terça-feira 17 de outubro




Vitor Ramil

Vitor Ramil
 
Vitor Ramil nasceu em 1962, na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul. Começou sua vida profissional ainda adolescente, como compositor, letrista e cantor, atividades que exerce até hoje. É autor de oito discos. Aos 25 anos de idade começou a escrever Pequod, novela com que estrearia na literatura no ano de 1995. Em 2004, publicou o ensaio A Estética do Frio. Seu trabalho mais recente é a novela Satolep. A música, as idéias e a literatura de Vitor, na forma e nos temas, dialogam permanentemente, criando um universo artístico muito particular.
 
Sobre Pequod, seu primeiro livro, escreveu o crítico Luís Augusto Fischer: 'Um avô e uma avó, um pai e uma mãe, o filho e as filhas. Principalmente um filho e seu pai. Uma cidade ao Sul, outra ainda mais ao Sul; uma playa uruguaya e um navio há anos afundando. Uma raiz remota na Galícia. A poesia, o tango, o delírio metódico da criação, o Dr. Fiss. Muitos dias frios. Muitos chuvosos. O quarto das aranhas. A sala dos espelhos. Goteiras pela casa toda e um relógio na parede da saleta. O filho relembra, ou julga relembrar, a história do pai. A sua história com o pai. O filho conta a experiência da perda: da ingenuidade, da infância, da lucidez do pai, do próprio pai. O filho se percebe um satélite do pai. O filho recorta um pedaço do tempo para contar, rememorar, digerir a experiência. Com tais ingredientes Vitor Ramil lida para criar esta novela única no cenário recente do país. Ninguém duvidava que o autor de tantas canções geniais fosse capaz de criar literatura”.
 
Sucesso de crítica no Brasil, Pequod foi traduzido e publicado na França em 2003. Em breve será relançado no Brasil pela editora Cosac Naify.
 
A Estética do Frio - Conferência de Genebra –, como o subtítulo indica, é o texto de uma conferência apresentada na cidade suíça, em 2003. Trata-se de uma reflexão do autor acerca de sua identidade sulista e de seu trabalho artístico. “Não estamos à margem de um centro, mas no centro de uma outra história” é o ponto a que chega, depois de conduzir o leitor através de questões identitárias como o “ser ou não brasileiro” profundamente enraizado no imaginário rio-grandense, ou de questões artísticas, como a busca por uma estética livre dos estereótipos da brasilidade e do gauchismo. Ao propor uma aproximação maior com o “Brasil” – reivindicando seu direito à grande tradição musical e poética brasileira – e, ao mesmo tempo, eleger a milonga – um gênero musical comum ao Rio Grande do Sul, ao Uruguai e à Argentina – como música matriz, Vitor deflagrou um processo de aproximação não só com o “Brasil”, mas também com os países do Prata, dando o impulso inicial àquilo que, por envolver outros artistas, vem sendo visto pela mídia e pelo público como um movimento artístico.
 
Na forma aberta de Satolep, seu novo livro de ficção, futuro e passado parecem trocar de lugar. A trama rarefeita flui cheia de poesia e mistério em um texto cuja marca é a precisão. Sua estrutura, provavelmente inédita, consiste em uma narrativa principal pontuada por fotos acompanhadas de pequenas narrativas. Essas fotos são imagens da cidade de Pelotas no ano de 1922, e as pequenas narrativas foram escritas a partir delas. Ao todo, são vinte e oito pares de fotos e textos breves que, embora apareçam distribuídos uniformemente entre a primeira e a última página, só têm sua relação com a narrativa principal explicitada ao fim da primeira metade do livro. É quando o leitor descobre também o nome e a profissão do narrador e personagem principal, um homem que volta à sua cidade natal no dia em que completa trinta anos, e que, sem coragem de ir diretamente à casa paterna, com a qual não faz contato há muito tempo, aluga um lugar para morar e trabalhar no centro da cidade. Nesse endereço ele pretende ficar até se sentir preparado para bater outra vez à porta da casa de sua infância. Satolep é um mergulho na história dessa preparação. O livro está sendo lançado no Brasil pela Cosac Naify.
 

