29 de outubro de 2020

Para celebrar Carlos Drummond de Andrade


Por Felipe Maciel

Inspirado em iniciativas como o Bloomsday, que celebra o escritor irlandês James Joyce, o Dia D, comemorado no dia 31 de outubro, foi oficialmente criado no Brasil em 2001 em homenagem a Carlos Drummond de Andrade. A data marca o nascimento do poeta e as ações são coordenadas pelo Instituto Moreira Salles (IMS). Com o tempo, livrarias e instituições culturais de todo o Brasil aderiram ao movimento, promovendo uma série de leituras, debates e exibições de documentários sobre a vida e a obra do poeta.

Drummond é, por essência, um poeta popular. Seus poemas atemporais circulam pelas praças, redes sociais e, principalmente, preenchem as livrarias. Neste turbulento 2020, o poeta esguio e tímido ecoou por diversas vezes entre nós, enquanto buscávamos em seus versos algum alento.

Para nossa sorte, a Companhia das Letras publica neste ano quatro títulos do autor; a antologia digital Parolagem da vida, além das edições de Passeios na ilha e Confissões de Minas, dedicadas à sua prosa. Em novembro, será lançado também O observador no escritório, o diário do poeta escrito entre maio de 1943 e setembro de 1977.

No site do IMS (https://bit.ly/2Hqcq3R), é possível conferir a programação completa desta edição que será totalmente on-line. Entre os destaques, estão programados o curso Drummond e a maquinação do mundo, ministrado por José Miguel Wisnik, e a exibição do longa-metragem Vida e verso de Carlos Drummond de Andrade, com roteiro e direção de Eucanaã Ferraz e fotografia de Walter Carvalho.



Sobre os lançamentos de 2020 pela Companhia das Letras:

Parolagem da vida (e-book): Uma reunião de 40 poemas que dialogam com essa matéria indefinida que todos compartilhamos e concordamos em chamar de vida presente. Selecionados por sua surpreendente capacidade de refletir sobre os dias atuais, os poemas desta coletânea tratam de solidão, isolamento, luto, incerteza, crise econômica e medo. Mas há também uma nesga de esperança.

Passeios na ilha: Drummond não foi apenas exímio poeta. Destacou-se também na prosa, definida pelo próprio como  “a linguagem de todos os instantes”. É esse Drummond da crônica, que se funde ao ensaio, que se celebra neste livro. Lançado originalmente em 1952 e reunindo colunas escritas para o jornal Correio da Manhã, foi o segundo livro em prosa do escritor, reunindo textos que lançam olhares atentos sobre grandes nomes, como João Alphonsus de Guimaraens e Manuel Bandeira, além de ensaios sobre cultura e o fazer literário.

Confissões de Minas: Primeiro livro em prosa de Drummond, sobre o qual o próprio autor explica: “É um texto de prosa, assinado por quem preferiu quase sempre exprimir-se em poesia”. A obra atravessa onze anos do tempo de Drummond. Lançado pela primeira vez em 1944, o volume reúne ensaios originais que fotografam uma época inquieta, onde política e literatura se alternam entre as páginas quando não dividem os parágrafos.

O observador no escritório (lançamento em 03/11): Entre maio de 1943 e setembro de 1977, Carlos Drummond de Andrade manteve o hábito de escrever suas notas, reflexões e memórias. Ao se debruçar sobre um período de intensas mudanças políticas no país, Drummond retratou, entre outros fatos marcantes, sua passagem pelo gabinete do ministério da Educação e Saúde Pública, seu envolvimento com a criação do jornal Tribuna Popular e o declínio do Estado Novo.


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