4 de outubro de 2018

Cravos

A experiência da leitura deste livro aproxima-se à de um balé do qual se faz parte como espectador bailarino, deslizando-se da densidade de um encontro incendiário às lágrimas que inundarão os olhos em horas impróprias. Uma voz fala de contatos intermitentes (em palcos e na vida) como quem divide segredos e confessa um atraso. Mas, quando se expressa, reorganiza o tempo e já não há espaços vazios. Mesmo quando as engrenagens do corpo rangem, uma desmedida de afetos inventa o possível no romance impossível. Suspendem-se assim os hiatos entre a mulher de dedos longos que contam notas de dinheiro encharcadas e o homem que enxerga ali uma dança de Pina Bausch – e entre eles e nós.


Share

Outras Notícias

Entre línguas, experimentações e deslocamentos

Em “O lado de lá” e “Quem sabe dançar”, Paloma Vidal […]

leia mais
Mateus Baldi investiga o legado de Transa, álbum fundamental de Caetano Veloso

Por Felipe Maciel e Rodrigo Batista Depois de organizar a antologia […]

leia mais
Memória, território e mulheres no centro da narrativa

Em seu primeiro romance, Bethânia Pires Amaro entrelaça ficção e história […]

leia mais