7 de outubro de 2021

A cantora lírica e o magnata

Marina Colasanti reconstitui em Vozes de batalha a trajetória de Gabriella Besanzoni, sua tia-avó, e recupera a história da construção do Parque Lage.

Por Felipe Maciel

Rua Jardim Botânico, 414, Rio de Janeiro – o atual Parque Lage. É neste endereço, cercado pela mata exuberante, ao sopé do Corcovado, onde se ergue o imponente palacete em estilo eclético romano, construído nos anos 1920 pelo empresário Henrique Lage como local de residência para ele e sua mulher, a cantora italiana de ópera Gabriella Besanzoni.

Este é também o cenário principal de Vozes de batalha (Tusquets), novo romance de Marina Colasanti, que cruza a memória e a ficção. Sobrinha-neta da cantora lírica, a escritora nascida na Eritreia veio para o Brasil em 1948 e residiu até a adolescência na mansão de sua tia-avó.

Gabriella interpretou Carmen, Dalila, Amneris, Adalgisa, Lola, entre tantas outras célebres personagens nos grandes palcos do mundo – de Roma a Paris, de Buenos Aires ao Rio de Janeiro, passando por Montecarlo, Veneza, Havana, Lima, Chicago e Nova York. Foi amante de Arthur Rubinstein, mas foi o magnata Henrique Lage quem, com muita insistência, a conquistou.

Em seu palacete, a contralto abrigou animados saraus e eventos sociais nos quais se apresentava aos convidados tocando piano e cantando. A elite carioca desfilava pelos salões e jardins tropicais.

Esta é a história de uma mulher à frente de seu tempo que instigou também o embate entre interesses poderosos, como a disputa entre Carlos Lacerda e Roberto Marinho pelo futuro do Parque Lage, em meio a interesses duvidosos.


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