13 de novembro de 2009

Nosso Grão mais Fino

Dois amantes conversam durante encontros nos quais evocam a diluição das próprias famílias. No curso de várias madrugadas, Ana – uma escritora de estórias infantis – reavalia o desaparecimento de seu pai durante uma viagem de zepelim. Ela recebe do amante os detalhes deste acidente que lhes alterou o rumo da vida. Vicente, seu narrador apaixonado, faz das memórias de ambos um palco livre demais. Sua devoção à química de açúcar e à parentela ausente leva-o a transformar pessoas e eventos em um modo de revolver um passado cheio de fúrias. Ele se divide entre o êxtase incestuoso e a dedicação à indústria familiar. Aos poucos Vicente se isola na companhia imaginada de figuras grandiosas, que impõem a Ana um casamento malogrado. Anos após a separação dos amantes, eles ainda se lembrarão do zepelim, de uma caçada falida junto a um irmão rarefeito, do relógio de um tio-avô arcebispo e, afinal, da viagem de volta à usina que primeiro os uniu. Ao longo de quarenta anos, no repasso que Vicente faz da vida, a mistura de comiseração e fantasia surge como a forma mais bruta de se amar à distância.

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