terça-feira 17 de outubro




Ariano Suassuna

Ariano Suassuna
 
Um dos maiores nomes da literatura brasileira, Ariano Suassuna nasceu em 1927, em João Pessoa, na Paraíba, e vive, desde 1942, em Recife, Pernambuco, onde se formou em Direito. Romancista, dramaturgo, poeta, e professor universitário e pensador traduzido para vários idiomas, fundou o Teatro Popular do Nordeste e do Movimento Armorial, que busca criar uma arte erudita brasileira baseada na tradição popular. Eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1989, Ariano percorre o país com aulas-espetáculos que levam a audiência ao delírio e, num feito inédito, chegam a provocar pedidos de bis, como ocorreu em sua palestra na Festa Literária de Paraty em 2005.
 
Se fosse realmente possível sintetizar a extensa e complexa obra de Ariano Suassuna, um dos mais apaixonantes romancistas, dramaturgos, poetas e pensadores do Brasil, talvez se pudesse dizer que é ela uma síntese universal da cultura popular nordestina. Quem quer conhecer a alma brasileira simplesmente não pode ficar sem ela.
 
Com a liberdade que só quem conhece intimamente a matéria com que trabalha pode ter, Ariano revela e refaz nexos pouco óbvios entre a literatura de cordel das feiras do Nordeste e a literatura medieval portuguesa e recicla recursos característicos do teatro grego e temas clássicos, sem sufocar a expressão popular. Formado na escola sertaneja da privação, Ariano é econômico; o luxo da erudição subjazem discreto, sempre a propósito e sem alvoroço, em textos que soam limpos, simples, freqüentemente cômicos e invariavelmente comoventes, mas de comicidade inteligente e comoção honesta.
 
Tema de estudos e teses acadêmicas, a obra de Suassuna inclui romances, novelas e quase duas dezenas de peças teatrais, entre as quais A Pena e a Lei (1971), O Santo e a Porca (1964) e o Auto da Compadecida (1957), que vem sendo encenadas simultaneamente por inúmeros grupos teatrais no Brasil desde que foram escritas, e cujas adaptações para cinema e tv obtiveram enorme êxito. E, aqui, algo de muito raro ocorre: em que pese a maior abrangência das veiculações por esses meios, a chegada das peças de Suassuna às telas não representa propriamente uma popularização de seu trabalho, mas uma consagração de sua popularidade. Lidas e encenadas em escolas de todo o país, as peças de Suassuna estão na memória de várias gerações de brasileiros. Suas personagens, santos, cangaceiros, palhaços, donzelas casadoiras, prostitutas, avarentos, ladrões, frades, juízes, vaqueiros e cangaceiros, revivem paixões de todos os tempos e lugares e ganham posto cativo no imaginário do leitor.
 
Para Suassuna, entretanto, é no Romance d’a Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-volta (1972), recentemente reeditado, que sua literatura se apresenta mais acabada e completa. Classificado pelo próprio autor como “romance armorial popular”, o Romance d’a Pedra do Reino funde mundos, numa espécie de realismo mágico sertanejo, onde diferentes tradições literárias se entrelaçam e as raízes medievais da organização social do sertão surgem, numa representação da própria fusão cultural brasileira.
 
Em plena e intensa atividade, Suassuna anda a braços com um megaprojeto, uma obra de ficção onde promete mesclar todos os gêneros literários. 
 
“O homem é igual em qualquer canto, em qualquer época. O que varia são as circunstâncias através das quais cada comunidade realiza o humano.”
Ariano Suassuna
 
Sobre Romance d’A Pedra do Reino
“Extraordinário romance - memorial, poema, folhetim, que Ariano Suassuna acaba de explodir. Ler esse livro em atmosfera de febre, febril ele mesmo, com a fantasmagoria de suas desaventuras, que trazem a idade Média para o fundo Brasil dos novecentos, suas rabelaisiadas, seu dramatismo envolto em riso.
Ah, escrever um livro assim deve ser uma graça, mas é preciso merecer a graça da escrita, não é qualquer vida que gera obra desse calibre.”
Carlos Drummond de Andrade
 
“Eu tenho um medo enorme de arte militante. Acho legítimo que as idéias políticas, filosóficas, religiosas de um autor apareçam na obra, mas não como militância. Quando um autor carrega muito na idéia, quem paga é a arte.”
Ariano Suassuna
 
Sobre Romance d’A Pedra do Reino
“Entremeado, todo o tempo, de símbolos e alusões, de recordações e fantasmas, poço inesgotável de estudos analíticos, livro de cabeceira para psicólogos e sociólogos, esse romance é uma explosão de maravilha. Não há que buscar nele o folclore, o regional, o ocasional, o circunstancial, e sim o universal, o permanente, como em Dom Quixote”.
 
 
 
OBRAS
 
Romances
Romance d’a Pedra do Reino e O Príncipe do Sangue do Vai-e-volta – 1972, José Olympio
História do Amor de Fernando e Isaura – 2006, José Olympio 
1972 - Romance d'a pedra do Reino e o príncipe do sangue do vai-e-volta2006 - História do amor de Fernando e Isaura
 
 
Não Ficção: Ensaios, História, Biografias
Iniciação à estética – 1975, José Olympio
Almanaque Armorial – 2008, José Olympio
1975 - Iniciação à estética2008 - Almanaque armorial
 
 
Teatro
Auto da Compadecida – 1957, 2015, Nova Fronteira
O Casamento Suspeitoso – 1961, José Olympio
Uma Mulher Vestida de Sol – 1964, José Olympio 
A Pena e a Lei – 1971, Agir
A Farsa da Boa Preguiça – 1973, José Olympio
Auto da Compadecida (Edição de bolso) – (no prelo), Agir
Auto da Compadecida (Audiolivro) – (no prelo), Plugme
Os Homens de Barro – 1949, 2011, José Olympio
O Santo e a Porca (224 págs.) – 1964, 2017, Nova Fronteira
2015 - Auto da Compadecida1961 - O casamento suspeitoso1964 - Uma mulher vestida de sol1971 - A pena e a lei1973 - A farsa da boa preguiçacapa os homens de barro2017 - O santo e a porca
 
Edições Estrangeiras
Itália: Auto da Compadecida – 2015, Vittoria Iguazu Editora
2015-Italia-Auto-da-Compadecida
 
 

Obras em Destaque

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    História do Amor de Fernando e Isaura

    José Olympio - 2006 - 1 págs.

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    Romance d’a Pedra do Reino e O Príncipe do Sangue do Vai-e-volta

    José Olympio - 1972 - 2 págs.

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    Auto da Compadecida

    Agir - 1957 - .

     

    O Auto da Compadecida, que já virou minissérie de televisão e ganhou três versões cinematográficas, consegue o equilíbrio perfeito entre a tradição popular e a elaboração literária ao recriar para o teatro episódios registrados na tradição popular do cordel. Indiscutível marco da dramaturgia brasileira, a peça foi traduzida em diversos idiomas e encenada nos quatro cantos do mundo. Festejada pela crítica, entusiasticamente recebida pelo público, também recebeu muitos prêmios. 


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