segunda-feira 23 de outubro




Mario Quintana

Mario Quintana
 
Mario Quintana nasceu em Alegrete, no Rio Grande do Sul, a 30 de julho de 1906. Foi cronista de importantes jornais, a partir da década de 1920, e estreou na literatura com o livro de poemas A Rua dos Cataventos, em 1940. Fez algumas das melhores traduções disponíveis no Brasil de Virginia Woolf, Proust, Balzac, Conrad, Voltaire, Maupassant, Graham Greene e Merimée. É um dos poetas mais lidos, mais queridos e mais festejados do país. Quintana morreu em 1994, mas a sua obra está mais viva do que nunca.
 
Certa vez, quando pediram a Mario Quintana que falasse sobre sua vida, ele respondeu: “Bem... eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão”. Nesse sentido, ler os poemas, ou melhor, conhecer as confissões do Mario tem sido um prazer cultuado e alimentado ao longo de várias gerações de brasileiros de todas as idades.  
 
De fato, descobrir Mario Quintana e redescobri-lo todos os dias é uma tentação que passa de pai para filho, de filho para mãe, de mãe para neto, de neto para avô. Mas como o próprio Quintana já disse: “Não é o leitor que descobre o poeta, mas o poeta que descobre o leitor, que o revela a si mesmo”. E ser descoberto por Mario Quintana, além de uma auto-revelação, é um encontro com o que há de mais simples e sublime na literatura.
 
Quintana sempre foi personagem de histórias inesquecíveis. Na sua terra natal, no interior do Rio Grande do Sul, por exemplo, resolveram gravar um poema do Mario na principal praça da cidade. “Fiquei numa situação terrível, aquilo já tinha sido votado, mas como é que eu ia escolher um poema? Se eu achava que não poderia escolher, muito menos os outros poderiam”, contou o poeta. “Mas eu não poderia cometer a grosseria de recusar. Em discussões com o prefeito e o presidente da Câmara, disse-lhes que não podia escolher um poema, porque um engano em bronze é um engano eterno. Discutiu-se, discutiu-se, e ficou assentado que ficaria apenas isto na placa”:
 
“Um engano em bronze é um engano eterno, Mario Quintana (palavras com que o poeta se eximiu a que fosse gravado um poema seu, nesta praça, como justa homenagem de seus conterrâneos). Alegrete, 1968.”
 
A eternidade realmente é um tema bem presente nos livros de Quintana. Certa vez, por exemplo, ele assegurou: “Não tenho medo do sono eterno, mas da insônia eterna.” Bem, na realidade, ler Mario Quintana provoca insônia, porque a gente fica rolando nas horas, atrás de mais um verso, mais uma metáfora, mais um espelho, mais um gole de café, às vezes doce, às vezes amargo, mas sempre encorpado.
 
“Um poema sempre me pareceu algo assim como um pássaro engaiolado... E que, para apanhá-lo vivo, era preciso um cuidado infinito. Um poema não se pega a tiro. Nem a laço. Nem a grito. Não, o grito é o que mais o espanta. Um poema, é preciso esperá-lo com paciência e silenciosamente como um gato. É preciso que lhe armemos ciladas: com rimas, que são o seu alpiste; há poemas que só se deixam apanhar com isto. Outros que só ficam presos atrás das quatorze grades de um soneto. É preciso esperá-lo com assonâncias e aliterações, para que ele cante. É preciso recebê-lo com ritmo, para que ele comece a dançar. E há os poemas livres, imprevisíveis. Para esses é preciso inventar, na hora, armadilhas imprevistas.”
Mario Quintana
 
“A poesia de Mario Quintana se caracteriza por um profundo humanismo, no conteúdo, e na forma por uma ‘difícil simplicidade’. Ternura, melancolia, intimismo, misticismo, humour irônico (para disfarçar o sentimentalismo), nostalgia da infância, de pureza – são os leit-motivos de seu mundo poético. A facilidade com que se exprime é ilusória: nada existe aí parecido com soluções fáceis. É o artista consciente das virtualidades expressivas de seu instrumento, do verso e do idioma. Atraído pelo realismo mágico ou fantástico, por visões oníricas ou surrealistas, Mario Quintana procura comunicar esse mundo supra-real mediante uma grande economia, mas também grande eficiência, de meios. Consegue-o com o poder sintético das imagens, metáforas, sinestesias, associações insólitas e outros tantos recursos da poesia moderna”. 
Celso Pedro Luft

