10 de novembro de 2010

O leitor fingido

Flávio Carneiro mostra nessa seleção de ensaios a rica relação do leitor com a leitura, o texto e o autor. Relação que surge nas impressões que o texto provoca no leitor, nos detalhes de uma trama policial, na força emocional de um poema ou de um romance, na crítica política que se pode encontrar nas entrelinhas de um conto, entre tantas outras formas. O livro é de ensaios, mas conta com um personagem, chamado de “leitor”, que atravessa as narrativas e aproxima a obra do leitor real. Carneiro vai além da palavra escrita, refletindo também sobre outras linguagens, como a cinematográfica.
A segunda parte do livro – Álbum de retratos (o leitor em branco & branco) – mostra ensaios curtos sobre personagens leitores, espelhados em personagens e obras da predileção de Flávio Carneiro. Em “O leitor amoroso”, por exemplo, Carneiro toma por base o conto “Felicidade clandestina”, de Clarice Lispector, para analisar a relação quase erótica entre a menina que adorava ler, mas não tinha como comprar livros, e o livro que lhe é oferecido em troca de sua sujeição a humilhações impostas pela menina gorda, filha de um dono de livraria. É na relação de paixão entre a menina pobre e seu objeto de desejo que o autor desenvolve a reflexão sobre o amor pela leitura.
 “Sobretudo, quis deixar claro que vejo a escrita e a leitura como coisas indissociáveis” Flávio Carneiro. O livro é uma homenagem ao leitor, personagem muitas vezes esquecido na literatura, mas determinante para a perpetuação da escrita – seja qual for a linguagem.

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