pão ou aço?

    Civilização Brasileira - 2001 - .


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