Genêro do Autor: Saúde e Teatro, Cinema e TV

Oswald de Andrade

6 de dezembro de 2019

Sobre o autor

Se a primeira fase do Modernismo brasileiro foi marcada essencialmente por sua força destrutora com relação às correntes artísticas que a precederam, entre seus personagens proeminentes ninguém exerceu melhor esse papel do que Oswald de Andrade, um iconoclasta por natureza. Autor de manifestos, poemas, romances, peças teatrais, crônicas, ensaios e textos jornalísticos, Oswald protagonizou o movimento cultural que alterou a feição artística do país, desde o marco-fundamental da Semana de 22, e se tornou uma figura-chave para compreender os rumos socioculturais do Brasil do século XX.

Seu legado —  em obras como os manifestos Poesia do Pau-Brasil e o Antropófago, o livro de poesia Pau-Brasil, o primeiro essencialmente moderno do país, entre outros —  influenciou o Teatro Oficina, de Zé Celso Martinez Corrêa, o Cinema Novo, de Glauber Rocha, a Tropicália, capitaneada nos anos 60 por Caetano Veloso, Gilberto Gil e Tom Zé. Além disso, podem-se apontar ecos da obra oswaldiana no Concretismo dos irmãos Campos, na poesia de Drummond e na prosa de Guimarães Rosa.

Oswald de Andrade nasceu em São Paulo, em 1890, cidade onde veio a falecer em 1954, aos 64 anos. Casou-se, em 1926, com a pintora Tarsila do Amaral, que ilustrou seu primeiro livro de poemas, Pau-Brasil. Ao lado de Tarsila, fundou o Movimento Antropófago, disseminado pela Revista de Antropofagia, em que desenvolveu o conceito fundamental de seu projeto artístico para a produção de uma arte genuinamente brasileira, a partir da canibalização da cultura estrangeira. Só assim seria possível dar origem a uma expressão artística essencialmente original. Em 1929, separou-se de Tarsila e rompeu com o amigo e parceiro dos ideais modernistas da juventude, Mário de Andrade. Em 1930, apaixonado pela escritora e militante comunista Patrícia Galvão, a Pagu, com quem se casou, passou a militar nos meios operários, ingressando, em 1931, no Partido Comunista, em que permaneceu até 1945.

São desse período as obras mais marcadas ideologicamente, como o romance Serafim Ponte Grande, os dois volumes de Marco zero e a peça teatral O rei da vela. Após romper com os comunistas, retomou as ideias antropofágicas, em produções como a tese A crise da filosofia messiânica e a série de artigos A marcha das utopias, de 1953. Em 1944, mais um casamento, agora com Maria Antonieta D’Alkmin. Meses antes de sua morte, lançou o primeiro volume de suas memórias, Um homem sem profissão: sob as ordens da mamãe, que ganhou nova edição pela Companhia das Letras em 2019. Autor homenageado da FLIP de 2011, Oswald de Andrade continua a desafiar o Brasil, com a sua utopia de país, diverso, original e único.

 


Citações

“Um jorro de humor, ironia, sarcasmo e a síntese verbal.”
Antonio Candido, sociólogo, crítico literário e professor, sobre Oswald de Andrade

 “Pela qualidade, não vejo os poemas como exercícios. Eles estão sintonizados com vários momentos da poesia, em especial os da década de 1920. Mas não sabemos a razão de não terem sido publicados.”
Luiz Schwarz, editor e presidente da Companhia das Letras, sobre Poesias reunidas (Companhia das Letras)

“Oswald de Andrade (1890-1954) não foi só figura de proa do modernismo brasileiro e um dos nossos maiores escritores e dramaturgos, autor de obras-primas como ‘Memórias sentimentais de João Miramar’ ou “O rei da vela”. Ele desenvolveu também longa e fecunda militância jornalística, colaborando com diversos veículos, na posição de cronista engajado nas principais polêmicas políticas, estéticas e culturais de sua época.”
Folha de S. Paulo, sobre Oswald de Andrade

