terça-feira 17 de outubro



27 DE OUTUBRO DE 2011 VOLTAR PARA LISTA DE ENTREVISTAS

Adriana Lisboa - Com leveza e profundidade

 
Adriana Lisboa fala sobre seus belos livros 
 

 
Adriana Lisboa: “A contenção e a sugestão podem ser mais eloquentes do que os berros”.
 
 
Márcio Vassallo
 
Você chegou há pouco do Festival Internacional de Literatura de Buenos Aires – FILBA. Em que sentido esse evento foi mais importante para você? O que nós mais precisamos aprender com os argentinos, o que os argentinos mais precisam aprender conosco?
ADRIANA LISBOA - Para mim foi incrível constatar mais uma vez como estamos distantes dos nossos vizinhos latino-americanos, e vice-versa. Mas ao mesmo tempo se viu, pelo menos no FILBA, um desejo grande de aproximação. O evento escolheu o Brasil como país homenageado e dedicou vários debates à literatura brasileira.  
 
Sobre seu romance Azul-corvo, o escritor Luiz Ruffato escreveu: “Rigorosamente todas as personagens de Azul-corvo estão em trânsito: o avô de Vanja, geólogo, radicado no Texas; a mãe, fugindo para o Novo México, voltando para o Brasil; Fernando, exilando-se no Colorado; as amigas da mãe, June, meio inglesa, meio índia, e Isabel, porto-riquenha; a avó americana de Vanja, Florence, que deixou os Estados Unidos pelo México, onde se casou, e depois pela Costa do Marfim; e Carlos, o simpático salvadorenho, cuja família permanece ilegalmente nos Estados Unidos até se mudar para a Flórida. Todos, sem exceção, se tornam inesquecíveis, magnificamente pintados pela escrita sóbria, elegante e segura que caracteriza e identifica Adriana Lisboa”. Como as personagens de Azul-corvo começaram a transitar no seu pensamento?
ADRIANA - Tudo começou com Vanja, que de cara ditou o tom da narrativa – foi talvez a narradora mais forte com que já trabalhei nos meus livros.
 
Trecho do texto do jornalista e escritor José Castello publicado no caderno Prosa & Verso, do jornal O Globo, comentando o teu Azul-corvo: “A delicadeza leva Adriana Lisboa a manipular o tempo como se ele fosse um velho cuco que, por defeito, por vício, por magia, registrasse horas diferentes e simultâneas”. Você acha que para escrever com delicadeza um escritor precisa viver desta forma?
ADRIANA - Eu olho com certo pudor para essa palavra “delicadeza”. Acho importante não tingir esse conceito com algo no sentido da fragilidade e da ligeireza (e portanto da superficialidade e da inconsistência). De todo modo, a delicadeza nunca foi um projeto estético ou de vida para mim, e muitas vezes não me identifico com o que dizem sobre o meu trabalho ou sobre mim, nesse sentido. Eu escolheria como norte antes a gentileza, o respeito, a dedicação, a humildade. E a leveza, no sentido em que a tomou Italo Calvino. Talvez esses valores, quando reunidos num saco, possam apontar para uma impressão de delicadeza genérica. Meu convívio com os haikais japoneses me ensinou a buscar uma postura estética que tem mais a ver com o não preenchimento de espaços vazios. Também penso numa espécie de “desdramatização do drama”, que seria retirar do texto o peso narrativo das situações que já são por si pesadas. Mas isso não é para torná-las mais palatáveis ou bonitas: é apenas porque a contenção e a sugestão podem ser mais eloquentes do que os berros. É como manter uma corda tensa. Na minha vida cotidiana, talvez uma tentativa de tornar consciente e respeitosa minha relação com o outro (pessoas, bichos, objetos) dê a impressão de que sou uma pessoa delicada. Eu diria apenas que sou – ou procuro ser – atenta. 
 
Bem atento, também dentro desse tema, o escritor e professor de literatura Gustavo Bernardo publicou um texto na revista virtual Paralelos: “(...) suspeito que a delicadeza tão anunciada de Adriana Lisboa seja verdadeira, sim, mas esconda uma agressividade surda, fundamental e, por isso mesmo, perigosa, a trabalhar nas entrelinhas, nos subterrâneos, nas incompreensões (...). O livro (Caligrafias) é de fato suave, quando folheado pela primeira vez, mas começa a perturbar, quando lido por uma segunda vez, com um pouco mais de atenção”. Na literatura e na vida, você acha que há delicadezas perturbadoras e perturbações delicadas?
ADRIANA - Não há a menor dúvida. Gustavo Bernardo levantou uma lebre muito importante. A verdade é que dificilmente o delicado e o perturbador ou agressivo serão uma coisa só, pura. Sabe a expressão “tapa com luva de pelica”? Pois é. De todo modo, “o sol doira sem literatura,” sem delicadeza e sem agressividade.
 