 
OBRAS
 
Poesias
Prosa & Verso – 1978, Globo
Os Melhores Poemas (org. de Fausto Cunha) – 1983, Global
Só Meu - poemas selecionados por Elena Quintana – 2008, Global
Para Viver com Poesias (seleção e organização de Márcio Vassallo) – 2008, Globo
80 Anos de Poesia – 1986, 2008, (nova edição no prelo), Alfaguara
O Livro de haicais - 2009, Globo
Canções - seguido de Sapato Florido e A Rua dos Cataventos (240 págs.) – 1946, 2005, 2012, Alfaguara 
Apontamentos de História Sobrenatural (208 págs.) – 1976, 2006, 2012, Alfaguara
A Vaca e o Hipogrifo (304 págs.) – 1977, 2006, 2012, Alfaguara
A Cor do Invisível (152) – 1989, 2012, Alfaguara
O Aprendiz de Feiticeiro - seguido de Espelho Mágico – 1950, 2005, 2012, Alfaguara
Poemas para Ler na Escola / seleção: Regina Zilberman (192 págs.) - 2012, Objetiva
Velório Sem Defunto (98 págs.) – 1990, 2009, 2013, Alfaguara
Esconderijos do Tempo (82 págs.) – 1980, 2005, 2013, Alfaguara
Porta Giratória (192 págs.) –1988, 2007, 2014, Alfaguara
Baú de Espantos (144 págs.) – 1986, 2006, 2014, Alfaguara
Antologia Poética –1981, 2007, 2015, Alfaguara
Preparativos de Viagem (96 págs.) –1987, 2008, 2013, Alfaguara
1978 - Prosa e verso1983 - Os melhores poemas2008 - Pra viver com poesias2008 - 80 anos de poesia2008 - Preparativos de viagem2009 - O livro das haicais2012 Canções2012 Apontamentos de história bobrenatural2012 A vaca e o hipogrifo

2012 A cor do invisível2012 O aprendiz de feiticeiro2012 Poemas para ler na escola2013- velório sem defunto2013- esconderijos do tempo2014 - Porta giratória 2014 - Porta giratória 2015 - Antologia Poética2013 - Preparativos de Viagem

 
Contos & Crônicas
Da Preguiça como Método de Trabalho (326 págs.)  – 1987, 2007, 2013, Alfaguara
Caderno H (362 págs.)  – 1973, 2008, 2013, Alfaguara
2013 - Da preguiça como método de trabalho2013-Caderno-H
 
 
 Infantil & Juvenil
Pé de Pilão – 1975, Ática (direitos revertidos)
Nariz de Vidro (org. Mary Weiss) – 1984, Moderna
Lili Inventa o Mundo – 1983, 2005, Global
Sapo Amarelo – 1984, 2006, Global
Sapato Furado – 1994, 2006, Global
Eu Passarinho – Para Gostar de Ler - 2006, Ática
O Batalhão das Letras (40 págs.)/ il. Marilia Pirillo – 1948, 2009, 2014, 2017, Companhia das Letrinhas
1975 - Pé de pilão2014 - Nariz de pilão2006 - Sapo amarelo2006 - Sapato furado2006 - Eu passarinho2017 - Batalhão de letras
 
 
Edições Estrangeiras
Itália - Poesia de Mario Quintana - (Poesie di Mario Quintana) - 2007, Zouk (Bilíngüe)
Itália - Quem Ama Inventa - (Chi Ama Inventa) - 2008, Liberodiscrivere (Bilíngüe)
Itália - A Cor do Invisível - (Il colore dell'invisibile) - 2008, Graphe.it Edizioni
Itália - Para viver com poesia ( Per vivere con poesia) (seleção e organização de Márcio Vassallo) - 2010, Graphe.it Edizioni
Itália - O Aprendiz de Feiticeiro (L'Apprendista Stregone) - 2010, Graphe.it Edizioni
2007 - Poesia de Mário Quintana - Itália2008 - Quem ama inventa - Itália2008 - A cor do invisível - Itália2010 - Para viver com poesia - Itália2010 - O aprendiz de feiticeiro - Itália
 

Obras em Destaque

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    Velório Sem Defunto

    Globo - 2009 - 182 págs.


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