sexta-feira 15 de dezembro




Rachel de Queiroz

Rachel de Queiroz
 
Rachel de Queiroz nasceu em Fortaleza, Ceará, em 1910. Passou a primeira parte da infância na fazenda de seus pais e, aos três anos, voltou a Fortaleza. Em 1917, foi com a família para o Rio de Janeiro e, no mesmo ano, para Belém do Pará, fugindo dos horrores da seca de 1915, que, mais tarde, seria tema de seu primeiro livro. Em 1919, a família retornou a Fortaleza, onde Rachel cursaria o normal. Aos 20 anos, lançou o romance O Quinze e causou sensação em todo o meio literário nacional, uma proeza ímpar para uma menina criada numa província do Nordeste. Ligada às causas sociais, participou do movimento comunista do qual se afastaria definitivamente em 1940. Viveu algum tempo em São Paulo e, depois, transferiu-se para o Rio de Janeiro. Escreveu para vários jornais e para a revista O Cruzeiro, da qual foi cronista exclusiva e onde marcou época. É autora de peças teatrais e de traduções impecáveis de Dostoievski, Tolstoi, Santa Teresa de Jesus e Emily Brontë, entre outros. Em 1957, mais de 40 anos antes de completar sua extensa lista de títulos, recebeu o prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra. Romancista, cronista, dramaturga e autora de obras infantis, uma das principais representantes do movimento regionalista, detentora de vários prêmios literários, com obras editadas em diversos idiomas e adaptadas para tv, foi a primeira mulher eleita para a Academia Brasileira de Letras. Morreu no Rio de Janeiro, em 2003, aos 93 anos.
 
Rachel de Queiroz pertencia à categoria de escritoras que não fazem da condição feminina uma bandeira. No entanto, poucas terão feito tanto pela mulher na literatura quanto ela. Acreditava que, assim como sua personalidade, o fato de ser mulher estaria registrado em sua obra sem que fosse necessário esforçar-se para isso. E, realmente, parece impossível separar a literatura de Rachel de sua personalidade. A par das qualidades de estilo, o traço mais marcante da figura humana e da literatura de Rachel é provavelmente a coragem, coragem de ser autêntica, de desafiar a superficialidade para encarar o fundo das coisas e, sobretudo, coragem de ser humana; reflexos daquela têmpera sertaneja que fez Euclides da Cunha proclamar: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte” (Os Sertões). Aliás, dos outros três adjetivos com que Euclides descreve o sertanejo – “esperto, resignado e prático” – somente o segundo, “resignado”, não se pode aplicar a Rachel, pelo menos não assim, à primeira vista.
 
Aos 17 anos, ainda na cidade natal, Rachel, sob pseudônimo, envia a O Ceará uma carta ironizando o concurso Rainha dos Estudantes, promovido por aquele jornal. Diante do sucesso da carta, o diretor do jornal convida-a para colaborar com o veículo. Três anos depois, lecionando no colégio onde havia estudado, Rachel é eleita Rainha dos Estudantes. Aceita o prêmio (e aí, talvez, encontremos o sinal da resignação de que falava Euclides) e, durante a festa de coroação, recebe a notícia do assassinato do governador do estado da Paraíba, João Pessoa. A rainha joga a coroa no chão e sai às pressas, explicando: 'Sou repórter'.
 
Em 1931, em viagem ao Rio para receber da Fundação Graça Aranha o prêmio de melhor romance, por O Quinze, conhece alguns membros do Partido Comunista e, de volta ao Ceará, colabora na fundação do PC local. Em 1932, é fichada pela polícia como 'agitadora comunista'. A essa época, acabara de escrever seu segundo romance, João Miguel, e é informada de que deveria submetê-lo a um comitê do PC antes de publicá-lo. Semanas depois, em uma reunião no cais do porto do Rio de Janeiro, comunicam-lhe que seu livro não fora aprovado, porque nele um operário mata outro. Depois de reaver seus originais, fingindo concordar com a decisão, declara que não reconhecia no comitê autoridade para censurar sua obra, e foge do local em disparada. Rompida com o partido, aproxima-se do grupo trotskista. Em 1937, com a decretação do Estado Novo, a autora é detida por três meses, acusada de subversão, e seus livros são queimados em Salvador. Em 1940, a notícia do assassinato de Trotsky, por ordem de Stalin, faz com que ela se afaste definitivamente da esquerda.
 
O espírito combativo, o horror à violência e o desassombro em denunciá-la estão em tudo o que Rachel fez, desde o primeiro romance, escrito sobre as tábuas corridas do assoalho da fazenda de seu pai, enquanto a autora, com 18 anos, recuperava-se de uma doença pulmonar. Elogiado por Augusto Frederico Schmidt e Mário de Andrade, O quinze, um dos primeiros do rico ciclo do romance regionalista nordestino, conta, numa prosa sem enfeites, mas carregada de vivo realismo, a história da família de retirantes tangida pela seca de 1915, em busca do sonho de encontrar na Amazônia um lugar melhor para viver. No caminho a fome e do cansaço, eventualmente amainados pela solidariedade de quem é rico de espírito, vão deixando suas cicatrizes. Sessenta e dois anos, cinco romances, centenas de crônicas, cinco peças, e várias obras infantis depois, Rachel, aos 82 anos, mostra-se ainda mais lúcida, mais inventiva e disposta a retratar sua gente, narrando, em Memorial de Maria Moura, a saga de uma menina de boa família que se transforma em guerreira destemida, líder de homens rudes e disposta a vingar o mal que lhe fizeram. Rachel teve um começo parecido com o de sua personagem e transformou-se num ícone, um monumento inconteste da literatura brasileira.
 