Pensamento seu: “Queria fazer na ficção o que Bandeira fez na poesia: ser de uma simplicidade cheia de emoção, mas sem transbordar – você já declarou, explicando que Um Beijo de Colombina representou um exercício de contenção e essencialidade. Conter para expressar, ou expressar sem conter? Qual desses exercícios costuma ser mais difícil para você?
ADRIANA - Conter para expressar. Eu não sou uma pessoa de bom poder de síntese, minha tendência é explicar várias vezes a mesma coisa, e preciso fazer o exercício consciente da contenção. Uma das frases que mais escuto do meu filho é “Mãe, você já me disse isso.” 
 
Em matéria publicada no jornal Estado de Minas, o jornalista e escritor Carlos Herculano Lopes escreve: “Para quem acha que a literatura brasileira está no marasmo e não tem se renovado, uma boa dica é ler Adriana Lisboa (...)”. No momento em que começa um novo livro, o que você faz para se renovar? 
ADRIANA - Quando um livro termina, acho impossível repeti-lo mais adiante. O tema que me interessava nele, pelo menos em suas especificidades, se esgotou, os personagens ficaram ali. É claro que sou uma pessoa só e tenho meu próprio estilo, temas recorrentes etc. Mas não chego nem mesmo a reler meus livros já publicados, a menos que seja obrigada (para uma tradução, reedição). Quando o livro termina, ele fica no passado e as coisas são dali para frente. Sabe a história de ser impossível entrar duas vezes no mesmo rio?
 
Você nasceu no Rio de Janeiro, morou na França, mora nos Estados Unidos, e passou algum tempo no Japão. Os seus livros também foram publicados em Portugal, na França, nos Estados Unidos, na Itália, no México, na Argentina, na Suíça e na Suécia, e estão sendo traduzidos na Espanha e na Romênia. De que forma essas experiências e conquistas no exterior mexeram e ainda mexem com o teu interior?
ADRIANA - Já mexeram muito, hoje em dia mexem menos. Outro dia me chamaram de globe-trotter; com o perdão pelo chavão, isso tem, como tudo mais, um lado muito bom e um lado ruim. Aprendi a relativizar ambos – tenho recusado muitas viagens hoje em dia para poder ficar mais em casa. Talvez também por isso minha casa seja cada vez mais simples e eu tenha menos necessidade de me cercar de objetos e até mesmo livros (tenho doado muitos). A experiência de estar longe de casa mudou; a experiência de estar em casa também. Hoje, a casa em que escolhi viver não fica no país onde eu nasci, e a língua que falo cotidianamente, na rua, não é a língua em que escrevo, mas isso não é  um problema.  
 
Pela Publifolha, você publicou a novela O coração às vezes para de bater, adaptada para o cinema por Maria Camargo. Sua obra se completa com três livros infanto-juvenis: Língua de trapos (2005), A sereia e o caçador de borboletas (2009), ambos ilustrados por Rui de Oliveira, e Contos populares japoneses (2008), ilustrado por Janaína Tokitaka. Que coisas mais fazem o seu coração parar de bater, e desembestar, ao mesmo tempo, Adriana? 
ADRIANA - Abrir o jornal de manhã faz as duas coisas. Sei que estamos cercados por um mundo belo e terrível. Como é que a gente convive com certas coisas, como lidamos com a informação de que na Somália 750 mil pessoas estão a ponto de morrer de fome no exato momento em que nos sentamos à mesa para comer? É preciso força e seriedade para viver num mundo de tantos abismos, e ainda olhar pela janela e admirar as nuvens, ou saber sorrir para uma criança que vem brincar com a gente – que são coisas que precisamos fazer, também. Escrever me ajuda a perceber isso, me ajuda a entrar em contato com tudo isso e o meu grau – imenso – de responsabilidade diante do outro e de mim mesma. 
 
