21 de setembro de 2021

As novas facetas da literatura jovem

Por João Schlaepfer

O ano era 2019 e Vinicius Grossos acompanhava o fim da Bienal do Livro daquele ano. Ali já programava o lançamento do romance Feitos de sol: Um amor capaz de incendiar o mundo (Faro), que viria poucos meses depois.

Aos 26 anos, com uma série de romances românticos e uma coleção de participações em antologias, naquele mesmo 2019 ensaiava sua próxima história: tomou a decisão de dar um passo além em sua carreira de escritor se lançando ao desafio de redigir uma narrativa longa que abordasse assuntos até então nunca trabalhados por ele.

Vinicius mergulhou em referências e se voltou à célebre onda de filmes adolescentes dos anos 90, encabeçada por Clube dos Cinco. Temperou esse tipo de contação de história com séries contemporâneas, como Euphoria, de onde absorveu importantes elementos que integram seu novo livro Não foi por acaso (Companhia Editora Nacional). O autor conta que a relação entre a forma que a narrativa é organizada e sua relação com a construção das personagens foi uma referência para começar a montar sua trama.

Com a reclusão espacial de Clube dos Cinco e o passado impresso no presente de Euphoria, Vinicius achou o gatilho que precisava para desenvolver seus personagens: adolescentes de diferentes universos presos no mesmo espaço.

Mas isso não bastava. Faltava a ele uma assinatura própria, um ponto de vista que o desafiasse a romper as fronteiras de tudo que já sabia fazer – e sempre fez muito bem. Assim, o narrador em primeira pessoa deu lugar ao destino, narrador que não negocia e nos arrebata, mas que porta também sua ironia e um cansaço de quem nunca descansa.

O destino explica que sempre tivemos várias oportunidades de aprender, de tomar decisões que mudariam nossas vidas, mas sempre as ignoramos ou não assumimos a responsabilidade de alterar nossos rumos. Mas e se, de alguma forma, não fosse possível ignorar? Não fosse possível escapar e nos víssemos presos a um lugar e um momento em que somos obrigados a encarar a própria realidade e, quem sabe, tomar uma atitude sobre ela?

Presos por cerca de uma hora no elevador de um hospital, Helena, Miguel e Fernando precisam enfrentar o destino. Por diferentes razões, o destino os levou para o mesmo elevador, esse espaço recluso em que contrapõem suas realidades e vivências particulares.

Que resposta buscam? Quem visitam? Por que estão ali? Cada um com seu motivo, os três personagens se deparam com um choque cultural que os obriga a evoluir. Junto aos protagonistas, o leitor é levado para dentro daquele elevador, com uma sensação de tempo fidedigna à realidade dos personagens. Entre presente e passado, questionamentos e certezas, o destino aperta os botões.

Agora, teremos o prazer de saber em qual andar estamos presos. O livro, que até o início desta semana estava em pré-venda, acaba de ser lançado oficialmente.

Vinícius saiu da zona de conforto, se lançou a novos temas e formas de narrar e foi surpreendido pelo acolhimento do público. A pré-venda da obra figurou no topo do ranking de mais vendidos do gênero, prova de que, como ele mesmo diz, seus leitores estão de coração aberto para conhecer novas facetas de sua literatura.

Não foi por acaso é um livro tocante, que começou a traçar seu destino antes mesmo de chegar às livrarias.


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