segunda-feira 23 de outubro




Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade
 
Carlos Drummond de Andrade nasceu em 1902, em Itabira, Minas Gerais. Funcionário público, foi cronista dos mais importantes jornais brasileiros. Sofisticado e popular, Drummond foi homenageado em 1987 com o samba-enredo O reino das palavras, por uma das maiores e mais tradicionais escolas de samba cariocas, a Estação Primeira de Mangueira, que se sagrou campeã. No dia 05 de agosto desse mesmo ano, perdeu sua única filha, Maria Julieta, vítima de câncer. Logo depois, no dia 17 do mesmo mês, com problemas de saúde agravados, o poeta também morreu, deixando cinco obras inéditas: O avesso das coisas, Moça deitada na grama, Poesia errante, O amor natural e Farewell.
 
Adaptado, traduzido, declamado, citado, analisado, debatido, lido, relido e amado de todas as formas, Carlos Drummond de Andrade é apontado por milhares de intelectuais, artistas, escritores, acadêmicos, críticos e leitores em geral como o maior poeta do Brasil de todos os tempos. Na realidade, ser maior nunca foi um sonho de Drummond. O próprio poeta admitia: “Sou incapaz de atravessar uma sala cheia de gente”. E os verdadeiros poetas são assim mesmo, meio invisíveis, pelo menos quando andam nas ruas ou circulam em festas e reuniões de muita gente, longe dos velhos amigos, longe da família, longe dos seus amores.
 
O amor é um dos temas mais espalhados nos poemas, nas crônicas e nos contos de Carlos Drummond de Andrade. Uma vez ele disse assim: “A vontade de amar me paralisa o trabalho.” E a vontade de ler Drummond paralisa a gente na frente dos livros, num estado de namoro permanente. Mais do que sempre, ler Drummond é andar a pé nos cafezais da memória, driblar pedras no meio do caminho, desenterrar belezas, espiar espantos, desembrulhar surpresas, inventar motivo para beijo, espalhar paixão. Por sinal, espalhar paixão – e saudade – realmente é o que Carlos Drummond de Andrade faz até hoje, com os seus textos. Publicado no Brasil pela editora Record, ele tem obras traduzidas em alemão, búlgaro, chinês, dinamarquês, espanhol, francês, holandês, inglês, italiano, latim, norueguês, sueco e tcheco.
 
A estátua de Carlos Drummond de Andrade, no calçadão da praia de Copacabana (um dos pontos turísticos mais freqüentados do mundo), foi uma das mais belas homenagens ao centenário de nascimento do poeta. Assim, Drummond está lá, no bairro onde morava, sentado num banco, de costas para o mar. Muita gente que passa por lá costuma dizer que a estátua nunca poderia estar naquela posição, porque Drummond amava o mar. Só que, na realidade, ele não está de costas para o mar. Drummond está é de frente para as pessoas, que passam, que param, que olham, que sentam ao lado do escritor feito de bronze, para tirar foto, para lembrar de um poema, para dar um abraço nele, para fazer declaração de amor, para inventar motivo de beijo, ou só ficar ali, num exercício de secreta quietude, enquanto os carros voam, enquanto o tempo rosna.
 
Para a gente suspirar ainda mais, os netos do poeta e titulares da sua obra, Pedro Augusto Graña Drummond e Luis Mauricio Graña Drummond lançaram o livro Declaração de amor – canção de namorados( 2005), que faz um breve panorama do amor na obra poética de Drummond. Ilustrado por Mariana Massarani, o livro traz 27 poemas selecionados de 12 livros. Os organizadores deram prioridade aos poemas que falam do amor em estado bruto, no calor da ebulição passional, e revelam facetas da própria experiência amorosa do poeta, como A companheira, escrito para a mulher, Dolores Dutra de Morais. Na epígrafe que abre a coletânea, Drummond se pergunta se realmente teria coisas a dizer aos namorados. Mas a sua própria poesia é prova de que os leitores sempre encontrarão em sua obra muito a ser dito, lido, vivido.
 
