segunda-feira 23 de outubro




Paulo Mendes Campos

Paulo Mendes Campos
 
Paulo Mendes Campos nasceu em Belo Horizonte, em 1922. Passou a infância entre a pequena cidade de Saúde, hoje Dom Silvério, Belo Horizonte e São João Del-Rei. Estudou Odontologia, Direito e Veterinária, mas não completou nenhum dos cursos e desistiu do sonho de ser aviador. Membro do grupo de escritores mineiros formado por Fernando Sabino, Otto Lara Resende, Hélio Pellegrino, João Ettiene Filho e Murilo Rubião, dirigiu o suplemento literário da Folha de Minas. Em 1945, foi ao Rio de Janeiro conhecer Pablo Neruda e ficou para sempre. Poeta e cronista, trabalhou como repórter e redator de publicidade. Traduziu Julio Verne, Oscar Wilde, John Ruskin, Neruda e Shakespeare, entre outros. Morreu em 1991, no Rio de Janeiro.
 
Numa época de ouro para o gênero, Paulo Mendes Campos estava na linha de frente dos cronistas do país, ladeado por Rubem Braga, Fernando Sabino e Carlos Drummond de Andrade. Nesse time de estrelas, destaca-se pela permanente busca de uma paisagem interior, paisagem com vista para a memória, o sonho e a reflexão. Em tudo, Mendes Campos afasta-se da vulgaridade, para buscar o menos óbvio, o sentimento interior e a palavra bem acabada. Daí que suas crônicas resistam ao tempo e às circunstâncias e saltem dos periódicos para os livros, com dignidade e sem perder a graça.
 
Nas cenas urbanas de Quatro Histórias de Ladrão, nas histórias de humor de Alhos & Bugalhos (2000), nas reflexões sobre o amor e a perda, reunidas em O Amor Acaba (1999), nas memórias de Cisne de Feltro, nas crônicas esportivas de O Gol é  Necessário, no delicioso retrato da alma brasileira traçado em  Brasil Brasileiro (2000), ou no delicioso diálogo entre avô e neta de A Arte de Ser Neta (2002), algo sempre levará o leitor  a reconhecer-se e ousar espiar suas inquietudes, conflitos e ânsias de beleza pelas venezianas do inconsciente.
 
 
“(...) A janela também faz parte do equipamento profissional do escritor. Sem janelas, a literatura seria irremediavelmente hermética, feita de incompreensíveis pedaços de vida, lágrimas e risos loucos, fúrias e penas (...)”.
Paulo Mendes Campos
 
“(...)Não perguntar o que um homem possui mas o que lhe falta. Isto é sombra. (...)Não se importar com o que ele viveu mas prestar atenção à vida que não chegou até ele, que se interrompeu a circunstâncias invisíveis, imprevisíveis. A vida é um ofício de luz e trevas (...)”.
Paulo Mendes Campos
 
 
Humberto Weneck fala sobre Melhores Poemas de Paulo Mendes Campos:
 
 
 
OBRAS
 
Contos & Crônicas
Artigo Indefinido – 2000, (nova edição no prelo), Companhia das Letras
Alhos & Bugalhos – 2000, (nova edição no prelo), Companhia das Letras 
Cisne de Feltro: crônicas autobiográficas – 2000, (nova edição no prelo), Companhia das Letras
O Gol é Necessário: crônicas esportivas – 2000, (nova edição no prelo), Companhia das Letras
Balé do Pato e Outras Crônicas – 2003, Ática
Quatro Histórias de Ladrão e outras crônicas – 1975, 2005, Agir
Primeiras Leituras - Crônicas (112 págs.) – 2012, Boa Companhia