Com toda essa responsabilidade, para escrever O Beijo de Colombina, você se baseou em poemas do Manuel Bandeira, e selecionou cerca de vinte textos que vão tecendo o livro. Alguns dão nomes a personagens, outros a situações, outros a lugares, e a ação vai se costurando por aí. Sobre o Manuel Bandeira, você já disse: “Ele representa uma das minhas principais escolas porque tem um apreço enorme pela simplicidade que é algo que eu persigo”. Para você, o que é essencial nessa sua busca pela simplicidade?
ADRIANA - A consciência de que menos é mais. A verborragia não serve para nada além de causar náusea, e um texto derramado, hiperbólico, periga resvalar para o melodramático e o ridículo. Por isso, com Bandeira e também com outros autores, sobretudo poetas – João Cabral, Bashô – tenho prestado muita atenção na lição da simplicidade e de dizer o essencial dizendo o mínimo. 
 
Editor do jornal literário Rascunho, de Curitiba, Rogério Pereira já disse que você faz uma literatura de diversas leituras, com muitos cortes e compreensões. “Quando digo que o amor e a morte guiam a obra de Adriana, acompanha-os a desilusão e a tristeza, como não poderia ser diferente. No emaranhado, sobressai-se também a família, esta monstruosa organização e suas idiossincrasias. Outras palavras do Rogério publicadas no Rascunho: “Sinfonia em branco é um grande romance, para ser lido e relido, com um novo encantamento a cada leitura”. Quando abre um livro para ler, o que provoca em você um novo encantamento a cada linha? 
ADRIANA - O que me encanta, sempre, é o poder do autor de torcer a língua para que ela se transforme na “sua” língua. É, em outras palavras, enxergar ali uma voz que é única e que só poderia pertencer àquele autor.
 
Mais um pensamento seu:  “Acho que a literatura, como a arte, não deve responder perguntas, mas apenas fazê-las. No meu caso, mais do que fazer perguntas trata-se de sublinhar determinadas coisas, falar de uma humanidade que é completamente contraditória, às vezes adorável, delicada, às vezes desprezível, cruel, tudo isso junto. Mas tenho tentado evitar as cores fortes, elas me agradam cada vez menos. Com a poesia de Manuel Bandeira eu aprendi que é possível associar afetividade, compaixão, poesia, sensualidade, simplicidade”. Que outras possibilidades a poesia te abre, te ensina, te provoca?
ADRIANA – Sou fascinada por poesia. Acho que a grande potência criativa de qualquer língua está ali. Quando comecei a escrever, ainda criança, foi poesia, e há mais de trinta anos venho fazendo isso. Para mim, a poesia é a pura experiência estética do mundo transformada em palavras, com um tema enxugado ao osso. Com ela eu aprendo o respeito profundo a ambos – ao mundo, às palavras. Por isso para mim é mais difícil escrever poesia do que prosa, e mais difícil sobretudo ter um olhar crítico sobre a minha poesia: não há sombras onde me esconder. E parte da dificuldade da poesia está, também, em falar dela.
 
Sombras à parte, ou incluídas, para você, o que é um dia cheio de poesia?
ADRIANA - Qualquer um. Qualquer coisa é digna de ser olhada e qualquer coisa está plena de significado. Desde um avião que explode a uma aranha no jardim. E a poesia para mim está em olhar para essas coisas respeitando inclusive seu grau de silêncio e de intraduzibilidade.
 
Outra declaração sua para o jornal Rascunho: “Tudo na minha vida acontece por via das palavras. Causa ou consequência disso, fiz nove anos de análise freudiana. Quando vejo uma paisagem bacana, penso logo em como descrevê-la com palavras. Por isso a música não deu tão certo na minha vida. Eu escreveria mesmo que não pudesse publicar, como escrevo desde os nove anos de idade. Mas na verdade todos sabemos que a manifestação artística, em qualquer área que seja, é uma necessidade humana desde tempos imemoriais e não deveria ser um privilégio de uma elite intelectual e econômica. A gente quer comida, diversão e arte. E literatura”. Qual a grande serventia da literatura e da arte em geral, no cotidiano da gente? 
ADRIANA - Um dito de Fernando Pessoa que vivo citando: “a literatura, como toda arte, é uma confissão de que a vida não basta.” E não basta, nem para mim, nem para você, nem para as meninas na Somália nem para o Mark Zuckerberg. Existe a necessidade de um “algo” que extrapola a nossa vida material e cotidiana, e que circula (também) pelos planos da fantasia e da invenção. Penso que é por isso que a arte é essencial à existência humana, e é o fato de termos construído uma sociedade marcada pela desigualdade e por valores esquisitos – a pessoa prefere ter o celular do ano a ler um bom livro – que a torna privilégio de poucos.
 
