15 de novembro de 2005

Restou o Cão

As 25 histórias de Restou o Cão e outros contos têm em comum um olhar feminino nas narrativas sem que, com isso, ceda a ideias preconcebidas de feminilidade. Nas primeiras histórias, crianças desvendam um mundo que ainda não compreendem, mas do qual intuem que logo farão parte. Esse olhar não é mais o da infância idílica, mas uma visada em que se percebem os primeiros laivos de corrupção ou maldade, como no conto Madame Rapunzel, em que uma garota acompanha a mãe a uma consulta à cartomante, ou em Saco, em que uma mãe aplica lições ao filho entediado.
À medida que o livro avança, os contos passam a tratar de adultos dilacerados pela dificuldade de se relacionar com quem está à volta – como a esposa abandonada e rancorosa do conto Restou o cão. Há ainda personagens que vivem amores frustrados, relações de traição e crueldades, retratados com força e sensibilidade.
Os textos são apresentados em uma ordem que parece espelhar o ciclo natural, da infância para maturidade e daí para a velhice. É como se as sementes de absurdo semeadas na infância dos primeiros personagens rebentassem em dor e fúria para depois murchar rancorosamente – não mais com violência, mas com cansaço, como no casal de velhos de Os Sessenta.

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