“Entendo que poesia é negócio de grande responsabilidade, e não considero honesto rotular-se de poeta quem apenas verseje por dor-de-cotovelo, falta de dinheiro ou momentânea tomada de contato com as forças líricas do mundo, sem se entregar aos trabalhos cotidianos e secretos da técnica da leitura, da contemplação e mesmo da ação. Até os poetas se armam, e um poeta desarmado é, mesmo, um ser à mercê de inspirações fáceis, dócil às modas e compromissos”.
Carlos Drummond de Andrade

Confira no link abaixo vídeos de poemas de Drummond lidos por diversos artistas:
 
Confira no link abaixo entrevista de 1981 com Carlos Drummond de Andrade:
 
 
 
 
OBRAS
 
Contos, Crônicas, Cartas & Ensaios
O Observador no Escritório – 1985, (nova edição no prelo), Companhia das Letras
Moça Deitada na Grama – 1987, (nova edição no prelo), Companhia das Letras
Auto-retrato e Outras Crônicas – 1989, (nova edição no prelo), Companhia das Letras
O Avesso das Coisas – 1987, 2007, (nova edição no prelo), Companhia das Letras
Tempo Vida Poesia – 1986, 2008, (nova edição no prelo), Companhia das Letras
O Gerente - 2009, (nova edição no prelo), Companhia das Letras
Cadeira de Balanço – 1966, 2009, (nova edição no prelo), Companhia das Letras
Confissões de Minas (338 págs.) – 1944, 2011, Cosac
Contos de Aprendiz (152 págs.) – 1951, 2012, Companhia das Letras
Fala, Amendoeira (208 págs.) – 1957, 2012, Companhia das Letras
Passeios na Ilha (346 págs.) – 1952, 2011, Cosac
A Bolsa & a Vida (168 págs.) – 1962, 2008, 2012, Companhia das Letras
Contos Plausíveis (186 págs.) – 1981, 2012, Companhia das Letras
Os Dias Lindos (238 págs.) – 1977, 2013, Companhia das Letras
O homem que fazia chover (128 págs.) - 2013, Companhia das Letras
De Notícias e Não Notícias Faz-se a Crônica – 1974, 2013, Companhia das Letras
Quando é Dia de Futebol (pesquisa e seleção de textos de Pedro Augusto Graña Drummond e Luis Mauricio Graña Drummond) (198 págs.) – 2014, Companhia das Letras
Boca de Luar (184 págs.) – 1984, 2009, 2014, Companhia das Letras
A Lição do Amigo – Cartas de Mário de Andrade a Carlos Drummond de Andrade (440 págs.) – 1982, 2015 - Companhia das Letras
O Poder Ultrajovem (240 págs.) – 1972, 2016, Companhia das Letras
Caminhos de João Brandão (200 págs.) – 1970, 2016, Companhia das Letras
70 historinhas (222 págs.) – 1978, 2008, 2016, Companhia das Letras
1985 - O observador no escritório1987 - Moça deitada na grama1989 - Auto-retrato e outras crônicas2007 - O avesso das coisas2008 - 70 historinhas2008 - Tempo vida poesia2009 - Boca de luar2009 - O gerente2009 - Cadeira de balanço
2011 - Confissões de minas2012 - Contos de aprendiz2012 - Fala, Amendoeira2011-passeios-na-Ilha2013- A bolsa e a vida1981-2012 - Contos plausíveis2013-Os Dias LindosO homem que fazia chover  20132013 - De notícias e não notícias faz-se a crônica2014 - quando é dia de futebol
2014 - boca de luar2014 - boca de luar2015 - O poder ultra jovem1970 - Caminhos de João Brandão2016 - 70 historinhas
 
