Genêro do Autor: Filosofia

Millôr Fernandes

21 de novembro de 2018

Sobre o autor

É difícil encontrar uma definição que caiba em Millôr Fernandes, assim como evitar um trocadilho com o seu nome, tão particular quanto sua personalidade sui generis. Mas, se algo pode ser dito sobre os atributos do Guru do Méier, é que Millôr foi genial em tudo que se propôs a fazer, seja como desenhista, prosador, poeta, humorista, dramaturgo, tradutor ou jornalista.

Nascido no Rio de Janeiro, em 1923, Millôr ficou órfão de pai e mãe na infância e ainda jovem começou a trabalhar na revista O Cruzeiro, iniciando precocemente uma trajetória brilhante pela imprensa brasileira, onde deixaria sua assinatura inconfundível nos principais veículos de comunicação do país. Em mais de 70 anos de carreira, produziu de forma prolífica, destacando-se em publicações como Veja, O Pasquim e Jornal do Brasil e a Pif-Paf, esta última uma versão ampliada e em formato revista da seção homônima que manteve com grande sucesso em O Cruzeiro.

Em seus trabalhos, exercia a ironia e a sátira para criticar o poder e as forças políticas, sendo constantemente confrontado pela censura. Com uma personalidade livre e sem se dobrar a posições ideológicas pré-concebidas, foi um desbravador no panorama cultural brasileiro ao se dedicar ao cartum e à ilustração com igual tenacidade que à tradução de Shakespeare, de quem verteu para o português as principais obras, Tchékov ou Ibsen. No teatro, além das adaptações dos grandes clássicos, escreveu com Flávio Rangel Liberdade, liberdade, um marco da resistência cultural à ditadura. Ia, aliás, do aforismo ao haikai, da fábula à dramaturgia com a mesma desenvoltura de quem vai às areias de Ipanema para jogar frescobol, esporte que muito se orgulhava de ter inventado.

Com a saúde fragilizada em 2011, após sofrer um acidente vascular cerebral, morreu em março de 2012, aos 88 anos, deixando uma obra que desafia o tempo e as classificações, em livros como A verdadeira história do paraíso, A Bíblia do caos, Fábulas fabulosas e Trinta anos de mim mesmo. Em 2014, foi o autor homenageado da FLIP, que destacou a versatilidade e o humor do artista. Pouco depois de sua morte, sua extensa obra gráfica foi incorporada ao acervo do IMS, que organizou, em 2016, a primeira retrospectiva dedicada aos desenhos de Millôr Fernandes, composta por 500 originais, dos autorretratos à imensa e importante produção do Pif-Paf.

 


 

Citações

“Millôr, duas sílabas fortes, desconcertantes e gentis, cuja rima pode ser flor e também dor. Os olhos eram de águia, mas, também de pintassilgo, colibri, sabiá.”
Fernanda Montenegro, atriz, sobre Millôr Fernandes

 “Foi o cara que mais admirei na vida.”
Jaguar, cartunista, sobre Millôr Fernandes

“Nunca conheci ninguém tão inteligente quanto ele, e tão destemido para pensar.”
Claudius Ceccon, cartunista e humorista, sobre Millôr Fernandes

“O tamanho do Millôr é o tamanho do trabalho de quase 70 anos de gerente de vigilância da coisa pública. Foi o vigia, o ganso do capitólio, vigiando com coragem.”
Cassio Loredano, desenhista e caricaturista, sobre Millôr Fernandes

“Mas então, em 1965, o democrata e anticomunista Millôr Fernandes enfrentava a duras penas os novos tempos, sempre atrasado.”
Folha de S. Paulo, sobre o lançamento de Teatro completo de Millôr Fernandes (L&PM)

 


 

Leia mais

Texto de Fernanda Montenegro no Blog do IMS sobre Millôr Fernandes

Fernanda Montenegro fala sobre Millôr Fernandes

Autor homenageado da FLIP 2014

Acervo de Millôr Fernandes no IMS