''[...] tento, com a maior insistência, embora com tão precário resultado (como se tornou evidente), incorporar a linguagem que falo e escuto no meu ambiente nativo à língua com que ganho a vida nas folhas impressas.  Não que o faça por novidade, apenas por necessidade.''
Rachel de Queiroz
 
Sobre a personagem de Maria Moura
''Como sua criadora incomparável, ela, Maria Moura, é um clássico.''
Ledo Ivo, poeta, membro da Academia Brasileira de Letras
 
OBRAS
 
Romances
O Quinze – 1930, 2004, José Olympio
João Miguel – 1932, 2004, José Olympio
Caminho de Pedras – 1937, 2004, José Olympio
Galo de Ouro – 1950, 2004, José Olympio
Memorial de Maria Moura – 1992, 2004, José Olympio
As Três Marias – 1939, 2005, José Olympio
Dora, Doralina – 1975, 2005, José Olympio
Memorial de Maria Moura (edição de bolso - 490 págs.) – 2010, BestBolso
2004 - O quinze2004 - João Miguel 2004 - Caminho de pedras2004 - Memorial de Maria Moura2005 - As Três Marias2005 - Dora, doralina
 
 
Contos & Crônicas
A Donzela e a Moura Torta –1948, José Olympio
O Homem e o Tempo – Mapinguari  – 1964, José Olympio
O Caçador de Tatu (seleção Herman Lima) – 1967, José Olympio
As Terras Ásperas – 1993, José Olympio
Cenas Brasileiras – 1997, Ática
Falso Mar, Falso Mundo: 89 crônicas escolhidas – 2002, José Olympio
Melhores Crônicas (org. Heloisa Buarque de Hollanda) – 2004, Global
Um Alpendre, uma Rede, um Açude – 100 Crônicas Escolhidas - 1958, 2006, José Olympio
Existe Outra Saída, Sim - 2003, 2007, Edições Demócrito Rocha
A Casa do Morro Branco – 1999, 2008, José Olympio
A Lua de Londres – 2010, Fundação Demócrito Rocha
Do Nordeste ao Infinito – 2010, Fundação Demócrito Rocha
Pedra Encantada e Outras Histórias (seleção Maria Luiza de Queiroz) - 2001, José Olympio
2004 - Melhores crônicas2006 - Um alpendre, uma rede, um açude2007 - Existe outra saída, sim2010 - A lua de londres2008 - A casa do morro branco2010 - Do nordeste ao infinito2011 - Pedra encantada e outras historias
 
 
Infantil & Juvenil
Xerimbabo (il. Graça Lima) - 2002, José Olympio
Memórias de Menina (il. Mariana Massarani) - 2003, José Olympio
O Menino Mágico (il. Laurabeatriz) – 1969, 2004, (nova edição no prelo), José Olympio
Cafute e Pena-de-Prata (il. Ziraldo) – 1986, 2004, 2012, José Olympio
Andira (il. Cláudio Martins) 1992, 2004, 2014, José Olympio
2002 - Xerimbabo2003 - Memórias de menina2004 - O menino mágico2004 - Cafute e pena-de-prata2012-Cafute e Pena-de-Prata2014 - Andira
 
 
Teatro
Lampião - A Beata Maria do Egito - 1953, 2005 - José Olympio
2005 - Lampião: a beata Maria do Egito
 
 
Ficção & Memória
O não me deixes - 2000, 2010 (116 págs.) - José Olympio 
Tantos Anos (272 págs.) – 2010, José Olympio
O Nosso Ceará (108 págs.) – 2012, Armazém da Cultura
2010 - O não me deixes2010 - Tantos anos2013 O Nosso Ceará
 
 
Poesias
Serenata (128 págs.) – 2010, Armazém da Cultura
Mandacaru (160 págs.) – 2010, IMS
2010 - Mandacaru
 
 
Quadrinhos
O Quinze (Roteiro e Arte: Shiko) – 2012, Ática
2010 - Mandacaru
 
Edições Estrangeiras
Alemanha - Die Drei Marias / As Três Marias / trad. Ingrid Führer - 2013, Verlag Klaus
França - João Miguel / trad. Paula Anacaona - 2015, Anacaona
França - La terre de la grande soif / O Quinze / trad. Paula Anacaona / il. d'André Diniz - 2014, Anacaona
Itália – Memoriale di Maria Moura / Memorial de Maria Moura / trad. Sandra Biondo – 2006, Cavallo di Ferro
México - O Quinze - (no prelo), Facultad de Filosofía de La Universidad Nacional Autónoma de México
Sérvia – Tri Marije / As Três Marias / trad. Mladen Ciric - 2015, Strik Publishing House
Sérvia – Memorial de Maria Moura - (no prelo), Strik Publishing House
2013 Alemanha - Três Marias2015 França - João Miguel2014 França - La terre de la grande soif / O Quinze2006 Itália - Memorial de Maria Moura

 


Obras em Destaque

  • imagem

    Mandacaru

    IMS - 2010 - 160 págs.


Sobre a Agência Riff
imagem

Inaugurada em 1991, a Riff representa grandes nomes da literatura brasileira e as principais editoras e agências literárias estrangeiras no Brasil e em Portugal. Saiba mais.




2011 Agência Riff todos os direitos reservados - agenciariff@agenciariff.com.br Guilhotina Design