 
Poesia
Viola de Bolso – 1955, (nova edição no prelo), Companhia das Letras
Amar se Aprende Amando – 1985, (nova edição no prelo), Companhia das Letras
Les Fourberies de Scapin - As Artimanhas de Scapino – (no prelo), Cosac (direitos revertidos)
Carlos Drummond de Andrade - Encontros – (no prelo), Azougue Editorial
Alguma Poesia / edição especial e fac-similar (389 págs.) - 2010, Instituto Moreira Salles
Uma Pedra no Meio do Caminho – Biografia de um Poema – (344 págs.) – 2010, Instituto Moreira Salles
A Rosa do Povo (202 págs.) – 1945, 2012, Companhia das Letras
Sentimento do Mundo (96 págs.) – 1940, 2012, (bolso) Companhia das Letras
Sentimento do Mundo (66 págs.) – 1940, 2012, Companhia das Letras
Claro Enigma (136 págs.) – 1951, 2012, Companhia das Letras
Poesia 1930-62 - Edição Crítica – 2012, Cosac Naify (direitos revertidos)
Os 25 Poemas da Triste Alegria – 2012, Cosac Naify (direitos revertidos)
José  – 1954, 2012, Companhia das Letras
Lição de Coisas (128 págs.) – 1962, 2012, Companhia das Letras
Fazendeiro do Ar (80 págs.) – 1954, 2012, Companhia das Letras
Antologia Poética (328 págs.) – 1962, 2012, Companhia das Letras
As Impurezas do Branco (156 págs.) – 1973, 2012, Companhia das Letras
Alguma Poesia (112 págs.) – 1930, 2013, Companhia das Letras
Brejo das Almas (72 págs.) – 1934, 2013, Companhia das Letras
A Vida Passada a Limpo (88 págs.) – 1994, 2013, Companhia das Letras
A Paixão Medida (98 págs.) – 1980, 2014, Companhia das Letras
O Amor Natural (104 pág.s) – 1992, 2014, Companhia das Letras
Discurso de Primavera e Algumas Sombras (200 pág.s) – 1977, 2014, Companhia das Letras
Corpo (112 págs.) – 1984, 2015, Companhia das Letras
A Falta Que Ama (80 págs.) – 1968, 2015, Companhia das Letras
Declaração de Amor (il. Nik Neves / Seleção de Luis Mauricio Graña Drummond e Pedro Augusto Graña Drummond) – 2005, 2015, Companhia das Letras
Nova Reunião: 23 Livros de Poesia (928 págs.) – 2015, Companhia das Letras
Receita de Ano Novo (94 págs.) – 2008, 2015, Companhia das Letras
Vou Crescer Assim Mesmo – Poemas sobre a infância (64 págs.) / il. Ale Kalko – 2016, Companhia das Letras
Farewel (104 págs.) – 1996, 2016, Companhia das Letras
Boitempo - Menino Antigo – 1968, 2006, 2017, Companhia das Letras
Boitempo - Esquecer para Lembrar – 1973, 2006, 2017, Companhia das Letras
Versiprosa  (296 págs.) – 1967, 2017, Companhia das Letras
1985 - Amar se aprende amando1988 - Poesia errante2010 - Alguma poesia2010 - Uma pedra no meio do caminho2012 - A rosa do povo2012 - Sentimento do mundo2012 - Claro enigmapoesia 1930-62os 25 poemas da triste alegria
2012 - José1962-2012 - Lições de coisas2013 fazendeiro do ar 2013 Antologia Poética2013 Sentimento do mundo2012 As Impurezas do Branco2013- Alguma poesiabrejo das almas 2013A vida passada a limpo 20132014 - A paixão medida
2014 - O Amor Natural2014 - Discurso-de-Primavera1984 - Corpo2015 - A falta que ama2015 - Declaração de amor2015 - Nova Reunião: 23 Livros de Poesia2015 - Receita de Ano Novo2016 - Vou crescer assim mesmo2016 - Farewell2017 -  Menino Antigo
2017 -  Esquecer para lembrar2017 - Vespirosa

 