Site do autor: http://www.vitorramil.com.br
 
 
OBRAS
 
Romances
Pequod - 1999, (nova edição no prelo), Cosac Naify 
A Estética do Frio – 2004, Satolep Livros
Satolep - 2008, Cosac Naify
A Primavera da Pontuação (192 págs.) - 2014, Cosac Naify
1999 - Pequod2004 - A estética do frio2008 - Satolep2014 Primavera da pontuação
 
 
Edições Estrangeiras
França - Péquod - 2003, L´Harmattan
2003 - Pequod - França
 
 

Obras em Destaque

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    Satolep

    Cosac Naify - 2008 - .

    A úmida e fantasmática Satolep (palíndromo da palavra "Pelotas") é a cidade construída pelo escritor gaúcho Vitor Ramil, para onde o fotógrafo Selbor, protagonista e narrador do romance, retorna no dia do seu aniversário de trinta anos. Ele se depara, então, com personagens reais da história pelotense, como o escritor João Simões Lopes Neto; o poeta, jornalista e boêmio Lobo da Costa e o cineasta Francisco Santos. O encontro do narrador e seu passado é o que está em jogo em Satolep. 
     
    O personagem Selbor foi inspirado em um fotógrafo que realmente existiu e documentou a cidade de Pelotas no início do século XX. Suas fotos, publicadas no Álbum de Pelotas (1922), foram recolhidas por Ramil e serviram como ponto de partida para a história. No romance, as imagens ocupam um lugar central e são intercaladas por textos breves, encontrados por Selbor dentro de uma pasta, esquecida por um rapaz na estação de trens da cidade. De maneira fantástica e misteriosa, os textos complementam os cliques do fotógrafo, criando uma atmosfera de lirismo e alucinação. Pedaço de um Brasil muito particular, Satolep é presença fixa na obra de Ramil - um lugar a qual ele recorre, percorre e busca recriar para constituir a si próprio.
     
     

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    A Estética do Frio

    Satolep Livros - 2004 - .

    Como o subtítulo indica, A Estética do Frio é o texto de uma conferência apresentada na cidade suíça, em 2003. Trata-se de uma reflexão do autor acerca de sua identidade sulista e de seu trabalho artístico. “Não estamos à margem de um centro, mas no centro de uma outra história” é o ponto a que chega, depois de conduzir o leitor por questões da identidade como o “ser ou não brasileiro”, enraizadas no imaginário rio-grandense, ou por questões artísticas, como a busca por uma estética livre dos estereótipos da brasilidade e do gauchismo. 
     
    Vitor reivindica seu direito à grande tradição musical e poética brasileira. Ao mesmo tempo, ao eleger a milonga – um gênero musical comum ao Rio Grande do Sul, ao Uruguai e à Argentina – como música matriz, Vitor deflagrou um processo de aproximação não só com o “Brasil”, mas também com os países do Prata, dando o impulso inicial àquilo que, por envolver outros artistas sul-americanos, vem sendo visto pela mídia e pelo público como um movimento artístico.

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    Pequod

    L&PM - 1999 - .

    “Um avô e uma avó, um pai e uma mãe, o filho e as filhas. Principalmente um filho e seu pai. Uma cidade ao Sul, outra ainda mais ao Sul; uma playa uruguaya e um navio há anos afundando. Uma raiz remota na Galícia. A poesia, o tango, o delírio metódico da criação, o Dr. Fiss. Muitos dias frios. Muitos chuvosos. O quarto das aranhas. A sala dos espelhos. Goteiras pela casa toda e um relógio na parede da saleta. O filho relembra, ou julga relembrar, a história do pai. A sua história com o pai. O filho conta a experiência da perda: da ingenuidade, da infância, da lucidez do pai, do próprio pai. O filho se percebe um satélite do pai. O filho recorta um pedaço do tempo para contar, rememorar, digerir a experiência. Com tais ingredientes Vitor Ramil lida para criar esta novela única no cenário recente do país. Ninguém duvidava que o autor de tantas canções geniais fosse capaz de criar literatura.” (por Luís Augusto Fischer)


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