18 de novembro de 2013

O evangelho segundo Hitler

Jorge Luis Borges, um argentino octogenário radicado em Berlim, viaja a Genebra para se vingar de seu maior inimigo: o igualmente octogenário, o famoso escritor argentino Jorge Luis Borges. Desde a infância essa coincidência antroponímica foi a semente, agora transformada em árvore, do rancor que germinou e dominou a mente perturbada do Borges obscuro. Como na literatura borgiana, em que rivais arquetípicos dedicam suas vidas a invisíveis batalhas, O evangelho segundo Hitler apresenta o embate entre Borges e… Borges – o outro. A existência de homônimos deflagra uma série de equívocos. Para impressionar a mulher amada, Borges, o obscuro, se faz passar pelo escritor famoso e se envolve com uma seita alemã, que vê em seus escritos (nos escritos do outro) profecias para a Humanidade: é preciso existir um Judas para que exista um salvador. Numa comédia de erros, os textos de Borges (e suas interpretações corrompidas) são acolhidos calorosamente por sociedades alemãs pré-nazistas e chegam até o ouvido daquele que melhor pode encampar a função de Judas: Adolph Hitler.
O evangelho segundo Hitler é um romance-enigma, em que um dos contos do Borges célebre, “Três Versões de Judas”, da coletânea Ficções, é ardilosamente associado à ascensão de Hitler e do Terceiro Reich. A trama mirabolante, envolvendo coincidências e plágios, religião e conspiração, é um tributo ao cosmo labiríntico do grande escritor portenho. É, ainda, um chamado a uma leitura mais crítica e atenta às tantas conspirações e interpretações equivocadas que nos são postas. Na literatura e na vida.

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