 
Infantil & Juvenil
O Elefante – 1983, Record
A Cor de Cada Um – 1996, Record
A Palavra Mágica – 1996, Record
A Senha do Mundo – 1996, Record
Vó caiu na Piscina – 1996, Record
Criança D’agora é Fogo – 1996, Record
Histórias para o Rei – 1997, Record
As Palavras que Ninguém Diz – 1997, Record
Rick e a Girafa – 2001, Ática (direitos revertidos)
O Sorvete e outras histórias – 1993, 2007, Ática (direitos revertidos)
Menino Drummond / il. Angela-Lago (56 págs.) – 2012, Companhia das Letrinhas
História de Dois Amores / il. Ziraldo (60 págs.) – 1985, 2013, Companhia das Letrinhas
O Jardim / il. Atak (48 págs.) – 2015, Companhia das Letrinhas
Conversa de Morango e outros textos cheios de graça / il. Fido Nesti (64 págs.) – 2016, Companhia das Letrinhas
1983 - O elefante1996 - A cor de cada um1996 - A Palavra mágica1996 - A senhora do mundo1996 - Vó caiu na piscina1996 - Criança D'agora é fogo1997 - Histórias para o rei1997 - As palavras que ninguém diz2001 - Rick e a girafa
2007 - O sorvete e outras histórias2007 - O sorvete e outras histórias2013 - História de dois amores2016 - Conversa de morango
 
 
Edições Estrangeiras
China - Alguma Poesia (no prelo), Yilin Press
China - O Amor Natural (no prelo), Yilin Press
Denmark - 52 Poems - Borgens Forlag 
England - Antologia Poética - (no prelo), Penguin UK
France - História de Dois Amores (Historie De Deux Amours) -(Traduit: Diogo et Bernard Tissier, Illustrations: Stéphane Gired) - 2002, Éditions Chandeigne
France – La Machine du Monde et autres poèmes – (Traduit: Didier Lamaison) - 1990, Gallimard Poesie
France -  La Mort Dans L'Avion & Autres Poèmes – (Traduit:d'Ariane Witkowski) - 2013, Editions Chandeigne
Italy - Quando é dia de Futebol (Quando è Giorno di Partita) – 2005, Cavallo di Ferro
Italy - Sentimento Del Mondo – 1987, Giulio Einaudi
Italy - L´Amore Naturale – 1997, Adriatica Editrice
Italy - Selection of Poems - (no prelo), Adelph
Holland - Farewell – 1996, Uitgeverrij de Arbeiderspers
Portugal – Obras de Carlos Drummond de Andrade (8 volumes) – Edições Europa América
Portugal - Antologia Poética - 2002, Dom Quixote 
Portugal - D. Quixote (il. de Portinari) – 2005, Dom Quixote
Portugal - Rick e a Girafa (no prelo), Campo das Letras
Portugal - História de Dois Amores– (no prelo), Campo das Letras
Portugal - Antologia Poética – (2007), Relógio D' Água (direitos revertidos)
Portugal - Claro Enigma - 2006, Livros Cotovia
Portugal - Contos de Aprendiz – 2015, Companhia das Letras Portugal
Portugal - O Amor Natural – 2016, Companhia das Letras
Portugal – A Rosa do Povo – 2017, Companhia das Letras
Romenia - Maşina lumii şi alte poeme - 2012, Humanitas
Spain - O Amor Natural – 2004, Ediciones Hiperion (direitos revertidos)
Spain - Sentimento Do Mundo (Sentimiento del Mundo ) - 2005 - Ediciones Hiperion (direitos revertidos)
Spain (Basque Country) - Carlos Drummond de Andrade - 2014, Susa
US: Multitudinous heart, selected and translated by Richard Zenith - 2014, Farrar, Straus & Giroux.
2002-Antologia Poética2012-Masina-lumii-si-alte-poeme2014 - França - La Mort Dans L'Avion & Autres Poèmes2015-spain-carlos-drumond-de-andrade2015-portugal-contos-de-aprendiz2016 - O amor natural2017 - A rosa do povo
 
Prêmios
Declaração de Amor - Altamente recomendável FNLIJ 2005

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Obras em Destaque

  • imagem

    Alguma Poesia

    Instituto Moreira Salles - 2010 - 389 págs.

    Edição especial e fac-similar

  • imagem

    Uma Pedra no Meio do Caminho

    Instituto Moreira Salles - 2010 - 344 págs.

    Biografia de um Poema


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