O Amor Acaba: crônicas líricas e existenciais (seleção e apresentação: Flávio Pinheiro) (280 págs.) – 1999, 2013, Companhia das Letras
O Mais Estranho dos Países - crônicas e perfis (seleção: Flávio Pinheiro) (346 págs.) - 2013, Companhia das Letras
Diário da Tarde (334 págs.) - 2014, Companhia das Letras
De um caderno cinzento (238 págs.) - 2015, Companhia das Letras
2000 - Artigo indefinido2000 - Allhos e bugalhos2000 - Cisne de feltro: crônicas autobiográficas2000 - O gol é necessário: crônicas esportivas2014 - Letras Primeiras Leituras2013 o amor nao acabaO Mais Entranho dos PaísesDiário da Tarde-20142015 - De um caderno cinzento
 
 
Poesias
Poemas – 1994, (nova edição no prelo), Companhia das Letras
Melhores Poemas  (352 págs.) – 2010, Global
Paulo Mendes Campos - Melhores Poemas
 
 
 
Infantil & Juvenil
A Arte de Ser Neta (il. Mariana Massarani) – 2002, (nova edição no prelo), Companhia das Letras
2002 - A arte de ser neta
 
 
Tradução e Adaptação
A Volta ao Mundo em 80 Dias, de Júlio Verne - 2004, Ediouro
Vinte Mil Léguas Submarinas, de Júlio Verne – 2004, Ediouro
Peter Pan, de M. Barrie – 2004, Ediouro 
O Príncipe Feliz e outros contos, de Oscar Wilde – 2005, Ediouro
O Mágico de Oz, de Frank Baum – 2006, Ediouro
Orgulho & Preconceito, de Jane Austen - 2007, Ediouro
2004 - A volta ao mundo em 80 dias2004 - Vinte mil léguas submarinas2004 - Peter Pan2005 - O príncipe feliz e outros contos2006 - O mágico de Oz2007 - Orgulho e preconceito

 


Obras em Destaque

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    O Gol é Necessário: crônicas esportivas

    Civilização Brasileira - 2000 - .

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    O AMOR ACABA - Crônicas líricas e

    Companhia das Letras - 1999 - 288 págs.

    Na literatura de Paulo Mendes Campos, a prosa encontra a poesia em sua busca frenética pelo instante precioso, pela frase iluminadora e pela cena que define o seu supremo amor pela vida - e seu ódio ao tédio. O mineiro de Belo Horizonte radicado no Rio de Janeiro não economiza em seu louvor à beleza e em seu ataque à chatice, ao lugar-comum, ao conservadorismo paralisante. Como diz em “Anatomia do tédio”: “Este talvez seja em nossos dias a poluição do espírito, a poluição global. Nessa cultura estercada é que a torpeza espiritual do homem produz a flor plástica do tédio, embora seja imperativo de verdade reconhecer que suas florações mais visíveis e típicas não ocorram nas favelas e vilas operárias; nos balcões mais altos da sociedade é que vamos encontrar o que um rico poeta americano chamou o enfado celestial dos apartamentos”. Usando a técnica enumerativa - em que o sujeito X é coalhado de adjetivos Y -, em “Da arte de ser infeliz” PMC estabelece o primado do homem medíocre: “Sua psicologia: todo homem tem seu preço. Sua economia: poupar os tostões. Sociologia: o povo não sabe o que quer. Filosofia: o seguro morreu de velho. O homem perfeitamente infeliz ama os seus de um amor incômodo ou francamente insuportável”, ensina. 
     
    Mas nem tudo, ou melhor, quase nada é rancor nesta escrita ligeira, clara e sem nada de solene. Contraditoriamente ao título, em O amor acaba Paulo Mendes Campos demonstra como o lirismo pode começar em qualquer lugar - basta ter olhos para ver a beleza em um bar, em um decote, em um andar, na forma como se desperta em um domingo. Como observa o professor da USP Ivan Marques no posfácio à edição de O amor acaba, “Paulo Mendes Campos ajudou a alargar os limites do gênero. Para ele, de fato, crônica podia ser tudo: tanto as digressões líricas e cômicas como as páginas de reflexão dedicadas à condição humana, às novidades do mundo moderno, às descobertas científicas e antropológicas etc. Leitor cultíssimo e atualizado, o cronista-ensaísta tem alma de pesquisador, vocação para inventar teorias e disposição para pensar sobre tudo [...]”.


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