“Na verdade, o tema da antropofagia, de uma maneira geral, passou a ocupar um espaço significativo na produção artística brasileira do período. Poetas como Torquato Neto e Waly Salomão, cineastas como Nélson Pereira dos Santos, Glauber Rocha e Joaquim Pedro de Andrade, artistas plásticos como Glauco Rodrigues, Lygia Clark e Hélio Oiticica, diretores de teatro como José Celso Martinez Correa e, principalmente, a tropicália, repensaram e atualizaram a questão.”
Estado de Minas, sobre Oswald de Andrade

“A ideia de antropofagia é tão corrente que se diluiu. Se voltamos aos textos de Oswald, vemos que não se trata de livre associação ou devoração pela devoração. Para ele, antropofagia se trataria de uma escolha mais cuidadosa. Ele nos obriga a ler literatura de outros lugares. Temos que pensar que ele instalou outros critérios. É um autor extraordinariamente contemporâneo.”
José Miguel Wisnik, escritor, compositor, ensaísta, sobre Oswald de Andrade
 

 


 

Leia mais

Matéria da Folha de S. Paulo Poesias reunidas (Companhia das Letras)

Depoimento de Antonio Candido na FLIP de 2011 que homenageou Oswald de Andrade

Jorge Andrade

6 de dezembro de 2019

Sobre o autor

Paulista de cidade de Barretos, Aluísio Jorge Andrade Franco, mais conhecido como Jorge Andrade, nasceu em 21 de maio de 1922, e iniciou a carreira no teatro após ser apresentado, nos anos 50, à atriz Cacilda Becker. Foi, acima de tudo, um dos mais importantes dramaturgos brasileiros. A peça Os ossos do barão permanece até hoje como uma referência dos anos áureos do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC).

A estreia profissional deu-se em 1954 com A moratória, à qual se seguiram várias peças de sucesso, como Vereda da salvação e Pedreira das almas. Publicou, em seguida, a compilação do seu ciclo dramático, Marta, a árvore e o relógio, obra em que narra a formação da sociedade paulista e brasileira. Em 1973, escreveu sua primeira telenovela, Os ossos do barão, exibida pela Rede Globo. Tornou-se incompreendido em O grito, novela que esteve no ar entre 1975 e 1976, e gerou uma reação contrária do público conservador.

Em 1978, publicou o romance autobiográfico Labirinto, e, em 1979, escreveu a novela Gaivotas para a TV Tupi. Seus últimos trabalhos na televisão foram para a TV Bandeirantes, na primeira metade da década de 1980 – entre eles, a elogiada novela Ninho da Serpente. Jorge Andrade faleceu em 13 de março de 1984, em São Paulo, vítima de uma embolia pulmonar, deixando uma obra cuja principal característica é uma profunda reflexão sobre a formação da sociedade brasileira, desde as primeiras bandeiras até a derrocada das oligarquias paulistas nas primeiras décadas do século XX.

 


 

Citações

 “Um autor da maior importância, com uma imensa obra já realizada e muito a realizar (…) sua dramaturgia teve para as décadas de 50 um papel similar ao de ‘Vestido de Noiva’ na década de 40.”
Fernanda Montenegro, sobre Jorge Andrade

“Para Jorge Andrade o teatro era uma procura da verdade. No seu caso, procura do que significava o mundo onde nasceu, de fazendeiros em crise econômica e social, sofrendo o choque do progresso urbano, sem entenderem bem o que estava acontecendo. Daí ele partiu para descrever as raízes desse mundo e procurar compreender como os seus valores tinham-se formado. Neste percurso descobriu o ângulo do oprimido, daquele cujo trabalho forma a base das prosperidades alheias”
Antonio Candido, sociólogo e crítico literário, sobre Jorge Andrade

“Jorge Andrade revela ambição literária superior a maioria dos dramaturgos brasileiros contemporâneos.”
Anatol Resenfeld, crítico e teórico de teatro, sobre Jorge Andrade

 “Jorge Andrade abriu definitivamente seu espaço na cena teatral brasileira com ‘A Moratória’, encenada, em 1955, no Teatro Maria Della Costa. Sua obra seria um painel preciso e compassivo da formação, crise e fim da aristocracia cafeeira paulista.”
Jefferson Del Rio, crítico de teatro, sobre Jorge Andrade