Você de novo: “É impossível obter das palavras a exatidão que queremos, mas continuamos tentando”. Será que a frustração é uma das molas da criação?
ADRIANA - Sem dúvida. Não existe texto pronto, texto perfeito, e é isso o que nos faz continuar escrevendo. Isso não significa, claro, que não possamos ter satisfações momentâneas com as nossas imperfeições, que são o que nos humaniza.
 
Mais uma constatação sua: “O escritor tem forças, como o ecologista. Sentimo-nos impotentes quando nos imputamos responsabilidades ou tarefas vastas demais. A pretensão mata, esteriliza, imobiliza. Dar bom-dia às pessoas já é uma excelente maneira de começar a mudar o mundo”. Quais as outras maneiras que você recomenda para a gente mudar o mundo?
ADRIANA - Infelizmente essa expressão “mudar o mundo” virou um clichê completamente esvaziado de sentido. A verdade é que ninguém muda o mundo, num sentido estrito, e todos mudam o mundo o tempo inteiro. Porque tudo o que acontece integra a cadeia de eventos do mundo e, assim, o altera – ainda que seja uma folha de grama. Acho que isso nos confere uma responsabilidade inimaginável e penso que é preciso viver segundo essa responsabilidade. Um exemplo: os nossos hábitos de consumo. A nossa sociedade é calcada num sistema de valores completamente torto, que prega a constante insatisfação para que o indivíduo, que só conta enquanto consumidor, conjugue o verbo querer 24 horas por dia. Nada basta, nunca. É uma doença que extrapola a nossa espécie e atinge as outras, e o planeta, que no processo é sucateado. Consumir só o essencial é uma das atitudes mais revolucionárias que tenho condições de conceber, e para isso não é preciso frequentar igrejas, escrever manifestos ou fazer passeatas.
 
Numa entrevista para o site da Saraiva, você disse: “Quando eu era pequena, para mim, pensar em ser escritor era como pensar em ser astronauta, uma coisa meio fora da realidade. Em que momentos você acha que ser escritor, no Brasil, ainda é um pouco como ser astronauta? Às vezes isso acontece contigo? 
ADRIANA - Hoje em dia não tenho mais essa impressão. Muitas vezes, quando me perguntam minha profissão e digo “escritora,” quase sempre escuto a seguir “escritora do quê?”, e digo “livros de ficção, romances, essas coisas”. Às vezes as pessoas acham interessante, às vezes não dão a mínima. Outro dia o oficial de imigração no aeroporto de Charlotte me disse, depois de um diálogo semelhante a esse, que não gostava de ler, não conseguia se concentrar, preferia ver filmes. Gosto muito de desglamourizar a atividade do escritor. Tendemos a ter egos imensos, o que se constata em qualquer FLIP. É preciso descer à terra. Nós escritores – e, aliás, os astronautas também – temos dores de cabeça, de barriga, de cotovelo e tudo mais. E no Brasil ainda por cima nem temos o glamour da grana: precisamos dar um duro danado para ganhar a vida.
 
Por sua vez, em que momentos ser escritor no Brasil te deixa emocionada, confiante, entusiasmada, orgulhosa, sensibilizada? 
ADRIANA - Hoje em dia o que me deixa contente com a escrita é saber que me esforcei, que me dediquei a ela, como a qualquer trabalho que requer afinco, persistência e humildade – livros não caem prontos do céu com a famigerada “inspiração.” E saber que de algum modo o resultado desse esforço, desse trabalho, que sem o leitor seria apenas um punhado de papel, encontrou significado com a leitura de alguém. Não precisa ser muita gente. Costumam me emocionar histórias individuais, relatos de leitura que ouço ou que as pessoas me mandam por email. Isso tem um valor imenso, porque as pessoas não são números de vendas, elas existem de verdade.
 
Declaração sua: “Escrever é fazer daquilo que me dá prazer a atividade central da minha vida”. O que mais te seduz na atividade central da tua vida? 
ADRIANA - Escrever é algo que me acompanha faz muito tempo. Escrever e escrever para publicar são duas coisas que dão no mesmo, uma não se distingue da outra. O importante nessa atividade é manter hoje a mesma relação de fascínio e encantamento que eu tinha diante da escrita aos nove anos de idade. Não me deixar enganar pela engenhoca do mercado. No dia em que eu achar que essa relação saudável acabou, acho que paro de escrever e vou fazer outra coisa – trabalhar com os orangotangos em Bornéu, sei lá. 


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